27 de novembro de 2009

Ponderantes com domínio próprio


Após um ano e meio de blog, resolvi mudá-lo para domínio próprio. Ou seja, a partir de agora, o endereço do Ponderantes é www.ponderantes.com.br.


Por isso, peço aos parceiros que têm o Ponderantes linkado em seus blogs que coloquem o endereço atualizado. E àqueles, cuja parceria é através dos banners informo que minha caixinha de link-me já está com o novo endereço. Portanto, basta copiar o código abaixo da caixinha e inserir em seus blogs.

Quem me acompanha através do “Google Friend Connect” (Seguidores) e/ou do “Bloglist” não precisam fazer tais procedimentos.

Abraços a todos e um excelente final de semana.


P.S: Com a mudança, meu PageRank caiu, mas isso é algo normal numa mudança de domínio. O PageRank é recuperado depois.

Imagem: Stock photo

21 de novembro de 2009

Seu nome é Jade


Sou bom fisionomista, mas tenho imensa dificuldade para memorizar nomes. Caso eu converse com alguém apenas uma vez, seu rosto estará em minha memória por muitos anos. Mas não digo o mesmo em relação ao nome. É por isso que tenho o mau costume de chamar José de Adolfo, Maria de Bruna.



Na livraria onde compro meus livros, sempre fui atendido cordialmente. Apesar disso, não conseguia gravar o nome de uma das funcionárias. Certa vez, após meses em que ela pronunciava meu nome sem titubear e eu forçava a mente para tentar lembrar o dela, perguntei como ela se chamava.

– Jade! – ela respondeu.

Duas semanas depois, voltei lá para adquirir um novo livro. Jade, como sempre, me recebeu gentilmente:

– Boa tarde, Valdeir, como vai?

Eu respondi “tudo bem”, mas muito envergonhado, porque havia esquecido o nome dela. Diante do constrangimento, expliquei-lhe minha dificuldade “nomística”, e lhe pedi que dissesse novamente como se chamava. Ela respondeu, sorrindo:

– Jade!

Uma palavra dissílaba, constituída de duas vogais e duas consoantes. Simples assim! Eu poderia memorizar. Já se tornava uma questão de honra. Eu tinha que me esforçar:

– Eu já sei como fazer para não esquecer – eu disse – Você tem o mesmo nome de uma personagem que Giovanna Antonelli interpretou em “O Clone”. Pronto. A partir de agora, sempre vou lembrar. Pode estar certa disso.

Minha estratégia funcionou. Agora, todas as vezes em que vou à livraria, e vejo que serei atendido pela simpática Jade, inicio mentalmente o processo de checagem do seu nome: “O Clone”, Giovanna Antonelli, Jade. Pronto: o nome dela é Jade: “Oi, Jade, tudo bem?”



Em tempo: Já que eu falei em simpatia, não posso deixar de registrar a forma igualmente gentil como Lete – da mesma livraria – me atende. Interessante é que memorizei o nome dela desde o princípio. Mas há uma explicação para isso: conheço algumas pessoas chamadas Lete.



Imagem: Stock photo

15 de novembro de 2009

O Brasil de Amanhã


Brasil caminhava pela areia da praia, tonto e cambaleante (efeito da farra de carnaval). Repentinamente, ele se deparou com um velho, de longas barbas brancas, corpo magro e visivelmente doente, carregando um livro debaixo do braço.


Assustado com a aparência daquele senhor, Brasil perguntou-lhe:
– Quem é você?
– Não está se reconhecendo? – indagou o velho – Eu sou você amanhã.
O jovem Brasil, que já estava mareado pela bebida, ficou mais zonzo ainda:
– Quer dizer que eu serei assim no futuro?
– É claro. A idade chega para todo mundo, mas bem que você poderia ter cuidado melhor da sua aparência e da sua saúde, né? É por causa do seu desleixo que estou assim, doente e desmazelado.
– E onde você mora?
– Num barraquinho aqui perto.
– Barraquinho? Pensei que quando eu ficasse velho, moraria numa mansão igual à da China e dos Estados Unidos.
– Meu caro jovem, você tinha tudo nas mãos para ser rico e próspero. Só precisava se esforçar. Mas como você não quis trabalhar, não conseguiu mais nada na vida e ainda perdeu o que tinha.
– E eu... quer dizer... você mora sozinho?
– Vivo com minha companheira, a Venezuela. Ela está velha, desdentada, mais doente e mais pobre do que eu, mesmo assim eu gosto dela. Vivemos felizes... Quer conhecer meu cafofo? Lá é de pobre, mas é limpinho, viu?
– Outra hora. E que livro é esse debaixo do seu braço?
– Não faço a mínima ideia. Eu não sei ler. Uso esse livro como apoio para minha cabeça quando preciso descansar.
– Como isso é possível? Eu sou letrado. Achei que na minha terceira idade eu seria um homem douto e sábio.
– Eu sabia ler, mas de repente esqueci tudo. Outro dia, eu disse para minha companheira: Hoje sou um abitolado, porque não investi o suficiente na minha própria Educação. A Educação é como um remédio que devemos tomar a vida toda; senão, a doença retorna, e aqui está mais uma doença da qual padeço: o analfabetismo.
Após falar isso, o velho Brasil deitou-se na areia e colocou o livro sob a cabeça. Pediu licença ao rapaz e disse que precisava descansar para caminhar até o barraco.
Minutos depois, o jovem Brasil foi encontrado na mesma praia, dormindo com a cabeça sobre uma garrafa de bebida. Os amigos o chamaram. Ele acordou. Levantou com dificuldade. Gritou:
– Que bom! Era tudo um sonho. Vamo galera! Vamo pra avenida curtir mais um dia de Carnaval.


Este texto é minha contribuição para a blogagem coletiva “Brasil, 14 de novembro”, promovida pelo blog Cachorro Solitário, do Diogo C. Scooby.

10 de novembro de 2009

Professor e Aluno: transferência


Após a aula, o professor está saindo da sala, quando um aluno o chama:

− Professor, espere, eu não pedi sua bênção hoje.
− Deus te abençoe, Lucas... Você não se importa com seus colegas pegando no seu pé, quando me pede a bênção?


− Não ligo, não. Eu acho que eles queriam fazer o mesmo, mas ficam com vergonha. Eu sou corajoso.
− Convencido!!!
− O senhor é um cara muito legal.
− Obrigado, Lucas. Mas vocês são ótimos alunos. Fico satisfeito em dar aula nessa turma, que tem alunos tão dedicados, como você. Mas não vá se achando o tal só porque te elogiei...
− Oxe, professor, não relaxo com o senhor. Sua aula é a que eu mais gosto... Professor, amanhã é meu aniversário. Vou fazer catorze anos.
− Eu sei. Você está me lembrando disso há duas semanas. Vou te dar os parabéns amanhã. Senão perde a graça... Vai ter bolo?
− Minha mãe quer fazer uma festinha e convidar meus amigos.
− E seu pai?
− Meu pai o quê?
− Ele está animado para sua festa amanhã?
− Eu não tenho pai.
− Héin?!
− Ele morreu.
− Você fala “morreu” com tanta raiva! Nunca vi ninguém informar a morte de alguém querido do jeito que você falou... Lucas... Lucas, olha pra mim; seu pai morreu mesmo?
− Morreu não, mas é como se tivesse morrido. Ele mora em uma cidade aqui perto, mas só veio me ver uma vez, desde que eu nasci.
− Que coisa, Lucas...
− Eu queria ter um pai de verdade. Um pai assim, como o senhor.


Essa é uma história real. O nome “Lucas” é fictício para preservar a verdadeira identidade do aluno.


Imagem: Stock photo

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