28 de novembro de 2008

O mundo é de quem faz

Quem assiste ao comercial do IG e se depara com o slogan “O Mundo é de quem faz!”, acha que o provedor está vendendo a idéia de pretensão e arrogância. Se está ou não, não me cabe julgar, mas o slogan revela uma verdade absoluta: somos aquilo que fazemos.

Algumas pessoas, por exemplo, lamentam por estar em um emprego que não traz satisfação pessoal e cujo salário é baixo. Mas de quem é a culpa disso? De quem se prontificou a aceitar o serviço, obviamente. Então, basta “arregaçar as mangas” e lutar para ter um emprego mais digno.

Outro exemplo típico: você concede um empréstimo a um amigo. Passa-se o tempo. Ele é cobrado, mas sempre diz que não tem como pagar. Ele, realmente, é um mau-caráter por ter abusado de sua boa-fé e generosidade. Mas todo esse problema começou com uma atitude sua: foi você quem emprestou espontaneamente o dinheiro para ele. Agora, resta ficar atento para não cair na mesma armadilha novamente.

Portanto, ao contrário do que dizem, o mundo não é dos espertos, mas de quem constrói a própria biografia. Ou seja, daqueles que não param no meio do caminho para lamentar-se nem comparar-se com os outros. De quem apenas trabalham a fim de alcançar seus objetivos.
Continue Lendo

24 de novembro de 2008

Onde estão meus olhos

Meu poema favorito de Carlos Drummond de Andrade é “O Elefante”. Nele, o poeta conta em versos a história do animal que construiu e deu sopro de vida. Mas não o prendeu; deixou que saísse e desbravasse o mundo.

É justamente a saga do elefante no mundo que está o clímax do poema. Os olhos do elefante se transformaram nos olhos do poeta. Ele queria acompanhar a vida com olhar diferente; olhar do outro.

Também construímos nossos “elefantes” para acompanhar o mundo mediante outros olhares. Mas o “elefante” mais “bisbilhoteiro” é, sem dúvida, o livro. Através dos olhos do seu autor, conhecemos novas formas de ver a vida; adquirimos novos conhecimentos.

Abaixo, alguns trechos do poema:

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio
....................................
Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
...................................
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas já vacilantes
Se desmancham no pó.


Como dito, estes são apenas trechos do poema. Leia-o completamente (e outros poemas também) no livro A rosa do povo, da editora Record. Boa leitura.
Continue Lendo

19 de novembro de 2008

O abraço da bandeira


Durante a Copa do Mundo de 1994, a Seleção Brasileira obteve um bom desempenho em todos os jogos. Por causa disso, a bandeira do Brasil ficou em evidência. As pessoas a usavam de todas as formas. Envolviam no corpo. Customizavam, transformando-a em camisas, calças. Além disso, enrolavam na cabeça como se fosse um chapéu. Enfim, o importante era sentir fisicamente a bandeira.

Essa exaltação física da bandeira acabou levantando uma discussão fora da esfera futebolística: alguns estilistas diziam que tal comportamento não era “brega”, mas as cores da bandeira brasileira, por serem fortes, eram deselegantes sobre peças de roupa. Para afirmarem isso, tais profissionais confrontavam nossa bandeira com outras de cores mais sóbrias.

Mas a moda não tinha (como não tem ainda hoje) o poder de refrear o patriotismo que existe em cada cidadão. A bandeira brasileira é nossa. Ela é uma excelente forma de expressarmos o amor pelo nosso país. É a materialização do sentimento de ser brasileiro.
Continue Lendo

17 de novembro de 2008

Qual o mascote da Copa do Mundo no Brasil?


O Emir, em seu blog, perguntou aos leitores qual personagem deveria ser escolhido como mascote da Copa do Mundo de 2014, que acontecerá no Brasil. Ele partiu da idéia de que o Saci Pererê seria uma ótima escolha. Alguns concordaram, afirmando que esse é um personagem genuinamente brasileiro; outros não aceitaram, pois, como o Saci fuma, seria um péssimo exemplo para as crianças.

Houve também os que – como provocação – deram outras sugestões, como Zé Carioca (personagem brasileiro e preguiçoso do gibi) e Macunaíma – Herói sem nenhum caráter (personagem homônimo do livro de Mário de Andrade).Ainda há tempo de escolher o mascate da Copa que será realizada no Brasil em 2014. E que seja um personagem que tenha relação positiva com o “ser brasileiro”, para mostrar ao mundo todo o nosso valor.


Continue Lendo

14 de novembro de 2008

Esporte sustenta o Hino Nacional

O Hino Nacional apresenta vocabulário arcaico e construções sintáticas ultrapassadas, o que dificulta seu entendimento. Surge, então, o questionamento: por qual motivo esse símbolo brasileiro continua vivo?

Os responsáveis por isso são as modalidades esportivas, sobretudo o futebol. Sempre que os atletas brasileiros vencem disputas internacionais, o Hino Nacional é cantado, laureando definitivamente a conquista. Enquanto cantam o hino – em casa ou nos estádios – os torcedores choram emocionados (apesar de poucos conseguirem pronunciar um verso inteiro sem tropeçar nas palavras).

Percebe-se que quando o hino é cantado em eventos não- esportivos, essa emoção não é aflorada. Isso corre porque o esporte, principalmente o futebol, desperta a paixão de ser brasileiro. O Hino Nacional seria o complemento dessa paixão associado ao sentimento de posse. É como se quisesse dizer: “A conquista é minha! Sou brasileiro”.

Mas para que o amor pelo Hino Nacional não se restrinja a campeonatos esportivos, é preciso que sua linguagem seja adequada à atualidade. Lembremos que ele foi escrito em 1909*, conforme a língua padrão da época. Naquele momento, todos entendiam o que estavam cantando – inclusive os não-alfabetizados.

No entanto, resiste-se muito às mudanças no Hino Nacional. Acredita-se que ao fazer simples substituições de palavras ou transformação dos períodos para ordem direta, estaria correndo o risco de alterar entendimentos do enredo histórico de que trata a letra do hino. Outros argumentam que como é um símbolo nacional, o hino brasileiro não poderia passar por modificações.

Ora, os símbolos nacionais são construídos para que seja estabelecido entre eles e o povo um sentimento de patriotismo. E como despertar amor por aquilo que não se compreende? Por isso, não seria conveniente para a Pátria que qualquer brasileiro entoasse o Hino compreensivamente?

Do mesmo modo, é improcedente o argumento de que mudanças no vocabulário do hino brasileiro acarretariam interpretações históricas equivocadas. Na verdade, as más interpretações já estão ocorrendo justamente por manter palavras que, na época da composição do hino, tinham sentido completamente diferente de que tem hoje. É o caso de “deitado”, que, no hino tem acepção de abençoado; mas hoje significa “estirar e inclinar o corpo para descanso”. Por essa razão, o verso “deitado eternamente em berço esplêndido” é sempre evocado quando se quer chamar alguém de preguiçoso.

Não se ama aquilo que não é conhecido. Quando a letra do Hino Nacional for adaptada ao nosso tempo, os brasileiros não vão ter ímpetos de paixão por ela apenas em momentos de grandeza do nosso esporte. Eles irão ter por esse belíssimo símbolo da pátria um amor ininterrupto, porque passarão a compreendê-la.

* A primeira letra do Hino Nacional foi escrita em 1831 por Ovídio Saraiva de Carvalho. Em 1909, ela foi substituída pelo poema de Joaquim Silvério Duque Estrada e permanece até hoje (a melodia é a mesma desde a primeira versão do hino).
Continue Lendo

13 de novembro de 2008

Oba-Obama: o desgaste da notícia

É indiscutível a importância histórica da eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro da nação mais poderosa do mundo. Isso representa um “nocaute” não apenas contra o racismo, mas também contra outras manifestações de preconceito.
No entanto, é desnecessária a enxurrada de notícias sobre o assunto. Se, ao menos, fossem informações inéditas, nossos “ouvidos” e “olhos” não sofreriam tanto. A maioria de tais informações, porém, é repetitiva.
Portanto, é necessário evitar o uso demasiado da mesma notícia apenas para aumentar a venda de jornais e a audiência de programas televisivos e de blogs. Caso contrário, o que acontecerá é uma fuga em massa do espaço onde tais notícias são veiculadas
Continue Lendo

12 de novembro de 2008

O silêncio é um espelho

Você chega em casa e a primeira coisa que faz é ligar o rádio. Agora, há uma voz para lhe fazer companhia.

Depois, você vai tomar banho e aumenta o volume do rádio para que aquela companhia chegue até o banheiro.


Após o jantar, liga para um amigo e conversa durante alguns minutos. Em seguida, desliga o telefone e liga a TV.

A campainha toca. É aquele grupo de colegas que havia combinado ir à sua casa para colocar o papo em dia. Vocês são apenas sorrisos.

Mas já está ficando tarde. Os colegas vão embora. Na casa, novamente, só há a voz do rádio, que você acabou de desligar, pois já vai deitar. Agora, sua companhia é você mesmo, a única que você queria evitar.

Amizade, namoro, casamento, enfim, os relacionamentos são importantes para o ser humano. No entanto, muitas vezes, eles são usados como escudo para tentar impedir de ver o próprio interior. Quando a pessoa se conhece, os relacionamentos fluem de forma prazerosa, e não como remédio.
Continue Lendo

9 de novembro de 2008

Vida sacrificante de professores será mostrada na nova novela das oito

Por serem temáticas, as novelas de Glória Perez costumam trazer algum resultado prático na vida real. Foi isso que aconteceu, por exemplo, em Explode Coração (1995), quando o folhetim, ao abordar o desaparecimento de crianças, fez com que muitas famílias reencontrassem seus filhos.
Agora, com Caminho das Índias – nova novela das oito –, entre outros temas, Glória Perez tratará da vida “infernal” em que vivem os professores brasileiros. Segundo a autora, serão discutidos, por exemplo, os baixos salários dos educadores e o desrespeito e as agressões físicas que sofrem pelos alunos.
É óbvio que um programa televisivo não tem o poder de mudar essa realidade. Entretanto, a novela das oito, por ser dona da maior audiência da TV brasileira, irá trazer ao conhecimento da população as agruras pelo que passam os professores (sobretudo os da escola pública).

Continue Lendo

8 de novembro de 2008

Um muro de escola pública caiu, e daí?

Nesta quinta-feira, o muro de uma escola estadual da cidade baiana de Jequié desabou. Um estudante morreu e dois ficaram feridos gravemente.

Esse tipo de ocorrência é muito comum nas escolas públicas, não apenas na Bahia, mas no Brasil inteiro. Entretanto só viram notícia, quando há vítimas fatais.

Assim, mais um muro é derrubado pela negligência dos governantes. Outros muros já ruíram há muito tempo, como o do investimento descente em educação, o do salário digno dos professores, o da valorização dos docentes.

E por que falta interesse para (re)construção desses e de outros muros? Porque seus resultados efetivos acontecem a médio e a longo prazos. As eleições, por sua vez, não esperam. E os votos são necessários para que o governante “que manda no muro” continue no poder.

Acompanhe a notícia.
Continue Lendo

Professores são agredidos por família de aluno

Agora não é apenas a muitos alunos marginas que as instituições de ensino estão expostas.

No último dia 06, familiares de um aluno agrediram fisicamente dois professores dentro da escola.

Acompanhe a notícia.
Continue Lendo

6 de novembro de 2008

O Chevrolet Captiva e o tempo

“O tempo é igual para todo mundo. A diferença é o que você faz com ele”.

A frase acima é o slogan do comercial do novo Chevrolet Captiva. Sinceramente, tenho observado mais a mensagem do que o comercial.

A mensagem aborda o uso adequado e prazeroso do tempo. Enquanto uns vivem apressadamente e não conseguem contemplar a beleza das coisas, outros vivenciam cada minuto, tendo sua existência como um verdadeiro presente.

Acompanhe o vídeo:



No entanto, a proposta do anunciante é outra. Ele apresenta o tempo sob dois prismas. O primeiro é representado pela velocidade com que o carro percorre uma longa distância (e aqui está a eficiência do produto). O outro, é a lentidão com que o motorista vive, usufruindo cada minuto proporcionado pela rapidez do veículo. A contradição do tempo a favor do motorista. (Texto de Valdeir Almeida)

Continue Lendo

3 de novembro de 2008

Itaú–Unibanco, um novo monopólio na praça

Hoje à tarde, foi anunciada a fusão entre Itaú e Unibanco. Sendo um só, em que esses dois bancos se transformarão? Exatamente: em um monopólio econômico.
Antes de prosseguir a reflexão, é necessário recorrer aos dois conceitos de monopólio. Um é o oficial e está registrado nos dicionários: “Privilégio exclusivo de vender, fabricar, explorar, eleger produto ou serviço" (Dic. Houaiss). O outro conceito – o popular – geralmente é apresentado mediante o exemplo da Rede Globo, “dona” da maior audiência da TV brasileira.
As notícias da referida fusão demonstram que os dicionários é que estão corretos. Os dois bancos juntos terão o domínio exclusivo em seu ramo de negócio. Exclusivo, sim, pois, como serão a maior instituição financeira do Brasil, usufruirão de privilégios que seus concorrentes não conseguirão ter. Junte-se a isso o fato de os correntistas – os verdadeiros sustentáculos dos bancos – só hoje terem conhecimento da junção (a negociação entre o Itaú e o Unibanco durou 15 meses); situação peculiar de um monopólio que os dicionários não registram.
Esse verdadeiro monopólio em nada lembra o conceito popular da palavra. Há anos, acusam a Rede Globo de monopolizar a audiência. Nesse caso, porém, não se trata de monopólio propriamente dito, visto que a maioria dos espectadores assistia à TV dos Marinhos, porque era a única que detinha qualidade na programação. Logo, o que havia era falta de opção. Além disso, os telespectadores não eram obrigados a acompanhar essa emissora. Posteriormente, outras redes de TV passaram a investir agressivamente na própria grande de programação, resultando numa disputa mais acirrada com a emissora-líder.
Juntos, o Itaú e o Unibanco se transformarão no maior conglomerado de bancos no Brasil. Porém, eles não devem se iludir; assim como a Globo viu seus telespectadores migrarem para outras emissoras, os correntistas podem não se agradar desta fusão feita na calada da noite.
Continue Lendo

1 de novembro de 2008

Ainda Sou Herói: o reencontro entre um policial e sua auto-estima

Todos os dias, antes de sair de casa, o policial Antônio beijava a esposa e o filho de 5 anos.

Aqueles beijos carregaram sempre uma incógnita. Não se sabia se significam simples anunciar de um retorno garantido ou se eram prenúncio de uma despedida definitiva.


Após os beijos, Antônio ia para o trabalho, sempre andando. Durante a caminhada, ele era observado por várias pessoas. Como a senhora incomodada com a farda do rapaz e o suspeito que parecia pronto para atacar.

Todas aquelas manifestações corriqueiras estavam destruindo os sonhos de Antônio. Entretanto, certa vez, após passar novamente pelo corredor de olhares, ele ouviu a voz de uma criança: “Seu guarda”. O policial interrompeu os passos para olhar para trás e viu um menino, aparentando 7 anos de idade.

Antônio abaixou para ficar na mesma altura da criança, que estava ao lado da mãe, e disse:

– Oi, campeão!

– O senhor deixa eu colocar seu chapéu em minha cabeça?

O policial, feliz com aquele pedido, tirou sua boina e colocou sobre a cabeça do menino. Este sorriu, olhando para a mãe. Em seguida, voltou os olhos para Antônio e falou-lhe:

– Quando eu crescer, quero ser policial igual ao senhor.
Continue Lendo

Blogs Indispensáveis

Membros

Creative Commons License
O Blog Ponderantes está licenciado sob uma licença Creative Commons.

© Ponderantes 2008-2012 Todos os Direitos Reservados | Início |Créditos

Voltar ao TOPO