29 de abril de 2010

A Culpa é dos Professores, diz psicopedagoga

Há alguns dias, mais uma escola pública de Feira de Santana estava sofrendo de falta de professores. Nesse caso específico, o motivo era a violência na instituição e nas suas imediações.

A “evasão” de professores não é novidade nas escolas públicas da Bahia. Nas universidades, os bancos dos cursos de licenciaturas encontram-se cada vez mais vazios. E os docentes que já atuam na área estão deixando a profissão por uma questão de sobrevivência física, emocional e financeira.

Entretanto, o que causa espanto é a declaração que a psicopedagoga da escola citada deu a um telejornal local: “Como não está havendo aula na escola, os pais não conseguem controlar os filhos dentro de casa. Com isso, essas crianças e adolescentes vão para as ruas. Os professores poderiam ser mais conscientes e pensar na situação dos pais”.

Ora, aos domingos, feriados e férias não há ministração de aulas. O que os progenitores fazem nesses períodos? Tomam atitude de verdadeiros pais e educam os próprios filhos? Ou esperam o retorno das aulas para que os professores voltem a exercer o papel de babás e de pais e mães de aluguel?

A psicopedagoga perdeu uma grande oportunidade de utilizar a câmera e o poder da TV para reivindicar do governo um tratamento digno para a unidade escolar em que ela atua. Ela poderia apelar também para que as autoridades intensificassem a segurança ao redor e dentro da escola. Mas preferiu culpar os professores (os sacerdotes de plantão), uma forma não-inteligente de camuflar os verdadeiros problemas daquela instituição de ensino. (Texto de Valdeir Almeida)



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25 de abril de 2010

Leitores e Foliões


Quando um governo se torna totalitário, uma de suas primeiras iniciativas é destruir livros. Os leitores que já têm as letras dos livros transformadas em conhecimento possuem a sabedoria na memória, mas as futuras gerações não terão o privilégio de expandir horizontes através da leitura.


Na democracia não há queima de livros, mas o dinheiro público é usado em coisas desnecessárias em vez de ser investido no estímulo à leitura. Por exemplo, milhões de reais são destinados ao Carnaval, enquanto programas educativos – como o de incentivo ao amor pelos livros – não recebem a devida atenção. Entretanto, para os governantes é menos “perigoso” e mais lucrativo investir em festas que duram dias a fio do que permitir a formação de leitores a debruçar algumas horas num livro.

O livro estimula a reflexão e o questionamento, o que pode levar os leitores a conclusões realísticas e decepcionantes a respeito do governo. Já a festa carnavalesca pura e simples equivale à distribuição de pão e circo, que entorpecem as pessoas sem senso crítico; são vendas nos olhos dos foliões.



P.S. Evidentemente, não estou fazendo uma crítica moralista contra o Carnaval. Minha indignação é quanto ao alto investimento que se faz nessa festa (sobretudo na Bahia), enquanto a Educação continua a receber recursos parcos. É óbvio que existem leitores foliões; eles se divertem, mas têm consciência de que aquilo é apenas uma diversão e não uma mordaça em forma de entretenimento. (Texto de Valdeir Almeida)




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20 de abril de 2010

Ótica Olho Vivo, reclame


Reclame

“se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência”

A famosa poesia acima é do poeta Chacal (Ricardo Carvalho Duarte). E abaixo segue meu ponto de vista a respeito dos versos:


“se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
A mesma situação pode agradar uma pessoa e causar sofrimento a outra. Tudo depende da personalidade, do equilíbrio emocional e das expectativas de cada um. Porém, para quem se sente desprivilegiado, uma boa alternativa é utilizar “lentes”. Isso faz do horizonte preto e branco uma linha colorida e confortável. Entretanto, esse paliativo não muda a realidade, apenas a mascara.


... ou transforme o mundo
Contudo, se você não quer “tapar o sol com a peneira”, isto é, fingir que o problema não existe, tire as lentes. Veja o problema sem medo. Encare-o. Daí verá que talvez ele não esteja em você, mas no mundo, ou melhor, no ambiente onde você vive.

Possivelmente, você seja uma andorinha solitária tentando inutilmente fazer verão. Sabe que aquele lugar jamais mudará, pois as inconveniências são peculiares a ele. Se não pode reverter o problema, deixe o problema no lugar dele, e mude você mesmo de lá. Saia de mala e cuia.

Por exemplo, no seu trabalho imperam dissabores, humilhações, nervos afiados? Além disso, é um serviço que não valoriza seu talento e esforço? Então, invista em você mesmo e vá à busca de um emprego melhor. Melhor, nesse caso, não significa que não encontrará problemas no novo ambiente, mas se você gosta do que faz e vê que seu serviço renderá, com certeza tirará de letra qualquer situação inconveniente. Você terá mais alegrias do que tristezas (o mundo indo bem a esses olhos).


ótica olho vivo
agradece a preferência”
Pessoas com essa postura são inteligentes, tem “olho vivo”. Não vivem de riscos, mas de oportunidades. A vida delas sempre retribuirá seus esforços, agradecerá constantemente por ter preferido ser feliz.


P.S: Além dos versos, o título também deve ser considerado. Reclame era a designação dada aos antigos comerciais de rádio e TV. Mas neste poema, Chacal brinca com o termo. Reclame é o anúncio publicitário da “ótica olho vivo” (apelo para aproveitar a vida), mas é também um convite para reclamar, não aceitar as situações adversas e ir à luta.



Imagem: Stock photo

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10 de abril de 2010

Aniversário: 2 anos do blog Ponderantes

Há dois anos, criei o blog Ponderantes. Inicialmente, não tinha um alvo estabelecido. Só queria experimentar a novidade. Posteriormente, fui acometido por uma pretensão: eu quis mostrar a todos minha forma de ver o mundo. E esse objetivo foi alcançado, de forma que os amigos foram chegando, chegando, chegando. E agora, possuo amigos-leitores com os quais tenho afinidade (às vezes, discordamos de uma coisa ou outra, o que é natural).

Nos primeiros meses do ano passado, em virtude do trabalho, anunciei minha saída da blogosfera. A decisão, porém, durou pouco. Afinal, blogar é um hábito difícil de “largar”. Hábito, é bom que se diga, gerado não apenas na escritura e postagem dos textos, mas na repercussão que eles causam e também na leitura dos blogs amigos.

O que ganhei nesses dois anos? Resumidamente: aprendi a tolerar as ideias contrárias às minhas. Conheci o mundo através de pessoas reais e não apenas de correspondentes da imprensa. Fiz amizades com pessoas inteligentes, possuidoras de pensamentos que surpreendem positivamente. E, por fim, apaixonei-me ainda mais pela escrita.

Por tudo isso, agradeço aos meus amigos-leitores que me fizeram manter prazerosamente o Ponderantes até aqui.


Obrigado!!!


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6 de abril de 2010

Racismo – Ponto de Interrogação




“Ponto de Interrogação” é um vídeo que faz parte do projeto Microdramas – Dramaturgia no Break, do Pólo de Teledramaturgia da Bahia (Pote). O projeto compreende de pequenas histórias escritas, dirigidas e interpretadas por profissionais baianos.

Os vídeos foram veiculados em 2005, durante os intervalos comerciais da TVE Bahia e da TV Bahia, parceiras do empreendimento.


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3 de abril de 2010

Acarajé com pão de queijo e outras ponderações

Acarajé com pão de queijo

A baiana Insinuante e a mineira Ricardo Eletro se uniram. Juntas, as duas serão a segunda maior cadeia de móveis e eletrodomésticos do Brasil. Anteriormente, elas concorriam não apenas nas vendas, mas também na categoria “comercial mais alarmista da TV”. Resta saber que reação essa mistura causará no estômago, ou melhor, no bolso do consumidor.


Machado no tabuleiro de liquidação

Há alguns dias, um livro de Machado de Assis estava na banca de liquidação do Hiper Bompreço. O preço era realmente bom e convidativo, mas parecia não despertar o interesse de quem passava por ali. Por sua vez, o CD de uma determination banda foi muito bem consultado (quem não comprou, ao menos ouviu gratuitamente). A propósito, parece que essation banda tem apenas uma música em seu repertório. Não se toca outra coisa; nem a Capitu suportaria isso.


Sobre o post “Meu pedido de Exoneração incomodou os detratores da Educação”

Conforme estatística do Google Analytcs, o post citado acima foi um dos mais acessados em quase dois anos de blog Ponderantes. Seria interessante que todos que o lessem também comentassem. Mas agradeço aos 32 leitores que deixaram suas opiniões construtivas. Foram palavras cordiais e incentivadoras. Não houve comentários depreciativos (e se houvesse eu não os publicaria). Obrigado a todos vocês.


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