1 de setembro de 2009

O Prato de Dolores


Apesar de educada, Dolores enche o prato até a borda sempre que vai a um restaurante. Mas ela só faz isso quando está entre amigos ou familiares.


E a alma dessa distinta senhora é tão pesada como costuma ser seu prato. Isso mesmo, sua alma é demasiadamente carregada a ponto de transbordar e encher de mal-estar todo o ambiente. Por esse motivo, a presença de Dolores é dolorosa.

Mas Dolores não dá importância para isso. Seu único foco é fazer do prato dela o mais cheio possível, assim como ela faz com sua vida cotidiana: enche-se de atividades “calóricas”, mas desprovidas de “proteínas”, só para transmitir a falsa impressão de ser melhor que os outros. Ela, porém, esquece que alimentos ingeridos com muita gordura e nenhum nutriente causam um reboliço no intestino e saem dolorosamente.

13 comentários

james penido 1 de setembro de 2009 09:03  

Parabéns,gostei muito.Simbólico,conciso,com todas as características da boa prosa.Aguardamos mais contos.Grande abraço.

Lohan 1 de setembro de 2009 11:30  

gostei do seu blog :D
estou te seguindo

http://blogmultitematico.blogspot.com/

Juliano 1 de setembro de 2009 13:24  

Causam reboliço no intestino e saem dolorosamente..! eu ri

Abraços

HSLO 1 de setembro de 2009 17:39  

Você como sempre...show.

Adorei o texto, viu.


abraços


Hugo

Atreyu 2 de setembro de 2009 00:14  

¿¿ alguém mais teve dó dela??
Bem legal o texto!!! =D

Cristiano 2 de setembro de 2009 12:04  

Mais um seguidor!

Seu blog resume a poesia, o cotidiano, as pequenas coisas da vida! E isso atrai!

voltarei, sempre, sempre.

Gleydson Barroso 2 de setembro de 2009 18:55  

Texto muito bacana. Fala de uma forma indireta do cotidiano da nossa sociedade que procura sempre se iludir com mentiras inventadas por ela mesma. Adorei essa forma de critica.
Aah! Obrigado pelo elogio ao meu blog, é uma honra pra mim receber um elogia daqueles, saiba que tbm, estou te seguindo, ok?!

Abraços!
=)

comme des habitudes 2 de setembro de 2009 23:05  

ola Valdeir!!!

é que a morte para a maioria das famílias era uma celebração principalmente na infância. era a certeza de que o filho irá interceder no céu pela saúde e proteção aos pais na terra. por isso a alegria, o cortejo, os enfeites, as vezes o ouro e o luxo dos enlutados mesmo entre africanos e escravos.

abraços!!!

apareça sempre!!

leandro.

Valdeir Almeida 3 de setembro de 2009 07:55  

Leandro,

Obrigado por comentar, embora você, na verdade, não tenha feito um comentário sobre meu texto, mas sobre a opinião que dei a um texto seu.

Bom dia.

Du 3 de setembro de 2009 12:18  

É um jeito muito comum este de preencher o vazio existencial, seja com comida, bebida ou qualquer outro paliativo.
Muito bom o texto!

Luma 3 de setembro de 2009 20:35  

Dó das dores de Dolores! ;) Beijus

comme des habitudes 4 de setembro de 2009 11:46  

Valdeir você tem textos analíticos perfeitos!!! parabens!!!!

abraços!!

leandro.

8 de setembro de 2009 20:06  

Adorei o conto! E nem te "conto" que conheço várias Dolores mundo afora? É triste saber que se multiplicam ano após ano e nem se dão conta do mal que causam a si e aos que as cercam?
Bela reflexão acerca de algo que ouvi: "somos o que comemos". O pecado da gula e outros pecados aparecem bem contornados, além da boa escolha da personagem e seu nome. Fabuloso! Bjins e até!

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