31 de agosto de 2011

Poesia na Sinaleira


Distribuir poesias nos sinais de trânsito de Feira de Santana e, consequentemente, despertar motoristas e pedestres para a “beleza da vida”. Era isso que Weslley M. de Almeida tinha em mente ao criar o Poesia na Sinaleira, que começou a ser posto em prática há alguns dias.

Em entrevista que gentilmente me concedeu, Weslley conta como surgiu a ideia de poetizar os sinais de trânsito – que na Bahia são chamados de sinaleiras. Ele fala também sobre a reação das pessoas ao receberem as poesias. E diz quais as expectativas para as novas ações do Poesia na Sinaleira. Acompanhe:


Como surgiu a ideia do “Poesia na Sinaleira”?
A ideia da ação "Poesia na Sinaleira" surgiu há alguns meses atrás com o intuito de poetizar a cidade, sobretudo o seu trânsito. Partilhei com dois amigos e eles toparam. Articulamos horário, data, local e poesias a serem distribuídas.

Qual a reação das pessoas ao receberem as poesias?
Diversas foram as reações. Alguns tratavam com indiferença. Outros riam e nos parabenizavam; outros, começavam a ler de imediato.

Em que locais foram distribuídas?
As poesias foram distribuídas numa sinaleira de uma importante avenida da cidade de Feira de Santana, em um sábado pela manhã. Tanto aos motoristas quanto aos pedestres.

Que poesias foram entregues? De que autores? Como foram selecionadas?
Cada participante deveria escolher uma poesia. Foram entregues as poesias de Wenddel Fernandes, "O Passarinho", escolhida por Orisa Gomes. De Affonso Romana de Sant'Anna, "Balada dos Casais", selecionada por Emerson Azevedo. E outra de Mário Quintana, "Das Utopias", por mim indicada.

Os poemas são escolhidos de acordo com o ambiente onde serão distribuídos?
Sim. A proposta era escolher poemas não muito longos e cuja temática fosse de interesse geral do público.

Certamente, discutiu-se a reação das pessoas que receberam as poesias. E vocês, que distribuíram, que sentimento carregavam?
Carregamos um sentimento de aventura e de missão. Nunca tínhamos feito aquilo. Não sabíamos no que iria dar. Mas tínhamos certeza de que iria ser algo bom pra nós e para a cidade.

Vocês, talvez, querem ser reconhecidos como os idealizadores do projeto. Mas gostariam que outras pessoas tomassem a mesma iniciativa? Por quê?
Nossa pretensão é reverberar atitudes poéticas como esta. Precisamos reservar tempo para mudar o mundo. E a poesia pode ajudar. Certamente, se outras pessoas tiverem práticas semelhantes nos seus contextos, teremos uma coletividade mais atenta para a beleza da vida. Uma sociedade mais eco-humanizada.

Quais as expectativas para novos eventos nesse sentido?
Temos um grupo de poesia que terá reuniões mensais para deleite poético. Discutiremos a continuidade desta ação nas sinaleiras e de outras possíveis.

Em sua opinião – em termos gerais – quais benefícios uma poesia pode trazer para as pessoas que a lêem?
Ela tem um fim em si mesma. O deleite. O extasiamento. A fruição. E ainda, a poesia (forma literária) pode despertar a poesia (essência da vida) em nós.

Qual a melhor leitura para um hipocondríaco? Bula de remédio ou poesia? (Só para descontrair!).
Depende do caso (risos). Mas a poesia da vida - que pode estar expressa num poema - pode nos curar da doença maior, que cada vez mais acomete nossa humanidade: a indiferença.

Welley M. de Almeida é autor do blog Le-Tranças.
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28 de agosto de 2011

Encontros e Desencontros Vocálicos

Relacionamentos Ditongados

O vocábulo "hiato" tem várias acepções, mas todas elas deságuam em apenas dois significados: 1) “Um espaço entre um ponto e outro” e 2) “Encontro de duas vogais que estão em sílabas separadas".

Ou seja, sempre representa um paradoxo: em um mesmo lugar, aproximação e separação. No entanto, tal sentido vai muito além dos dicionários e manuais de ortografia. Esse hiato existe nas pessoas unidas pela multidão, mas separadas pela indiferença. Nos colegas ligados pelo trabalho, mas separados pela concorrência. Nos casais vinculados pelo sexo, mas separados pela falta de amor.

Felizmente, existe o ditongo, que – ao contrário do hiato – une vogais que sílaba alguma separa. Por isso, as vogais do ditongo são as mais felizes.

Até a ortografia mostra que há sempre esperança.



Respeitem os Hiatos

Continuo a defender a tese exposta acima. Mas hoje acrescento um novo dado: se as vogais não querem mais formar ditongos, que assim seja. Sua decisão deve ser respeitada. Apenas elas, que convivem, têm consciência de seus conflitos.
Em diversas situações, ser hiato é a melhor solução: as vogais não terão mais a intimidade de um casal ou a afinidade de velhos amigos; mas podem estar próximas, na mesma palavra, embora passem a pertencer a sílabas distintas.

Assim como as vogais, o relacionamento humano opera-se em níveis. Não se podem obrigar pessoas a se tornarem “amigos de infância” nem casais a comemorarem bodas de ouro. Se desejam viver como hiatos, é porque serão mais felizes desse modo.



Lembrando o tempo da escola para compreender melhor os textos acima:

Ditongo: sequência que se dá, na mesma sílaba, a uma vogal + semivogal (i e u são as semivogais), ou semivogal + vogal. Exemplos: céu, amei, adeus.

Hiato: encontros de duas vogais com a mesma intensidade formando sílabas diferentes. Exemplos: amari-a, para-íso, ci-úme.

Há ainda o tritongo: uma celebração de amizade ou um triângulo amoroso. Mas aí é outra história...


(Textos de Valdeir Almeida)

 

Imagem: stock.xchng
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20 de agosto de 2011

EdMunda em “As Soteropolitanas”


Depois do grande sucesso global “As Cariocas”, o Ponderantes apresenta As Soteropolitanas, programa totalmente ambientado em Salvador. E no primeiro episódio...

A EnCABULAda da Liberdade

Lá vai EdMunda percorrendo a cidade no ônibus coletivo. Quem a vê sentadinha e tímida, não imagina que ela destila veneno. Ao descer, no bairro da Liberdade, EdMunda mostra sua verdadeira face: tira doce da boca da criança, derruba a bengala do velinho e esconde o dinheiro de esmola do cego.

Depois disso, ela entra na igreja para recompor o personagem. É preciso manter as aparências. Afinal, EdMunda é A EnCABULAda da Liberdade.



E aí está a trilha sonora de EdMunda:





Texto com conteúdo integralmente fictício.



(Texto de Valdeir Almeida)
 
  
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13 de agosto de 2011

Coração na cruz – altar particular

Tua dúvida não é se me amas ou não. Sei que teu sentimento por mim é muito claro. Tua indecisão é se deves revelar-me como tu me guardas em teu coração: com amizade singela ou com amor romântico.


Lembro-me lacrimosamente de quando tu me pediste para apagar a luz e puseste “meu frágil coração na cruz”, no teu “penoso altar particular”. Um lugar quase inatingível: onde tua vista alcança meu coração, mas tu não podes tocar nele. Por que o medo do toque? Acaso, inevitavelmente, acabarias admitindo com teu corpo aquilo que tuas palavras tentam silenciar?

Meu bem, tira meu coração do altar. Arranca-o logo da cruz. Não suporto o sacrifício. Dize-me o que, de fato, sentes por mim. Já despetalei várias flores tentando encontrar a resposta. (Texto de Valdeir Almeida)


Texto inspirado na música de Maria Gadú, Altar Particular, que traz versos memoráveis, como estes:

Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
........................................................................................

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
......................................................................................

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor




Letra, música e interpretação de Maria Gadú



(Texto de Valdeir Almeida)
 


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