20 de março de 2010

Professores de Inconsciência


Os professores de inconsciência não participam de mobilizações. Pelo contrário, aproveitam esses momentos para ficarem em casa, assistindo à Sessão da Tarde ou para viajarem, como se estivessem em plenas férias.


Ainda assim, tais docentes são contemplados com o aumento salarial resultante das reivindicações. E para justificarem a falta de engajamento, eles tripudiam, afirmando que o valor do reajuste é insignificante. De fato, os professores de inconsciência não precisam de um reles reajustezinho, afinal eles complementam a renda vendendo roupas e bugigangas aos colegas-coniventes em plena sala de professores.

Como se vê, os professores de inconsciência colaboram para a queda da qualidade da profissão. Emperram as melhorias para o dia-a-dia da classe. Além disso, permitem que toda a categoria seja achincalhada por governantes e sociedade.

Se fosse possível comprar e revender consciência como se comercializam roupas, certamente uma considerável percentagem dos problemas inerentes à classe de professores estaria resolvida. Mas como não há loja de consciência, os problemas continuam. (Texto de Valdeir Almeida)



P.S¹. Os professores de inconsciência não abraçaram a causa da Educação. Pelo contrário, estão em sala de aula por falta de alternativas (embora alternativas sempre existam, como mudar de profissão).

P.S². Este meu manifesto nada tem a ver com os verdadeiros professores (que, felizmente, são maioria). Minha indignação é com aqueles que se infiltram na classe para manchar o nome dessa profissão tão digna. É necessário admitir que há esse tipo de mau-profissional entre os docentes.




29 comentários

Jaime Guimarães 20 de março de 2010 14:09  

Nossa, e é assim em todos os estados, inclusive na BA...e o pior é que por aqui ainda temos um sindicato desgastado e muito fraco, servindo apenas como trampolim político, o que não agrega, pelo contrário, apenas divide mais ainda a categoria.

Continuo acreditando que a greve seja válida, desde que com grevistas realmente atuantes, e outras formas de manifestação devem ser colocadas em prática também. Mas os "inconscientes"...já viu, né? E dá-lhe AVON! rs

Um abraço! Está em Sampa? Boa sorte, mandem ver no Nosferatu Serra, que detonou a educação por aí, como tenho lido em diversos veículos de comunicação.

Viviane 20 de março de 2010 15:42  

Olá Valdeir,

Palavras sábias retratam nitidamente o que estamos vivenciando aqui no Estado de São Paulo. Se importaria se eu enviasse "Professores de Inconsciência" por e-mail para os meus colegas de trabalho?

Um grande abraço,

Viviane

Alma Inquieta 20 de março de 2010 15:44  

Olá meu Amigo!

Que vergonha!
Infelizmente há maus profissionais em todas as áreas!
Pena é que beneficiem das reivindicações dos outros!

Felizmente não conseguem manchar a dignidade de uma classe que merece todo o respeito!

Um beijo e bom final de semana!

Wanderley Elian Lima 20 de março de 2010 15:47  

OLá Voldeir
Já passei muito por isso, e mata a gente de raiva dos parasitas dos colegas, não vão à luta mas colhem os benefícios. É foda.
Um abraço

Valdeir Almeida 20 de março de 2010 15:52  

Viviane,

Tenho acompanhado pela impressa a luta dos colegas de São Paulo. É claro que você pode enviar esse texto por e-mail. Fique à vontade.

Abraços.

Diego Borges 20 de março de 2010 15:52  

Infelizmente isso é uma realidade aqui em imperatriz também , já vi de tudo, professor vereador que deixava de dar aula pra fazer propaganda politica e outros que iam apenas por ir não estavam nem ai pra gente nos deixando na sala sozinhos e indo conversar o horário todo com o porteiro.
Aqui o sindicato é bastante forte, qualquer coisa que o governo faça de errado é combatido de imediato.Ainda bem que tem aqueles que fazem a diferença.
Um abraço !!!!

Valdeir Almeida 20 de março de 2010 16:16  

Jaime,

Sou seu conterrâneo, só que resido em Feira de Santana. Pois é, não apenas aí em Salvador, mas aqui na cidade princesa, existem muitos "professores de inconsciência". E o pior é que eles têm uma postura tão dissimulada e um discurso tão hipócrita que qualquer um acredita que eles são os messias da Educação. Mas se você chegar nos colégios em que eles trabalham (ou seria atuam?) irá flagrá-los vendendo roupas, perfumes e até utensílios de cozinhas, não apenas no horário do intervalo (que já é ilegal), mas também em pelo período de aula.

Mas, reafirmo, esses são minoria. Embora seja uma minoria que faz um estrago devastador para a categoria.

brasildobem 20 de março de 2010 17:05  

Meu caro amigo, infelizmente esses profissionais não agem assim apenas no magistério e sim em muitas outras profissões, eu os chamaria de "alienados sociais "pois em vez de tenttarem obter ganhos extras, deveriam se canalizar para valorizarem seu tempo no trabalho e tentar fazer a diferença, porém a baixa remuneração é o que pesa e, infelizmente, idealismo não enche a barriga de ninguém e não coloca comida à mesa.
Grande abraço

nefasta 20 de março de 2010 17:10  

Pois é. Acredito que em todas as profissões há aqueles que não se empenham na carreira. Mas um professor, realmente, tem uma responsabilidade imensa nas mãos. Enfim, é lamentável que isso aconteça.

Valdeir Almeida 20 de março de 2010 17:49  

"Brasil do Bem",

A questão aqui não é o idealismo.

O problema é o seguinte: já que os professores incoscientes não querem trabalhar porque a remuneração é baixa, então o mais justo seria eles saírem da profissão. Agora, continuar fingindo que trabalham e utilizar a escola para outros fins é algo lamentável, intolerável e desonesto.

Além disso, se os profissionais docentes fossem mais unidos e engajados, receberiam um salário mais justo e o ambiente de trabalho seria mais valorizado.

Idealismo enche a barriga, sim, quando utilizado como arma de engajamento.

Obrigado pelo comentário.

Weslley M. Almeida 20 de março de 2010 22:24  

Infelizmente somos cada vez menos propensos às causas coletivas: muito umbilicais em nossas ambições.
É uma pena isso acontecer, principalmente entre profissionais da Educação que - via de regra - são remuneratoriamente (e todos os outros mentes) desvalorizados.

Graça 21 de março de 2010 00:25  

Olá Valdeir,

sim, infelizmente há os maus profissionais, não comprometidos, aqueles que "não-são, não-estão, não-se-tocam": não são engajados, não estão nem aí, não se tocam que ser professor é de uma dignidade inigualável!...
E que não podem continuar a lutar por melhores salários "esculhambando" com a nossa profissão!!!

Como vc bem o disse, existe sim, quem atrapalha e envergonha a classe, infelizmente.

Um beijão, meu amigo.
apareça nos Botões de Madrepérola, quando der!

Daniel Savio 21 de março de 2010 01:32  

Interessante, mas isto tem em todas profissões, mas concordo que para o desenvolvimento de uma boa sociedade, não deva ter este profissional em meio inconsciência...

Fique com Deus, menino Valdeir.
Um abraço.

Carlos Augusto Matos 21 de março de 2010 02:42  

Eu tinha um professor, que parecia manequim de loja... Tênis da Ferrari original, camisas de clubes, nike, adidas e etc... Todo mauricinho sabe pra que? Pra pegar as patricinhas! Ou seja, esse deve ser um parasita, pq ele é um pessimo prof, e esta na profissão não pelo amor a profissão, e sim para pegar as "periguetes" de plantão... Não sei quem é pior...

Excelente postagem Valdeir...

Abração...

Renato Orlandi 21 de março de 2010 10:59  

Uia. Espero que o recado chegue.

Eu imagino que tipos de pessoas esses professores formam,
ainda bem que não temos apenas um professor na vida,
porque se fosse assim, e se fosse este tipo...
...
...
...


Abraçoo!

Catarino 21 de março de 2010 19:15  

Isso acontece em todas as profissões, sempre tem gente que quer levar vantagem em esforço nenhum.

Jorge Alberto 21 de março de 2010 20:03  

Absurdo! Se os alunos nem prestam atenção às aulas, como é que vão comprar alguma coisa? Infelizmente, cada vez mais o magistério se encontra no fundo do poço.

Anônimo 22 de março de 2010 11:09  

Interessante e reflexivo! Parabéns!

Seu texto toca num ponto primordial: a falta de engajamento de professores que se autointitulam 'profissionais da Educação' e não o são. Esse parasitas educacionais - eu os chamo assim -, sempre se apresentam para ganhar aumentos de salário mas não participam das constantes lutas da classe. Perfeita análise! Eles são escória, porque quando não estão fazendo outras atividades paralelas e insignificantes não estão dando à devida atenção ao ensino. Perambulam pelas universidades e escolas como "professores", mas na verdade são larápios da educação.

Me chamo Carlos, sou professor na AESO e diretor de uma pequena escola em Jaboatão dos Guararapes. Aqui, nós vivemos em constante aprimoramento, tratamos todos os docentes com a devido valor que eles tem, mas exigimos engajamento, seriedade, e empenho. Damos cursos de reciclagem e de aperfeiçoamento, e buscamos atingir metas constantes dentro das regras da nossa Escola. Ou seja, buscamos evitar esse tipo de 'profissional' conosco.

O que você citou é verídico e já acompanhei em boa parte das escolas da região - não necessariamente apenas no NE, Norte e Sul também convivem com isto. Acreditamos que este tipo de individuo deve sim, mudar de profissão. E o mais rapidamente possível, para não contaminar a classe, e as nossas lutas.

Recebi indicação por um amigo para visitar seu blog e gostei muito do que li aqui e nos textos anteriores! Parabéns pela relevância das palavras! Ganhou mais um leitor. Vou seguí-lo continuamente. Abraços

Carlos Augusto Benonil
Escola Adelaide Pessoa Camara
Rua Barreto De Menezes
Marcos Freire - Jaboatão dos Guararapes - PE

Gleydson™ 22 de março de 2010 17:41  

Grande Valdeir!!
Mil perdões pela ausencia. Por incrivel que pareça, não é nem ausencia. Sempre estou entrando no 'Ponderantes', mas como na maior parte das vezes entro do meu trabalho, o firewall de lá bloqueia a caixa de comentarios e por esse motivos não consigo comentar nada.
Entro diariamente aqui, mas não consigo postar. Por isso não conseguia registrar minha presença. Até mesmo na Folha estou tendo problemas pra entrar. Mas quero deixar aqui registrado que sempre prestigio o grande trabalho que voce fazer aqui. Sua palavras, seus "poderamentos", todo esse conteudo que voce compartilha conosco é maravilhoso.
Espero solucionar esse problema, ou encontrar outras formas de registrar minha frequencia aqui.

Alias, comentando sobre seu texto; infelizmente é isso que acontece. Acredito que as oportunidades existem pra todos e de todas as formas, cabe a cada um aproveitá-las. Infelizmente existem pessoas que buscam o que é mais facil e em qualquer lugar que estajam, tanto em classes quanto em outros locais, suas atitudes como pessoas e profissionais será a mesma. Isso é uma coisa lamentável!!

Du 22 de março de 2010 18:41  

Oi querido!

Hoje vim especialmente agradecer teu carinho no comentário do blog enquanto eu estava doente, ainda estou me recuperando, mas já estou bem melhor!

Muito obrigada, viu?

Beijos

Genilda Silva 23 de março de 2010 01:31  

Há professores e professores.

É evidente que o nível de educação escolar tem decaído, e todos perdem com isso:

O aluno que não desenvolve tão bem sua capacidade de intelecto que lhe será útil por toda a vida, e o professor que por seu trabalho ineficiente está colaborando para formar uma sociedade de pessoas mal instruídas, fáceis de manipular.

Gostaria de agradecer sua presença em meu blog, seja bem vindo!

http://twitter.com/aescrituraviva

Rafael Silveira 23 de março de 2010 08:21  

Valdeir Almeira, grande post, não preciso nem mencionar isso...

Tais professores, como você afirmou, não tem uma presença significativa na sociedade, e acabam por desanimar o aluno...

Esses são os que reclamaram da nova lei que exige processo seletivo, afirmando que os professores novos tem melhores condições de serem aprovados...

Muito bom!

23 de março de 2010 10:05  

Bom diaaaaaaa!

Também tô com saudades, é qua a vovó aqui pega zilhões de coisas pra fazer e fica meio que atarantada com o tempo. Mas esquecer dos bons e melhores amigos jamais. Você está sempre no meu coração e nas minhas orações.
Sobre esse maravilhoso texto você tem toda razão, em todas as áreas existem profissionais e PROFISSIONAIS, assim como em qualquer segmento da vida.
Brilhante texto meu amigo.
Quando tiver saudades vai lá em casa e tomamos um gostoso cafézinho e com direito a bolo e biscoitos...rsrrsrsrs!!!
Beijos meu lindo que Deus te abençoe!

Neto 23 de março de 2010 13:41  

Concordo com sua visão educacional Valdeir! E espero que o arquivo que enviei lhe tenha servido.

Quando eu ainda fazia o primeiro grau, essa prática de venda de produtos nas escolas era constante. Parece que, desde aquela época, nada acabou.

Abraços

Luma Rosa 23 de março de 2010 16:23  

Valdeir

Está corretíssimo na sua indignação e o texto expressa bem isto! Além destes 'interesseiros' não ajudarem em nada e ainda se beneficiarem, reclamam! Mas ao final, a própria classe reconhece quem são os bons e quais as maçãs podres!

:D Beijus,

Roberto Hyra 23 de março de 2010 17:18  

Olha, uma coisa é um professor interessado na Educação e outra é um professor que utiliza a Educação como um trampolim para algo mais em sua vida. Sou contra a venda de qualquer tipo de produto nas escolas pois isto é um trampolim para a entrada de drogas e outras coisas piores.
No mínimo, deixa péssimas lições para os alunos. O que você escreveu está corretíssimo. Quem não quer educar, deve sair.

Infelizmente, são esses tipos de professores que desmoralizam o ensino. Desmoralizam a classe e ridicularizam a luta. Você fez muito bem em mostrar a diferença entre os que desejam um bom ensino e àqueles que utilizam seus cargos com funções menos nobres, ou apenas para auferir ganhos.

Não creio que sejam "problemas de recursos financeiros", pois nas Escolas não é lugar de se vender nada.

Apoiado.

Max Martins 26 de março de 2010 00:52  

Excelente post, Valdeir!
Já estava começando a pensar que era só eu que achava nossa classe desunida.
Uns lutam, se arriscam e todos lucram. Mesmo que os reajustes sejam baixos.
Isso acontece desde sempre. Por isso, não somos valorizados e ainda sofremos com a violência em todas as suas formas, tanto na escola como nas manifestações.
Falo isso, pois acredito que esse descaso é uma forma de violência moral praticada contra os professores.
Alguém já viu algum advogado cobrar menos que o percentual estipulado pela categoria?
Provavelmente, não.
Imagina como será quando os 2% daquela pesquisa sobre o desejo de ser docente entrarem nas escolas.
Vai ser lamentável.
Já é passada a hora de nos unirmos de verdade e começar a nos valorizar.
Um forte abraço

VELOSO 26 de março de 2010 02:11  

O TRISTE É QUE ESSES PROFESSORES QUE VÃO AJUDAR A FORMAR OS CIDADÕES DO PAÍS!

Anônimo 22 de maio de 2011 12:25  

O sistema é isso. Infiltrar pseudo professores para enfraquecer a categoria.
aceitam péssimas formações que os intitula professores e são mais burros que portas, logo se submetem a salários de fome e tudo que ensinam é a subserviência -os formados "nas coxas", os não formados e outros....
Não vejo saída. apenas depois do caos instalado,talvez começaremos do zero - em cinquenta anos ou mais

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