30 de janeiro de 2009

Mariana e seus amores

Mariana, Joana, Paulo e Aldo. Quatro amigos desde a adolescência. Pessoas iam e vinham na vida de cada um deles, mas o quarteto mantinha-se inseparável.

Não se tratava de companhia de balada ou aventura, e sim, de amizade fiel, no sentido verdadeiro que tem essa expressão. Ou seja, o relacionamento deles não estava pautado em troca de favores, mas numa permuta espontânea de sentimentos.


Um dia, porém, o quarteto sofreu um desfalque. Mariana encontrou o homem dos seus sonhos, com quem imediatamente iniciou um namoro. Depois disso, ela não passou a dar mais importância aos amigos. E quando algum deles queria conversar, a resposta dela surgia como texto decorado: “Não vai dar; Ronaldo tá me esperando”.

Mariana se fechou completamente para a amizade e se abriu para o amor. Não sabia (ou não queria) equilibrar as duas formas de relacionamentos. O mundo mudara de nome; passou a se chamar Ronaldo.

Os outros componentes do agora “ex-quarteto” sentiram falta dela. Entretanto, não insistiram mais em procurá-la.

Esse enredo permaneceu por dois anos, até que Ronaldo conheceu outra garota com quem começou a namorar. Mariana estava sendo traída pelo “príncipe encantado”. Mas, certa vez, o surpreendeu por acaso aos beijos com a outra garota. O mundo de Mariana, então, desabou.

Naquele momento, ela chorou bastante. Lembrou que, em situações de dor, quem costumava enxugar suas lágrimas eram seus amigos que nunca a desprezaram. Mas ela os desdenhou, assim como Ronaldo fez com ela (embora a forma da manifestação do desprezo fosse diferente). Desse modo, o sentimento de traição do qual estava padecendo, a fez sentir na pele o mal que causara aos fiéis companheiros. Portanto, procurar seus velhos amigos era uma obrigação para consertar o próprio erro.

Telefonou para todos, mas sempre aparecia a mensagem: “número inexistente”. Ela, então, decidiu procurar seus companheiros pessoalmente. Começou por Paulo. Quando ele foi atender à porta, Mariana quase não o reconheceu:

- Você está diferente – disse ela, enquanto timidamente olhava o rosto do rapaz.

- É a felicidade – respondeu Paulo um pouco frio.

- E por qual motivo?

- Recentemente, uma coisa muitíssimo ruim aconteceu em minha vida. Mas Deus tem me dado coisas boas também: concluí a faculdade; estou trabalhando naquilo que gosto; tenho amigos maravilhosos, uma esposa abençoada e um lindo filho.

- Você casou?

- Pois é, Mariana. Casei com Júlia. Ela não fazia parte do quarteto, mas sempre foi sua amiga. Júlia e eu ainda nem namorávamos e ela dizia que no casamento dela, você seria a madrinha.
Mariana engoliu o choro; porém conseguiu prosseguir a conversa.

- E Joana e Aldo, como estão?

- Aldo está bem, mas é melhor você ir pessoalmente conversar com ele, como está fazendo comigo. Quanto à Joana, infelizmente, não será possível.

- Ué! Por quê?

- Joana morreu num gravíssimo acidente de carro há um ano, na Avenida Jota Andradino. Você não soube? Na época, na cidade inteira não se falava em outra coisa.

7 comentários

Vanessa 30 de janeiro de 2009 13:21  

Nossa Valdeir, seu texto é tão verdadeiro, me deu até vontade de escrever sobre este tema. O erro de Mariana é tão comum, poucos são os sábios que nunca abandonam os amigos.

Abraço

Valdeir Almeida 30 de janeiro de 2009 17:17  

Olá, Vanessa.

Com certeza, são sábias as pessoas que jamais abandonam os amigos independentemente de qualquer coisa. Outras espécies de relacionamentos são totalmente compatíveis com a amizade.

Abraços.

Atreyu 31 de janeiro de 2009 11:53  

Lindo o texto! A amizade é algo sagrado!
Gostei do texto! Muito bacana...
Parabéns

Vanessa 1 de fevereiro de 2009 18:00  

Valdeir, eu gostaria de escrever um conto inspirado neste seu e publicar no Fio. Estou pensando nisso desde sexta feira. Posso? Eu coloco um link pra cá e dou o crédito ao mote :-).

Agradeço desde já

Rubia 3 de fevereiro de 2009 16:56  

É, Valdo... a vida tem dessas coisas mesmo. Espero não ser considerada uma "mariana", além disso, às vezes nem precisamos namorar outra pessoa para esquermos os amigos. É tão comum acontecer um afastamento, alegando, em nosso "mundinho egoísta", que não há mais tempo para fazer uma visita porque está trabalhando muito ou outras coisas do tipo. Melhor mesmo é quando temos amigos especiais como você, que tem a paciência de esperar e entender cada fraqueza. Por isso o admiro tanto. PARABÉNS PELO BLOG!! Beijo, amigo!!

Valdeir Almeida 3 de fevereiro de 2009 18:05  

Rúbia,

Pôxa, que honra você está me dando de comentar no meu blog!
Obrigado pelas suas observações sobre o tema que tratei no texto; daria até uma continuação da história.

Beijão

Anônimo 14 de fevereiro de 2009 22:51  

Olá, Val

Você vai longe caro amigo, continue assim é uma pena que a fraqueza humana não nos enxergar o valor da amizade.Poucas ou raras são essas pessoas.
Parabens pelo seu blog, pelo texto também, que Deus te enrriqueça sempre mais.
Sucesso,
Vanilda

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