6 de outubro de 2008

Por que o voto é obrigatório no Brasil, parte II - A saga das urnas eletrônicas

“Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira parte da roupa velha, e fica maior a rotura”. (Marcos, 2.21)


Mediante o texto “Porque o voto é obrigatório no Brasil, parte I”, expresso minha revolta com a forma de votação em vigor no Brasil.

Há uma propaganda maciça de que o sistema de urna eletrônica é bastante moderno e praticamente infalível. Entretanto, estão colocando remendo novo em tecido velho. Isto é, o que adianta ter um sistema tão avançado atuando num contexto extremamente atrasado? Para que fazer uso de tecnologia de ponta, quando as mentes e a educação dos que comandam esse sistema não progridem?

Ontem, fui exercer meu “direito obrigatório” de cidadão. No entanto, permaneci quase seis horas na fila. Motivo: urnas com defeito na minha seção.

A primeira estava em boas condições. Mas, aproximadamente uma hora e meia depois, parou de funcionar. A partir daí, iniciou-se uma saga de urnas quebradas, que iam e viam. No total foram 8 (isso mesmo, oito, VIII, eight, ocho, huit, ********) urnas que não serviam para nada.

Houve protesto na fila – obviamente. Formou-se tumulto. Mesários foram ameaçados e quase agredidos fisicamente. A polícia apareceu; a imprensa também.

Ao perceber que não tinha alternativa, o TRE decidiu, quase 6 horas depois, que o voto seria manual, ou seja, por meio do papel.

Não vimos técnicos em informática aparecerem para verificar se o defeito era realmente nas urnas. Não testemunhamos a presença de eletricistas para observarem se o problema era na fiação elétrica da sala. O TRE decidiu muito tarde substituir as urnas pelas cédulas. Foram muitos os remendos velhos costurados sobre o tecido novo do sistema de votação mais avançado do mundo.

Indubitavelmente, se eu não tivesse a obrigação de votar, deixaria aquela fila na primeira meia hora. Não iria estragar meu domingo. Atitude que a maioria daqueles eleitores também tomaria.

3 comentários

Anônimo 20 de agosto de 2010 17:28  

Se o cartão ponto emite comprovante, porque as urnas não???

nanapocket 1 de setembro de 2010 00:23  

eu tenho que lhe dizer.Adorei seu post.
E concordo com tudo.
parabéns.

Anônimo 10 de setembro de 2012 02:58  

Cara, concordo em numero, gênero e grau e ainda acrescento:
Se votar no pais é um dever e não um direito, então posso vender meu voto, afinal, deveres ninguem faz de graça, ainda mais quando se fica na fila por motivos tecnicos como foi citado.

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