Olhos para ver, diálogos além da fala


Situação: duas pessoas travam diálogo supostamente agradável. Supostamente, porque apenas uma delas não apresenta um olhar perdido. O companheiro de conversa observa tudo ao redor, menos o interlocutor.

O outro não necessariamente perdeu o interesse pelo assunto. Está atento. Contudo sofre de dupla dificuldade: ver o outro e ser visto por ele. Um “mal” que acomete tímidos e extrovertidos. Aliás, é comum pessoas com elevado grau de extroversão serem sinceras e confortáveis com as palavras; porém, seus olhos não corresponderem. Há um embate interno, uma solicitação taciturna: “Ouça-me, mas não me veja”.

A música Olhos nos Olhos contribui para esclarecer a contradição. Em um trecho, Chico Buarque escreve: “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz”. Entre pessoas cujos sentidos encontram-se saudáveis, os gestos devem compor o diálogo. O que afirmam os lábios, os olhares podem negar, mesmo não sendo esse o objetivo.

Como mencionado, todos estão propensos a sofrer esse paradoxo e por ele ser prejudicados socialmente. Entretanto é um problema superável. Com exercícios contínuos e óbvios: observar visualmente o outro.

É uma orientação que se destina, sobretudo, aos extrovertidos, por estarem mais expostos ao problema. Do mesmo modo que eles não se acanham ao usar a voz, devem estender à visão tal expansividade. Assim, serão ampliadas as possibilidades de diálogos, e barreiras afetivas serão rompidas. (Texto de Valdeir Almeida. Respeite os Direitos Autorais).

2 comentários:

  1. Estou seguindo o seu blog, com toda a alegria de uma conversa e uma caminhada. Muito bom amigo, tanto conversar como ler você. E tentar ampliar o meu olhar. Um grande abraço.

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  2. É uma honra para meu blog tê-lo aqui, amigo Marcos. E um privilégio partilhar da sua amizade.

    Abraços!

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