21 de dezembro de 2011

Palavra não-aspeada

Aquela palavrinha não estava dentro das aspas. O orador a introduziu fazendo com que toda plateia pensasse que o autor citado havia praticado uma ofensa grave contra a língua.

Nenhuma palavra vem ao mundo das ideias sem trazer consequências – maléficas ou benéficas. Portanto, por mais inocente que seja, o vocábulo não pode ser atribuído a quem não o enunciou.

O orador deveria ter levado isso em conta. O riso do público no auditório foi provocado não apenas pelo teor vulgarmente cômico da palavrinha, mas também porque é realmente risível um autor consagrado e sério cometer uma asneira linguística. A partir de agora, pelo menos para aquela plateia ignara, é essa a imagem que será associada ao escritor em comento: asno.

Não era necessário o orador – já tão badalado – deturpar uma frase com o intuito de se promover. Afinal, o escritor que teve o trabalho alterado não está mais vivo, não pode se defender e pedir retratação, embora o que há nos seus livros e na memória dos leitores digam, por si só, o estilo único com que ele escrevia. (Texto de Valdeir Almeida)

Imagem: stock.xchng

13 comentários

Mi 20 de dezembro de 2011 22:48  

Eu sei que uma palavra pode mudar tudo. E a mudo.

:)

Valdeir, gostei do seu ponto de vista sobre o assunto. Um pequeno deslise linguístico pode nos colocar em sérios apuros...

Um abraço

J. Neto 21 de dezembro de 2011 15:20  

As pessoas inventam com as frases alheias outros significados para ela. Muitas vezes usam a frase num auditório ou em público sem combinar previamente com o seu autor. Manipular uma frase para enaltecer-se é até possível prestando atenção no que está escrito ou no que foi dito por determinada pessoa. Porém, se houver uma má interpretação na tradução, foi realizada com a intenção de denegrir o autor.

E é esse uso de má-fé por quem a cometeu - mesmo que seja para fazer uma platéia rir - que pode penalizar o manipulador na justiça.

Entendo pouco sobre isso, mas já vi casos semelhantes, e por menos ainda, ir parar nos tribunais.

Abraços Valdeir!

Grande texto, como sempre.

Élys 21 de dezembro de 2011 15:57  

Qualquer deslize, creio que deve ser imediatamente explicado para não deixar mal, quem escreveu o texto.
Desejo e a sua família um bom Natal.
Feliz 2012.
Um abraço.

Weslley M. Almeida 21 de dezembro de 2011 20:02  

Palavras são como flechas. Pode ser a do cupido - que nos faz amar; ou de um inimigo - que intenta nos envenenar. Visão posta aqui com equilíbrio...

O título do texto me remete ao tema sinceridade. Não aspear uma palavra pode - dentro das possibilidades polifônicas - querer dizer: ser sincero e usar seu próprio vocábulo. Trazer à baila um discurso autêntico.
Valeu, Val, por incitar essas matutações!
Abração!

mfc 21 de dezembro de 2011 20:28  

Uma simples vírgula pode mudar o sentido de uma frase inteira.

Natasha Dias 22 de dezembro de 2011 16:49  

Olá, agradeço sua visita em meu blog, ótimas festas a ti!!!

Mary Miranda 22 de dezembro de 2011 17:50  

Valdeir, amigo meu!

A curiosidade ainda me mata (rs): foi baseado em fatos reais o seu artigo?
Realmente, atribuição de termos ditos por um a outrem, na minha visão, é como um crime, ainda mais no mérito colocado por você, de um autor já falecido!
Clarice Lispector já dizia (não canso de repetir essa sua reflexão!) que "A palavra é o meu domínio sobre o mundo" e conforme o seu uso - você disse e eu assino- pode ser maléfica ou benéfica- mas terá sempre alguma consequência.
Às vezes a falta "tola" das simples aspas (se eu não as uso no termo "tola", o que as pessoas achariam da minha retórica?), mudam todo a trajetória do pensamento.
Portanto, aprendamos a fazer uso correto das palavras, sobretudo em oratórias ao vivo, onde palavra dita, não volta atrás...

Beijos, queridíssimo!!!!
Mais um artigo seu para entrar em minha memória eterna!

OBRIGADA POR TÊ-LO EXPOSTO A NÓS!!!!

Mary:)

♫ ♪ Wilson Miguel ♫ ♪ 22 de dezembro de 2011 18:35  

Valdeir,

Se as pessoas soubessem o poder que tem a palavra talvez a usassem com mais responsabilidade e respeito. Infelizmente há pessoas disfarçadas de traças de livros mas que no fim não sabem ao menos o que realmente pensam sobre determinados assuntos: perdem a autencidade.

Gostaria muito de agradecer a sua companhia e a sincera amizade conquistada nesse ano que termina e desejar tudo de bom para você nessa caminhada de 2012, Valdeir. Conte sempre comigo!

Um grande abraço e que Deus te abençoe e ilumine sempre os teus passos!

Boas festas!

Miguel Loureiro 23 de dezembro de 2011 07:55  

Bom Natal!

Wanderley Elian Lima 23 de dezembro de 2011 10:55  

Olá amigo
Lhe desejo um, Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde e paz.
Grande abraço

Roberto Hyra 23 de dezembro de 2011 10:57  

O agravante das palavras tanto no mundo offline quanto nas redes sociais é que as opiniões e informações tendem a se eternizar.

Assim como uma palavra escrita tem muita força, tem que se lembrar que uma mesma piada que faz seus amigos rirem descontraidamente ao redor de uma mesa pode causar constrangimento ao ser encontrada na rede ou em outro ambiente, e até mesmo se for dita de má fé.

Feliz natal e feliz 2012 meu amigo!

Du 23 de dezembro de 2011 16:15  

O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova - [Gilbert Keith Chesterton]

Feliz Natal :D

Prof. Adinalzir 24 de dezembro de 2011 10:03  

Prezado Valdeir Almeida
Um Feliz Natal e que o Ano Novo seja repleto de realizações, alegria, amor e paz! Abraços fraternos!

Postar um comentário

Blogs Indispensáveis

Membros

Creative Commons License
O Blog Ponderantes está licenciado sob uma licença Creative Commons.

© Ponderantes 2008-2012 Todos os Direitos Reservados | Início |Créditos

Voltar ao TOPO