19 de setembro de 2010

Nota Fúnebre: Morreu o Amor


Este amor convalesceu durante muito tempo. Agora, morreu definitivamente... acabou.



Por que, então, você fica aí, contemplando um corpo? É apenas um corpo. Enterre-o. Enlute-se. Chore até secar todas as lágrimas. Afinal, o amor acabou.

É certo que vocês viveram grandes e intensos momentos, que permanecerão vivos na memória de ambos. Mas o amor, que é mais importante, acabou.

Vai. Segue o cortejo fúnebre. Sepulta este corpo. Conforme-se com a perda. Conforte-se. Em seguida, prepare-se para fazer brotar em outro coração seu novo amor, pois este aí... acabou.




23 comentários

LILIANE 19 de setembro de 2010 16:51  

Encontrarei, depois de tudo isso, um coração fértil para abrigar a tão rica semente do Amor?
Beijos Valdeir, boa semana.

António Rosa 19 de setembro de 2010 17:18  

É o apego, sempre o apego, tão característico dos seres humanos. Bom conselho: há sempre outro amor à espera. E vai repetir o padrão de apegar-se.

Abraço

António

19 de setembro de 2010 17:20  

O amor nunca acaba, Ele se renova até com outra pessoa, mas nunca acaba. Bjs!

Marcio Nicolau 19 de setembro de 2010 18:16  

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."
Paulo Mendes Campos

Daniel Savio 19 de setembro de 2010 18:42  

Mas ele não precisa morrer totalmente, ele pode acabar renascendo com outro conjunto de sorrisos (apesar de não serem exatamentes os meus mesmo protagonistas)...

Fique com Deus, menino Valdeir Almeida.
Um abraço.

Athila Goyaz 19 de setembro de 2010 19:03  

Sinto-me assim. Enterrando um coração, com o luto ainda recente.
abraços!

19 de setembro de 2010 19:17  

Não meu querido amigo. O amor não acaba. Não creio nisso, creio no eterno amor. Sei que pode parecer loucura minha, mas não é não.
O amor o verdadeiro amor jamis acabará.
Amo seus textos e você bem sabe.
Beijos de bom final de domingo pra ti.
Te amo meu caro e querido amigo!
Que Deus te abençoe!
Ro!

Mente Hiperativa 19 de setembro de 2010 19:35  

O amor pode ter morrido, mas aquilo que chamamos de 'simples corpo' nos remete momentos, lembranças, momentos, sentimentos, enfim.

Difícil enterrar algo que nos fez tão bem, mesmo que no fim tenha dado raiva, desprezo ou qualquer sentimento ruim.

Difícil enterrar o amor, como um simples pedaço de carne que não mais pulsa.

Eurico 19 de setembro de 2010 19:57  

Há uma multiplicidade de perspectivas, diante do amor que morre. Se vemos o corpo e apenas isto, o corpo, o texto está coberto de razão...
Entanto, lembro-me de Akira Kurosawa, no belíssimo filme Sonho, mais precisamente no conto O Povoado, o último dos sonho deste filme.
E lembro do cortejo fúnebre, em que os aldeões dançavam e cantavam, conduzindo o caixão de uma senhora centenária. Era a forma de agradecer pelos momentos de alegria que viveram junto a ela, por tantos anos. Coisas da cultura japonesa...rs

Cada um tem a sua forma de olhar para os fenomenos da existência.

Abraço fraterno.

Juliana Carla 19 de setembro de 2010 21:05  

Boa noite Valdeir!

Não sou do tipo que lamento. Acabou. Acabou. Ficar no desequilíbrio do tempo é privar-se de viver.

Obrigada por seguir o BRAILLE DA ALMA.

Sigo-te!

Grande abraço.

brasildobem 19 de setembro de 2010 21:08  

Quando era adolescente e sofria por um término de amor eu pensava: a casa precisa estar limpa para receber um novo visitante. Elaborava, chorava, fazia o luto, enfim...cumpria todo o ritual de passagem necessário para estar aberta para amar de novo. fecha-se um ciclo e abre-se outro.
Grande abraço!

Saulo Taveira 20 de setembro de 2010 00:51  

Amor nunca acaba, o amor é meu, dou-o a quem quero. Que siga seu caminho - o outro - meu amor dou-o a quem merece, me conquista e me dá o seu também. Amor é troca, a esta pessoa não acabou, transformou-se, metamorfoseou-se.

Ótima semana pra ti. Que o amor tome o ar.

Beijos.

Wanderley Elian Lima 20 de setembro de 2010 06:40  

Olá Valdeir.
Por mais que possa doer, temos que admitir quando o amor acaba. Só nos resta chorar sua morte, e nos prepararmos para deixar um outro acontecer.
Abração

Carlos Augusto Matos 20 de setembro de 2010 11:17  

Quando o amor acaba, só mesmo enterrando o corpo que vivia aquele amor...

Abração...

Neto 20 de setembro de 2010 11:55  

Diz a "sra realidade" que o amor não morre. Ele não é como a fênix que morre aqui e renasce ali. O ser humano é que engana-se. Pensa amar quando na verdade o que sente não é o amor de fato.

A premissa vale para homens e mulheres.

(mas entendi o que quis dizer)

Weslley Almeida 20 de setembro de 2010 23:00  

Refletir sobre o que é o amor é tão filosófico quanto vão - não se saberá o que ele é em sua totalidade. Parece-me que esse sentimento passa pela subjetividade de cada ser e é vivenciado de forma peculiar. Quando diferenciar apego de amor. Gostar de Amor. Paixão de amor... Tem como? Se sim, a razão dirá? A dinâmica anímica de cada pessoa refuta conceitos há muito legitimados no campo das emoções. Mas quando falta elementos de poesia, prazer e alegria no relacionamento é momento de refletir se ele não já chegou ao seu fim, e aí viver o seu luto sem desejar um amor psicográfico.
Abraço,Val.

Liza Manuelle 21 de setembro de 2010 13:47  

O Amor é a coisa mais linda e sublime do mundo.

Meu bisavô dizia que quem ama espera pela pessoa amada uma eternidade sem contestar. Quem ama encara a morte pela pessoa que ama.

Isto, nos tempos de hoje, não existe. Assim, de fato, o amor morreu

Ebrael 21 de setembro de 2010 21:54  

Como vc falou, o Amor é o maior representante da Vida: é assim mesmo. Morre, acabou! Navegar é preciso, plantar é preciso. Sofrer não é preciso!
Abçs,

Ebrael.

Rute 24 de setembro de 2010 00:21  

O amor não MORRE. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. (Minha opinião)
BeijoS Valdeir

Éverton Vidal Azevedo 26 de setembro de 2010 12:09  

Lembro que já acreditei que o amor nao morria... Bom, hoje nem tanto rs.

Meu amigo, te deixo um abraço fraterno. No Cristo! Uma ótima semana pra você.
Inté!

Cristina Piancó 26 de setembro de 2010 23:37  

O que acaba é o relacionamento, e não o AMOR este é eterno! O Amor é maravilhoso e incondicional... e que acaba é a paixão, carinho,afeto,apego etc. Concordo se acaba um namoro,noivado,seja lá o nome q/ se da...sim é um vazio,tristeza,choro... e uma perda...momentos de luto.

Um abraço Valdeir.

I´m Fabrício Oliveira 7 de outubro de 2010 07:47  

Oi tudo bom Professor.? Sou Fabrício Oliveira e admiro a profundidade do seu texto,muito bom, tenho algumas coisas sobre o amor aqui também tomara que goste, e obrigado por ser meu seguidor fiz o blogg ontem e tenho muitas idéias para colocar nele.
Abraço
fuizz

I´m Fabrício Oliveira 7 de outubro de 2010 07:48  

Oi tudo bom Professor.? Sou Fabrício Oliveira e admiro a profundidade do seu texto,muito bom, tenho algumas coisas sobre o amor aqui também tomara que goste, e obrigado por ser meu seguidor fiz o blogg ontem e tenho muitas idéias para colocar nele.
Abraço
fuizz

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