26 de agosto de 2009

Diálogo entre Diretora de escola e Mãe de aluno


A diretora de uma escola telefona para o celular da mãe de um aluno:

Diretora de Escola– Esta já é a quinta vez que lhe convido para uma conversa sobre seu filho. E a senhora nunca veio ao colégio. Nem sequer em reunião de pais e mestres a senhora comparece.


Mãe de Aluno – Diretora, eu trabalho o dia inteiro; não posso me dar ao luxo de sair do meu serviço para conversar sobre meu filho. Eu vejo ele todos os dias em casa.

Diretora – Vê ele todos os dias, mas provavelmente quando ele está dormindo, né?

Mãe – Por um acaso a senhora está querendo ensinar a educar meu filho?

Diretora – De forma alguma. Na escola não existe a disciplina Educação Familiar. Isso é responsabilidade sua.

Mãe – A senhora está irritada só porque eu não costumo ir aí? Tenha calma.

Diretora – Eu não estou nervosa. O que sinto é indignação com sua displicência em relação a seu filho.

Mãe – Displicente, eu? Se algo está acontecendo com meu filho nas dependências da escola, a responsabilidade é da própria escola e não minha.

Diretora – Minha senhora, perdoe-me pela sinceridade, mas eu e os professores não somos babás, muito menos de adolescentes. Além disso, todo o corpo docente da escola, assim como nossa coordenação e nosso psicólogo fizeram todo o possível para ajudar seu filho. Portanto, a senhora também tem que tentar ajudá-lo. Agora chegou a sua vez de agir.

Mãe – Diretora, neste momento estou trabalhando. Eu já disse que não posso ir aí agora.

Diretora – Mas a senhora está com tempo para ir ao abrigo para menores infratores?

Mãe – Como?

Diretora – Seu filho foi preso do outro lado da cidade vendendo drogas. O delegado insistiu para que ele desse o número do celular da senhora, mas ele não deu, alegando que a senhora não tem tempo para nada e, portanto, não iria tentar resolver o problema dele. Como seu filho estava com o uniforme da escola, o delegado veio aqui para pedir que eu ligasse para a senhora e comunicasse a questão.

Mãe – (...)

Diretora – Senhora?... Está tudo bem aí?

Mãe – (...)

Diretora – Senhora? Senhora?
(Texto de Valdeir Almeida)

17 comentários

Amigao 26 de agosto de 2009 20:40  

Amigão, eu ouvi uma palestra recentemente em que o cara perguntava qual a melhor idade pra educar um filho.Diante de tantas respostas, a dele foi a melhor que ouvi.
Pra educar um filho são preciso 60 anos no minimo.Tipo 60 anos antes dele nascer. Primeiro tem que educar o bisavô, o avô, o pai e por ultimo o filho.
Tem jeito não!

Abração do amigão!

HSLO 26 de agosto de 2009 21:05  

É de arrepiar! Chocante! Chorei quando terminei de ler esse texto pois, sou Educador e vejo isso com frequência no cenário educacional. É triste mais é real. Os pais cada vez mais deixam de ter responsabilidade com a educação de seus filhos e tentam de todas as formas jogar para a escola. A educação é um processo conjunto: familia-escola-sociedade.

Peço permissão a você para postar esse texto em meu blog também...se possível é claro.

Aguardo respostas.

Abraços,


amigo Hugo

james penido 26 de agosto de 2009 22:13  

Valdeir,infelizmente isso acontece toda hora,hoje em dia.Muitos pais não têm mesmo tempo para os filhos,mal se Vêm.E aí,acontecem coisas assim,ou pior,infelizmente.Ótimo post.Abração.

Elaine dos Santos 26 de agosto de 2009 22:28  

O que mais assusta é que o caminho trilhado pela maioria das famílias é este. Não vivenciei, na minha escola, casos de prisão, venda de drogas, furtos etc, mas ouvi muitos pais dizerem que não tinham tempo para os seus filhos...é uma geração que está sendo, lamentavelmente, perdida.

Rafael Silveira 27 de agosto de 2009 09:08  

Grande fábula verdadeira..
Geralmente é o que acontece. Os pais preocupados em dar atenção ao serviço, se esquecem de que colocaram um filho no mundo. A escola recebe a função de Babá..
XD
Grande texto Valdeir!

Éverton Vidal Azevedo 27 de agosto de 2009 14:43  

Grande texto. Quantas vezes coisas parecidas nao ocorreram por aí. E o post do Amigao foi um ótimo adendo ao texto.

Eu gosto quando você escreve sobre coisas relacionadas à escola. Como vocè é professor os textos vêm cheirando a realidade.

E sobre o forró. Eu nao gosto dos novos forrós universitários. Tenho um vício por coisas boas e antigas como a música de Gonzagao, pareciam menos compromissadas com a "cultura" da grana e da mídia.

Um grande abraço amigo!

Du 27 de agosto de 2009 16:50  

É meu amigo... choques de realidade, às vezes e principalmente nestes casos, são necessários!
Ótimo texto!

Beijos!

HSLO 27 de agosto de 2009 17:54  

Amigo...eu postei em meu blog. Muito obrigado viu.

Abraços


Hugo

Marise von 27 de agosto de 2009 21:21  

Valdeir,

Uma história verdadeira, que se repete na maioria das escolas públicas...
Trabalho como prof. a três anos, sempre pensei que fosse exagero. No Sul as coisas ainda eram diferentes, mas agora "é tudo igual do Oiapoque ao Chuí ".

Abs.
Marise.

HSLO 28 de agosto de 2009 08:51  

Amigo,

Não se importe com o comentário do Leo Metalica, ele não conhece o Nosso-Cotidiano, que é a escola, a sala de aula, a relação famila-escola. Por isso, ele fez aquela crítica.
Mas, tudo bem...cada um tem o direito ou não de concordar com o texto, afinal somos pessoas democraticas. E o nosso blog...é só sucesso amigo.

Mais uma vez, OBRIGADO.

Te desejo um bom final de semana.


Abraços

amigo, Hugo

, pequena notável # 28 de agosto de 2009 09:55  

Nossa que interessante. Ela nunca terá o que falar, pois levou algo a sério que não precisa de tantos privilégios quando se fala de família.
Adorei seu blog, parabéns !

Laguardia 28 de agosto de 2009 10:25  

Off Topic

Em conjunto com o Blog o Mundo by Thaís, estamos lançando uma campanha de protesto virtual para o período de 07 a 20 de setembro.

Gostaríamos muito de contar com a sua participação e a dos seguidores de seu blog.

Esta é uma campanha de todos os brasileiros patriotas e não de um ou outro blog.

A campanha é de todos nós que queremos um país melhor para nossos filhos e netos.

Detalhes em http://omundobythais.blogspot.com/ ou http://brasillivreedemocrata.blogspot.com/

Divulgue esta idéia.

O Brasil mais do que nunca precisa de você!

Juliano 28 de agosto de 2009 13:45  

Hoje em dia é assim, chega a ser assustador o número de crianças e adolescentes com esse mesmo problema, e os pais muitas vezes apenas se "cegam" para tal situção..

Abraçoos !

Lugirão 28 de agosto de 2009 18:59  

Valdeir, excelente teu texto, pais omissos é o que mais se vê.

Trabalhar muito não é desculpa para não olhar os filhos, se não teria tempo para eles por que permitiu que nascessem?

Bom fim de semana.

Catarino 28 de agosto de 2009 21:48  

Essa história ocorre mesmo, muitos pais pensam que o filho será educado na escola, é só matricular e esta feito.

8 de setembro de 2009 20:24  

Valdeir! É surpreendente e tira-nos a fala (tanto ou mais que a mãe displicente ao telefone)a quantas anda a educação em nosso país. Excelente retrato da realidade, embora, não seja nada bom vivenciá-la na prática. Lembrei do refrão da música "que país é este?". Invertem-se papéis, mocinhos viram bandidos, bandidos são abonados das faltas e por aí vai. Poucos e bons professores é que ainda conseguem dar um sentido verdadeiro ao ato de educar. Bjins e até!

Vanna 16 de outubro de 2009 10:11  

Ufa, fiquei sem fôlego.
Mas não m surpreende pois já ouvi d uma mãe q eu era apenas uma professor e não tinha q m meter na vida da filha dela. Se ela não queria estudar o problema era dela.
Depois soube pela própria filha q a mãe invejava a irmã q sempre estudou e hoje em dia é oficial da Marinha. A filha melhorou bastante. Já a mãe ...
Alguns pais deveriam buscar ajuda psicológica ou, não podendo pagar, deveria procurar o N/A (Neuróticos Anônimos) só o egoísmo exarcebado justifica tais atitudes.
Abraços

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