18 de março de 2009

Portabilidade: troque de namorado e continue com o mesmo número

Finalmente, já está em vigor a portabilidade. Antes a história era assim: sua linha telefônica dava algum problema. Você ligava para a operadora, que lhe passava de ramal em ramal (quanto a isso, não se iluda, nada mudou). Após três horas, 27 minutos e 38 segundos, você conseguia falar com uma atendente não-virtual. Dizia para ela poucas e boas e finalizava sua bronca afirmando que iria sair daquela “operadoida”, caso aquele péssimo serviço continuasse.


Entretanto, mais calmo, você pensava: “Se eu mudar da “Boi” para “Fim”, o número será outro. Vixe! Vou ter que dar o novo número pra Sandrinha, pro pessoal da Faculdade, pra companhia de gás, pro gerente do banco, pro meu médico, pra galera da academia...”. Desisto, vou ficar nessa porcaria mesmo.

Há pessoas que agem mais ou menos assim nos relacionamentos. João namora Maria e a ama muito, mas há coisas nela que ele detesta. Então, decide romper o relacionamento e ficar com Zezé. João se sente feliz, porque sua nova namorada não tem aquelas manias irritantes que a “équis” tinha. Contudo, paulatinamente, o rapaz vai observando que Zezé possui defeitos que Maria não possuía. O que ele faz: aplica a “portabilidade”. Sugere que Zezé aja da mesma forma que Maria. A garota, mesmo não sabendo que João está a “portabilizando”, se ofende, afirmando que ela é daquele jeito, gosta de ser assim e jamais irá mudar.

Depois disso, João vai lembrando com saudade dos defeitos da antiga namorada, para quem decide retornar. Como Maria é apaixonada por ele e também se arrependeu de ter aplicado a “portabilidade” no cara com quem estava saindo, concorda em reatar o namoro com João.

João e Maria são exemplos de casais que querem que seus parceiros tenham praticamente a mesma personalidade de seus ex-namorados (há o extremo de exigir que a companheira seja como a mãe dele: caso clássico de complexo de Édipo)

Todos nós temos alguma característica de personalidade que é classificada como defeito. Portanto, devemos aceitar as outras pessoas da forma como são; assim como exigimos que nos respeitem. Caso contrário, passaremos a vida inteira tentando “portabilizar” cônjuges, pais, amigos. Ou seja, querendo que eles sejam perfeitos. Tarefa impossível.

Imagem: Stockxpert

15 comentários

Atreyu 19 de março de 2009 09:56  

Até por que esse troço de perfeito é unilateral, cada um temos uma idéia de perfeito... não é uma idéia única, sobre portabilizar uma pessoa isso é uma tarefa impossível... que bom que João entendeu!

diogoatreyuu@hotmail.com

sonia a. mascaro 19 de março de 2009 10:18  

Muito interessante este seu texto! Faz a gente refletir...

Eu também sou muito possessiva com os meus livros...inclusive não gosto de emprestar, porque a grande maioria não volta...

Só para ilustrar o meu post sobre livros (penso que você não conhece o meu blog principal, Leaves of Grass, que está "em férias"), aqui vai um link para você ver minhas imagens. Clique em Books.
Um abraço e obrigada pela visita!

Neto 19 de março de 2009 10:27  

Fazendo uma analogia com a portabilidade você produziu um bom texto sobre as relações pessoais. E seu paragrafo final disse tudo.

No entanto, eu ainda acredito que essa promiscuidade (me desculpe, mas é esse mesmo o nome que eu vou dar pra isso) nas relações é por causa de pessoas que se deixam levar pelos apelos da mídia e por pura e simplesmente não ter uma certa coerencia e nem respeito com a propria família que a criou.

Quem gosta de alguem de verdade não usa e nem abusa dela. E muito menos pensa em trocar de pessoa como quem troca de roupa.

Abraços

Dentro da Bota 19 de março de 2009 11:46  

Muito interessante o texto...

Abraços..

Gi, Roma

19 de março de 2009 13:27  

Excelente reflexão e foi de uma leveza e criatividade a metáfora utilizada que ri muito, ótima crônica! Com certeza, o ser humano é exigente quanto ao outro, mas nem sempre o é consigo, só enxergamos o defeito dele(a) e esquecemos que do lado de cá também tem "gente". Bjins e até!

Cristiane Marino 19 de março de 2009 13:28  

Olá Valdeir!

Obrigada pelas visitas e comentários, estou muito feliz com seu retorno!

Indiquei um selo para seu blog!

Adorei a reflexão que você fez falando sobre relacionamentos de uma forma original e criativa.
beijos

Laguardia 19 de março de 2009 23:23  

Não sou jornalista nem escrito. Se quer escrevo bem. Sou aposentado. Meu imposto de renda é retido na fonte pelo INSS. Já nosso querido apedeuta tem sua receita de INSS como anistiado político acima do teto do INSS livre de IR.
Minha forma de lutar contra os desmandados implantados por este governo corrupto no Brasil é através de um blog http://brasillivreedemocrata.blogspot.com/
Gostaria de contar com a presença e dos comentários das pessoas de bem que não se conformam com a desonestidade

o que me vier à real gana 19 de março de 2009 23:32  

Olá, boa noite!

Excelente análise! O epíteto "portabilizar" e a analogia com as operadoras de telecomunicações, estão geniais!

Tudo de bom

Elcio Tuiribepi 20 de março de 2009 07:52  

OLá amigo, ter empatia na vida é essencial em alguns os momentos, pois isso muda a tarjetória de algumas de nossas palavras e ações...obrigado pela visita..´parabéns pelo epaço aqui...um abraço na alma

minha literatura agora 20 de março de 2009 11:46  

Caro waldeir,obrigado por ter linkado meu blog e acompanha-lo.Acompanho o seu com muito carinho e atenção.Um abraço do James.

Alice 20 de março de 2009 19:52  

Olá !! vim retribuir a visita e me encantei comsuas palavras @!!....


add vc aos meus favoritos !
]


abraços

Espera em Deus 21 de março de 2009 11:58  

Hehehe...
Essa de trocar de "Boi" para "Fim" foi ótima!
Realmente ao mudar de operadora ter que mudar de número é bastante complicado! Ficar com o mesmo sem sombra de dúvidas ajuda muito!
Fica com Deus!

O Jornalista 21 de março de 2009 15:44  

Olá Valdeir,

Li uns posts de conjuntura política aqui, achei q vc pudesse se interessar.

http://papodepolitica.blogspot.com

Sobre Política e Relações Internacionais

Espero q goste,

Daniel Barreto

Abs!

Valdemir Reis 22 de março de 2009 20:51  

Olá Valdeir muita Paz! Uma águia voando pousa neste interessante e maravilhoso espaço. Confesso que gostaria de visitar com mais freqüência, ocorre que as atividades só me permitem fazer no final de semana. Cada vez que retorno me sinto melhor e mais familiar. Parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido. Gostei do tema, muito bom mesmo. Na oportunidade quero de coração agradecer a todos que nos visitam, comentam e seguem, por tudo isto sinto-me honrado e entre amigos. Muito obrigadoooooo.... Estou esperando você e volte sempre! Votos de grandes realizações e prosperidade. Que as bênçãos divinas nos protejam e ilumine. Tenha um alegre e festivo final de semana. Deixo um abraço fraterno.
Valdemir Reis

Mary Miranda 17 de março de 2010 08:03  

Olá, Valdeir!
Maravilhoso texto sobre a eterna insatisfação humana!
Quando passamos a olhar números, defeitos nas pessoas, deixamos de lado o maior bem que temos: a capacidade de amar.
Se amamos muito alguém, por que não aceitar a pessoa do jeito que ela é?
Agora no aspecto mais bem humorado da questão, adorei essa parte de que ameaçamos sair da operadora toda vez que no sentimos lesados por ela.
Já cansei de fazer isso com a Tim.
E estou por lá até hoje, uns 4 anos já! rsrsrs
Um abração da Mary para você!

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