28 de outubro de 2008

Alguns Ditados Incoerentes

Ditado:
"A voz do povo é a voz de Deus".

Incoerência:
O ditado coloca o povo e Deus como se possuíssem a mesma característica da perfeição. Na verdade, o povo também pode errar (e como erra!). Temos diversos exemplos, a começar pela própria Bíblia (cito as Escrituras, já que o ditado toca no tema religião): Herodes pediu ao povo que escolhesse entre crucificar o inocente Jesus ou liberar da prisão o perigoso criminoso Barrabás. Herodes lavou as mãos e mandou matar Cristo. Deus, por sua vez, jamais cometeu equívocos.


Ditado:
"Contra fatos não há argumentos".

Incoerência:
Qualquer fato é passível de contestação. E todo ser humano é possuidor de inteligência para contra-argumentar um fato.


Ditado:
"Gosto não se discute".

Incoerência:
Possivelmente, esse ditado surgiu para afirmar que toda espécie de preferência deve ser respeitada. Isso porque seria ilógica a existência de gostos inquestionáveis. Por outro lado, se esse ditado nasceu numa situação de discriminação, ele tem total coerência, pois cada indivíduo tem a liberdade para viver como quiser, desde que não restrinja a liberdade alheia.


Ditado:
"O dicionário é o pai dos burros".

Incoerências:
1) Os leitores de dicionários não são desprovidos de inteligência. Pelo contrário, são sábios e querem estimular sua sabedoria e ampliar seus conhecimentos lendo (ou consultando) o livro dos significados. O ditado “o dicionário é o pai dos burros” geralmente é pronunciado por pessoas repetidoras do que os outros falam, mas não refletem sobre o que estão dizendo; ou então são apenas acomodados: não querem estudar.

2) Por que dar o nome de burro a alguém que tem dificuldade de entendimento? Para quem não sabe, esse animal é bastante inteligente.

Ditado:
"Tempo é dinheiro".

Incoerência:
Não vou fazer um discurso a la Marx, bradando contra o imperialismo capitalista, mas hei de convir que esse ditado tem total relação com o capitalismo determinista. Ora, tempo não é só dinheiro; é, também, amizade, família, Deus. Nosso tempo deve ser também para usufruto de outras coisas e não apenas para o trabalho. Aprenda a administrar seu tempo; e não sustente sua auto-estima apenas no trabalho.

3 comentários

requeri 29 de outubro de 2008 19:53  

ditados são levados adiante pelo povo, pra vida toda e não são questionados. acredito que o hábito crie esta acomodação. acredito que a falta do que dizer crie o hábito. preciso de movimento, de novidades, de raciocínio ... tem um alemão rondando a cabeça de cada um de nós ... quando ele se aloja não há quem tire. este seu post me fez ir bem longe. valeu!!!

sobre o filme que vc comentou, uma estória triste, são duas as estórias tristes. bj.

EAD 30 de dezembro de 2008 14:00  

Oi, vc deixou algo p/ mim? Desculpe, só vi o comentário agora. Feliz Ano Novo, amigo. bjs

LILIANE 18 de junho de 2010 20:30  

Valdeir
Adorei o "pai dos burros". Se o pai dos burros é o dicionário a mãe deve ser eu rsrs.
Vivo com dicionário nas mãos. É super legal. Às vezes ouvimos uma palavra diferente e saímos por aí pronunciando igual papagaio, fora da hora, do contexto.
Vamos chamar o dicionário de pai dos sábios? ou pai dos inteligentes? ou pai dos seres que pensam?
Amei essa postagem.
Um grande abraço.
Liliane

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