25 de setembro de 2011

As lições da professora Amanda Gurgel


O vídeo com o depoimento da professora Amanda Gurgel repercutiu na internet a ponto de torná-la conhecida em todo o Brasil. O motivo:
de forma segura e destemida, Amanda defendeu a Educação Pública na Câmara Legislativa do Rio Grande do Norte, quando se debatia a greve dos docentes estaduais. Os professores paralisados formavam a plateia. E a mesa era composta por alguns deputados, pela secretária de Educação e pelo promotor de justiça.


Após a secretária de Educação pedir paciência e tolerância, Amanda respondeu que isso é sempre solicitado durante as greves dos professores. Mas que estes chegam a esperar vinte anos para receberem uma promoção, e muitos morrem sem ter seu pedido deferido. E concluiu esse ponto de sua fala dizendo: “Então eu quero pedir à secretária paciência também, pois nós não aguentamos mais esse discurso”.


Gurgel citou ainda a postura dos governantes quando os docentes estão em greve: vão à TV, em “nome dos pobres alunos”, pedir que os professores ponham fim à paralisação. Assim, os docentes que lutam por melhorias salariais e por condições de trabalho mais digno transformam-se injustamente em réus. E os governantes em heróis de “cara de pau”. (Texto de Valdeir Almeida)


Este é apenas um trecho do post. O texto completo está no Painel do Educador.
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20 de setembro de 2011

Mistério no Banco


Dona Isolda estava entediada na fila do banco. De repente, ouviu um som estranho e irritante. Olhou para os lados, não encontrou a fonte visual do barulho.

O medo começou a tomar conta daquela robusta senhora. Ela chegou a pensar que o barulho era o guinchado escandaloso de um rato, mas descartou a possibilidade. Afinal, o chão estava asseado demais para atrair roedores.

Em seguida, Dona Isolda teve a impressão de ter visto um homem entrar portando uma arma. Mas quando notou que era apenas um cliente segurando o celular, já estava zonza: desmaiou com o corpanzil para trás. Caiu sobre uma garotinha que comia maçã. (Texto de Valdeir Almeida)

Imagem: stock.xchng
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11 de setembro de 2011

A leitura é uma escolha pessoal


Quando tenho em mãos um jornal com o qual sou familiarizado, abro diretamente nas minhas colunas favoritas. Essa leitura é a mais prazerosa, fruitiva.

Leio, sim, as outras seções, mas apenas quando me sobra tempo. Não são apaixonantes quanto as primeiras, mas vale a pena acompanhar.

E existem páginas que jamais folheio, por me causar repulsa. Não sou obrigado a ler cronistas da moda nem temas badalados. Em muitos aspectos da minha vida, integro a minoria, mas isso não me torna solitário. Se não faço parte – felizmente – da imensidão de leitores que apreciam futebol, estou – com muito orgulho – na maioria que lê sobre novelas e séries de TV.

Ler é um ato de prazer e uma escolha pessoal, jamais uma imposição alheia. Portanto, constitui incoerência entrar em contato com o livro apenas por figurar entre os mais vendidos das revistas semanais. A leitura deve ser praticada por despertar nosso próprio encantamento.

Quando leio, sou eu quem decide o rumo da viagem: um lugar onde meus sentidos se perdem e eu me entrego aos sonhos, sem pressa nem medo. Se eu ler algo somente porque “todos leem”, não serei senhor do meu próprio destino. (Texto de Valdeir Almeida)

Imagem: stock.xchng
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6 de setembro de 2011

A Tentação d’A Carne: doce veneno


Lenita era mulher de personalidade forte. Não costumava se entregar facilmente, nem mesmo ao sentimento. Entretanto, nos últimos dias, percebia nutrir um amor erótico por Barbosa. Mas não queria dar o braço a torcer. Na manhã em que o desejo surgiu mais intenso, ela foi à floresta praticar seu esporte favorito: caçar animais.

Naquele dia, porém, a presa mais vulnerável era a própria Lenita. Ela mirava o pássaro, mas distraía-se entre os pensamentos que a conduziam a Barbosa. Por isso, não percebeu a aproximação de uma cascavel, e acabou sendo picada no pé.

Por sorte, Barbosa, o “predador” de quem Lenita fugia desesperadamente, apareceu. Tocou suavemente o pé da caçadora, encostou os lábios, sugou o veneno. Em seguida, disse:

– Agora vou levá-la ao médico; o pior já passou.

Lenita, que já se sentia zonza com a picada do animal, quase perdeu as forças após o toque físico, salivar, lascivo de Barbosa.

– O pior já passou? – pensou ela – Tu sugaste o veneno da cobra, mas colocaste o teu. Agora, o desejo, que me esforcei tanto para resistir, está em minhas entranhas. Quem te irá expelir de mim?


O conto acima foi livremente inspirado neste trecho do romance A Carne:

“Sugando-lhe as feridas pelos aguilhões da cobra, Barbosa retirara um veneno, mas deixara outro. Lenita nunca mais cessara de sentir a sucção morna, demorada, forte, dos lábios de Barbosa em torno às picadas, no peito do pé. (...) Era um formigueiro circular que lhe trepava pelas pernas, que lhe afagava o ventre, que lhe titilava os seios, que lhe comichava os lábios”. (grifo meu).

Logo, utilizei-me da licença poética para criar uma nova narrativa. Experimente fazer isso com os livros de ficção que você gosta de ler. Isso estimula a criatividade, além de ser uma forma de interagir com seus autores favoritos.


Sobre o romance A Carne:

Escrito por Júlio Ribeiro e publicado em 1888, A Carne causou polêmica por abordar temas tabus para a época, como o amor livre e o divórcio. O romance narra a história do amor “marginal” entre Lenita – jovem órfã, solteira, rica e culta – e Barbosa – homem maduro, recém saído de um casamento infeliz.

Imagem: stock.xchng
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