26 de julho de 2011

Desabafos literários: os caprichos da inspiração


Às vezes, após a inspiração cumprir seu papel, o remorso toma conta de nós. Há textos cujo processo de escrita tem prazo de validade: se não forem transcritos naquele momento, jamais voltarão a dar as caras. E quando o texto vem com força de obra-prima, o temor de perdê-lo é ainda maior.

Não há mal algum em ceder aos caprichos da inspiração. Pelo contrário, a sensação é de satisfação plena, sem ter transgredido nenhuma regra moral. O problema é quando somos inspirados em horários inoportunos, como na alta madrugada (a insônia a serviço da inspiração). Ou em nosso ambiente de trabalho (nos desconectamos mentalmente das nossas obrigações, embora fisicamente estejamos em serviço). Ou ainda durante a conversa com um amigo (o deixamos monologar sem ele saber; nossos ouvidos tornam-se moucos; escutamos apenas nossas ideias).

Quando a inspiração aparece assim, nossa contrapartida emocional é sempre o remorso. Seja pelo fato de cedermos a ela no momento em que estamos socialmente ocupados – ou dormindo. Seja porque não a satisfazemos, e, por consequência, nos lastimamos, pois talvez, ali estaria a oportunidade de escrevermos uma obra célebre ou de pintarmos o quadro mais importante da nossa carreira.

Quem não possui um relacionamento íntimo (simbiótico mesmo) com a inspiração, não consegue compreender esse sentimento de amor servil que temos por ela. A inspiração não é apenas pensamento: é também – e sobretudo – energia, sentimento e emoção. Uma ideia surge num determinado instante; podemos passar a vida inteira sem nos esquecermos dela. Mas quando quisermos transpô-la para o papel (ou para outro suporte artístico), seu elemento principal, que é responsável por traduzir fielmente o que a inspiração nos oferece, não estará ali: a energia criativa.

Por isso, entre a cruz e a espada, é preciso empunhar a que nos trará menos sofrimento na nossa relação com a inspiração. Se for possível (e se não for, que façamos ser) devemos atendê-la no momento em que ela nos chama. De outra forma, seremos os únicos culpados por não permitirmos que fôssemos o veículo para transmitir algo significativo ao mundo (porque esta é a função da arte). E não nos esqueçamos de que a inspiração sempre irá nos invocar, mas cada trabalho a que ela nos incumbe tem o momento único para que seja posto em prática. Ela é caprichosa, não manda fazer novamente. (Texto de Valdeir Almeida).

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20 de julho de 2011

Meu Amigo Perfeito – 20 de Julho, Dia da Amizade


No meu laboratório de experiências interpessoais, aglutinei todas as boas qualidades de cada um de meus amigos. A partir desses elementos constituídos de matérias decantadas, criei o Amigo Perfeito.


Ele estava sempre disponível para ouvir minhas lamúrias e alegrias. E vivia em prontidão para endossar minhas opiniões e atitudes, por mais inconsequentes e esdrúxulas que parecessem.

Meu Amigo Perfeito – embora portasse todas as qualidades positivas necessárias para o fluir da amizade – tinha seus problemas e segredos bizarros adquiridos naturalmente, no cotidiano. Mas ele não desabafava, temendo que eu o julgasse. Na verdade, ele acreditava que meu anseio por perfeição ultrapassasse o limite dos relacionamentos e alcançasse tudo que dissesse respeito aos amigos.

Ao passo que convivia com meu amigo criado em laboratório, eu tinha saudades dos meus velhos companheiros. Sentia falta dos conflitos de algumas opiniões e dos sinceros abraços dados no calor das emoções diversas. Tudo muito diferente daquela cobaia humana que apenas dizia amém.

Por isso, sem piedade nem posterior remorso, destruí meu Amigo Perfeito. E corri aos saudosos abraços dos meus autênticos amigos. Minha experiência fez-me concluir que é na perfeição que existe a verdadeira monstruosidade do ser. Isso porque não existem amigos perfeitos (assim como eu não sou perfeito). E se eu encontrar um “Frankenstein” que sempre concorda comigo e receia compartilhar suas mazelas, temendo julgamento, não será digno da minha amizade. (Texto de Valdeir Almeida)


Antes um amigo verdadeiro do que um amigo perfeito

20 DE JULHO É O DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE

É certo que os amigos devem ser cultivados diariamente. Mas dedique esta data para confraternizar com eles. Celebre a amizade.

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12 de julho de 2011

Transforme seu mundo


O desejo de mudança faz parte da natureza humana. Entretanto, os artifícios utilizados para o processo de transformação variam, conforme a força de vontade.


Há os que querem revolucionar positivamente a própria vida. Mas não têm motivação suficiente: apenas veem o mundo idealizado por eles através da lente de contato, que converte visualizações opacas em imagens aparentemente reais.

Mas existem aqueles cujo desejo não é o limite. Em vez de usarem lentes, preferem ver a sua realidade cruamente, para transformá-la. Afinal, somente aquilo que se conhece verdadeiramente, pode ser alterado.

Na verdade, os “usuários de lentes” são irrequietos. Raramente estabelecem metas. E quando o fazem são impacientes: desconsideram que os projetos são executados não apenas em curto prazo, mas também em médio e longo.

Já os que têm os olhos desnudos são mais comedidos. Sabem estipular metas, trabalhar por elas e esperar pela sua execução.

Quem usa lentes, mascara os fatos: vê uma realidade e vive outra. Por isso, está mais suscetível a tropeços. Já quem enxerga a realidade como ela é, caminha seguro, sem medo, desviando-se dos percalços. (Texto de Valdeir Almeida)

Texto repercutido do post Óticas Olho Vivo – Reclame.

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4 de julho de 2011

O Diálogo do Silêncio


A articulação dos pensamentos é quase sempre gráfica, verbal. Por isso, quanto mais inteligente for o indivíduo, mais eloquente será nas suas ponderações. Entretanto, nem todos que possuem essa capacidade têm o dom de praticar o sábio silêncio.

É imprescindível saber o momento ideal para calar-se. E aprender de que forma será usado o silêncio. Um amigo de longas datas não necessita de palavras para entender o estado de espírito do outro. Dois enamorados, em determinados momentos, não precisam verbalizar seus sentimentos.

Embora o silêncio seja matéria-prima disponível democraticamente, poucos sabem lapidá-lo e utilizá-lo corretamente. Como se aprende? Praticando: deixe as palavras dormindo um pouco e vivencie a linguagem do nada a dizer. Em seguida, sinta a si mesmo, pois só pratica o silêncio quem tem o autoconhecimento verdadeiro. Por fim, esteja aberto para que outros falantes desta linguagem comuniquem-se com você.

O silêncio eloquente é fundamental para a comunicação mais profunda. Não está relacionado com a mudez nem a surdez. Pelo contrário, é um recurso de interação eficaz, quando as palavras são insuficientes para tocar as almas que dialogam. (Texto de Valdeir Almeida).

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