28 de agosto de 2011

Encontros e Desencontros Vocálicos

Relacionamentos Ditongados

O vocábulo "hiato" tem várias acepções, mas todas elas deságuam em apenas dois significados: 1) “Um espaço entre um ponto e outro” e 2) “Encontro de duas vogais que estão em sílabas separadas".

Ou seja, sempre representa um paradoxo: em um mesmo lugar, aproximação e separação. No entanto, tal sentido vai muito além dos dicionários e manuais de ortografia. Esse hiato existe nas pessoas unidas pela multidão, mas separadas pela indiferença. Nos colegas ligados pelo trabalho, mas separados pela concorrência. Nos casais vinculados pelo sexo, mas separados pela falta de amor.

Felizmente, existe o ditongo, que – ao contrário do hiato – une vogais que sílaba alguma separa. Por isso, as vogais do ditongo são as mais felizes.

Até a ortografia mostra que há sempre esperança.



Respeitem os Hiatos

Continuo a defender a tese exposta acima. Mas hoje acrescento um novo dado: se as vogais não querem mais formar ditongos, que assim seja. Sua decisão deve ser respeitada. Apenas elas, que convivem, têm consciência de seus conflitos.
Em diversas situações, ser hiato é a melhor solução: as vogais não terão mais a intimidade de um casal ou a afinidade de velhos amigos; mas podem estar próximas, na mesma palavra, embora passem a pertencer a sílabas distintas.

Assim como as vogais, o relacionamento humano opera-se em níveis. Não se podem obrigar pessoas a se tornarem “amigos de infância” nem casais a comemorarem bodas de ouro. Se desejam viver como hiatos, é porque serão mais felizes desse modo.



Lembrando o tempo da escola para compreender melhor os textos acima:

Ditongo: sequência que se dá, na mesma sílaba, a uma vogal + semivogal (i e u são as semivogais), ou semivogal + vogal. Exemplos: céu, amei, adeus.

Hiato: encontros de duas vogais com a mesma intensidade formando sílabas diferentes. Exemplos: amari-a, para-íso, ci-úme.

Há ainda o tritongo: uma celebração de amizade ou um triângulo amoroso. Mas aí é outra história...


(Textos de Valdeir Almeida)

 

Imagem: stock.xchng

12 comentários

Mônica 28 de agosto de 2011 11:25  

Valdeir
Estudar desta maneira é gostoso demais! Ensinar assim é prazeroso. Espero que muitos lembrem do que escreveu hoje.
Demorei em casa não?
Mas já estou de volta e indo quinta feira para Araxá.
com carinho Monica

Max Martins 28 de agosto de 2011 13:15  

Valdeir

Muito bacana esse post.
Impossível não lembrar a diferença entre eles. Como disse a Mônica, o aprendizado se torna mais prazeroso desse modo.

Bom domingo e um excelente começo de semana!

Abraços

mfc 28 de agosto de 2011 17:54  

Um hiato... é sempre uma não existência!

Mary Miranda 28 de agosto de 2011 18:37  

Valdeir querido, tranquilo?


Nossa! Nunca tinha visto a vida por essa ótica!!!!
O estar "junto e separado" faz parte das conveniências sociais, como bem citara você sobre colegas que, por obrigação, devem dividir o mesmo espaço.
A parte do amor é que mais toca nosso senso porque, onde pode haver obrigação naquilo que optou-se em estar junto?
Relembrando o princípio do que é o amor, por Camões: "Amar é estar preso por vontade".
Não entendo casais que "hiatizaram" um relacionamento que é imprescindível ser formado por " nós", e não por "eu".
Por isso que vemos tanto a chamada "solidão a dois", casais cuja unificação é vista em faces bi partidas.
Começamos um, e formamos dois, e quando o relacionamento acaba, nos tornamos menos que um, almas quebradas que precisam de auto juntar-se para tentar descobrir o outro "um" de novo, para formar novos "dois"...
No bom humor que você já sabe que me cabe, deixei meu sorriso escapar dos lábios, ao ler a respeito do tritongo e o tão praticado triângulo amoroso.
Acompanho o seu raciocínio e deixo para "outra história" minha opinião!... rsrsrs

Beijos, meu anjo!
Vai acreditar se eu disser que esse foi um dos melhores textos que eu li seu?
Mas já é até "chover no molhado", dizer que você escreve muitíssimo bem!!!!

Mary:)

Wilson e Sanzinha 29 de agosto de 2011 04:23  

Bom dia, Valdeir!
Nananinanão! Nada de hiatos!
Sou a favor do ditongo-mais-que-perfeito! ahahaha
Saudade de vc, meu amigo!
Tudo bem por aí?

Muito obrigada por nos alegrar com sua presença em nosso novo blog, ficamos muito felizes!

Que seu dia seja lindo e que você tenha uma ótima semana!

Beijo grande!

San

Ps: Hoje é aniversário do Wilson, passa por lá! ;)

Wanderley Elian Lima 29 de agosto de 2011 09:57  

Muito boa a sua tese. Realmente ,quando um não quer, dois não brigam.
Abração

Luma Rosa 29 de agosto de 2011 21:33  

Gostei da analogia, super criativa!!
Fiquei imaginando como seria uma aula sua!
Boa semana!
Beijus,

Weslley Almeida 29 de agosto de 2011 22:17  

Val,
Dos seus textos que li, esse, sem dúvida, é um dos que mais gostei, viajei e (re)aprendi.
Usar a ortografia pra dialogar questões das relações humanas tão bem assim: parabéns!!!
Bom de mais!

Rute 30 de agosto de 2011 11:14  

Olá querido, parabéns pela pesquisa.
É sempre bom aprender e reaprender a Lingua Portuguesa.
Beijos, ótima terça-feira a vc.

LISON COSTA 30 de agosto de 2011 12:31  

Saudações!
Amigo VALDEIR:
Vim conferir a aulinha. Confesso que fiquei encantado.
Diferenças? Coloquemos diferenças e muitas. Uma sábia analogia sob um novo olhar.
Parabéns por mais um magnífico Post!
Abraços,
LISON.

Élys 30 de agosto de 2011 15:39  

Uma grande criatividade para mostrar a verdade dos relacionamentos.
Parabéns, pelo texto delicioso de se ler...
Um grande abraço e uma bela semana.

Josú! Barroso 2 de setembro de 2011 08:20  

Olá, seja bem vindo.Sucessos...

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