22 de junho de 2011

Esvaziando as Gavetas



Alguns objetos sobre a estante são banidos a cada reforma da casa. Seus moradores justificam: é preciso harmonizar a decoração com as novas formas e cores do ambiente.


E para onde vão os objetos renegados? Há quem os coloque nas gavetas, já abarrotadas com os adereços da reforma anterior. Isso significa que não é feita uma seleção. Não se verifica o que pode ser doado, aproveitado em outro cômodo ou jogado fora.

As pessoas agem dessa forma, porque se apegam a coisas que não lhe são mais aproveitáveis, nem voltarão a ser. Desse modo, sobrecarregam os compartimentos dos móveis com entulhos sentimentais.

Outro motivo dos acúmulos inúteis é o medo de entrar em contato com velhos abjetos. Esvaziar as gavetas significa confrontar lembranças passadas, tanto as boas que alegraram um momento limitado, quanto as más que... melhor esquecer!

De qualquer maneira, é necessário esvaziar as gavetas. Desfazer-se do que elas guardavam. Desapegar-se do passado sofredor ou nostálgico-depressivo. E viver apenas o que é visível na estante, neste instante.



Os fatos desagradáveis não se apagam, quando os objetos saem de cena. Mas seus efeitos são amenizados ao rompermos emocionalmente com o passado.


(Texto de Valdeir Almeida)


Imagem: stock.xchng

14 comentários

Paulo Francisco 21 de junho de 2011 21:53  

As minhas gavetas estão sempre cheias por pura preguiça. Vou colocando tudo numa desordem só. Depois (rsrsrs) jogo tudo fora sem olhar direito o que estou jdescartando, por pura preguiça (rs rs rs).
Gostei deste texto.

Um abraço.

Palavras Vagabundas 21 de junho de 2011 22:37  

Te apoio! É difícil entrar em contato com más lembranças, mas é ótimo mandar "passear" em outro lugar!
abs
Jussara

Esplendor da Criação 21 de junho de 2011 22:43  

Concordo plenamente amigo, a quem diga que as coisas do nosso ambiente são um reflexo da nossa mente. Um ambiente em ordem, uma mente em ordem... E´preciso de vez enquando esvaziar as gavetas, os armários e dar lugar para novos objetos, para fluir novas lembranças, novas idéias. Quem de nós já não teve esta experiência; a renovação do ambiente levanta o astral e isto é muito bom! Bjs.

Hugo de Oliveira 22 de junho de 2011 01:29  

Que postagem interessante viu...gostei.
Abraços

mfc 22 de junho de 2011 08:17  

Tenho uma dificuldade imensa em esvaziar gavetas!
Talvez pelo motivo que indicaste... talvez!!

LILIANE 22 de junho de 2011 11:53  

Oi Valdeir...
quando estou cansada ou severamente irritada descobri que "esvaziar gavetas" me faz um bem enorme.
Me tranquiliza, acalma, me esvazia dos entulhos emocionais e energéticos acumulados.
Adorei ler este texto, lembrei que estou necessitando de esvaziar muita coisa em mim, viu...rs
abração.

Élys 22 de junho de 2011 12:38  

É uma verdade, desapegar-se é uma necessidade para se poder viver melhor o presente. O passado representado pelos objetos guardados, mesmo que felizes dificultam a nossa evolução que deve ser feita no caminhar do dia a dia.
Um grande abraço

J. Neto 22 de junho de 2011 18:38  

Experiências ruins devem ser esquecidas, e experiências positivas e boas devem sempre serem lembradas e enaltecidas. A vida acontece no presente, mas é feita do próximo momento que virá, e não (nunca!) daquele momento que passou.

Abraços Valdeir!

Mary Miranda 22 de junho de 2011 19:10  

Valdeir, meu doce amigo!

Gavetas cheias de quinquilharias que de nada servem em um tempo antes de seis meses (dizem que é natural que, coisas não usadas nesse prazo, não serem usadas nunca mais!), devem ser arremessadas na lixeira ou no fogo!
Objeto que não vemos utilidade alguma nele, se torna 'lixo adiado', ou seja, você não o joga fora agora, mas vai jogá-lo um dia!...
Adoro esvaziar minhas gavetas...
Volta e meia faço isso e me sinto tão melhor!!!!
O que me causa dor ou pensamentos lúgubres, adoro vê-los ateados na fogueira providencial, que queima não só as formas físicas, mas os sentimentos dispensáveis que eles traziam de um passado angustiante.
Como pode, né, uma só palavra trazer conotações tão pessoais e adversativas?
Gavetas, pra mim, são para guardar os sonhos, aquelas roupas limpinhas que me servirão para um festejo, um momento de paz ou simples contemplação da vida!
Quando as esvazio, é para manter o padrão de leveza proposto inicial de usá-la; se há algo que destoe disso, não titubeio em atirá-lo longe!

MAGNÍFICO texto seu, Valdeir, que me levou a reflexões de puro êxtase!
Minha vida passada como num filme!
Obrigada!!!!

Beijos,
Mary:)

P.S.: Pergunta nada a ver com o post: qual é o seu signo?

Viver com Saúde - Catarino 22 de junho de 2011 22:04  

É verdade precisamos ter coragem de romper com objetos antigos e que não usamos mais, dizem que guardam energia inútil ou até negativa.

Weslley Almeida 23 de junho de 2011 00:32  

Saber o que tirar e por na gaveta é aprendizagem de toda uma vida. Aos poucos gente vai percebendo que é papel burocrático e o que é poesia...
Falando nisso, deixa eu ir alí ler Manoel de Barros...
Abração, Val!

Janeisa Tomás 23 de junho de 2011 12:51  

É o que sempre faço, exerço sempre o desapego e estou sempre me sentindo renovada, pois acredito que agindo assim, a energia circula com mais harmonia.
Abraços!

Wanderley Elian Lima 23 de junho de 2011 15:24  

Olá amigo Valdeir
É isso mesmo, temos mania a acumular coisas, que jamais precisaremos. É preciso desprender do passado e viver o presente. (fiz um texto sobre isso, sairá brevemente).
Grande abraço

Crista 24 de junho de 2011 17:25  

Acertastes em cheio!!!!
A gente sabe tudo isso mas é muito bom ler...assim dá uma sacudida e ...mãos à obra...rsrsrsrsrs...
Com admiração,para ti,tudo de bom!

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