13 de novembro de 2010

O preconceito sob novos nomes


Agora, por convenção e conveniência,


Deficiente físico é portador de deficiência,

Empregada doméstica é secretária do lar,

Negro é afrodescendente,

Terceira idade é melhor idade.

Favela é comunidade.


Mudam-se os nomes, mas o preconceito continua subjacente.


Texto de Valdeir Almeida

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9 de novembro de 2010

EdMunda em Cartaz nos Cinemas


“Só EdMunda consegue me entender”, disse uma cobra. “Quem é EdMunda?”, quis saber a outra cobra. “Ela é uma mulher de corpo humano, mas é inerentemente venenosa, como a gente. Quando eu quero desabafar, falar das minhas desventuras ofídicas é a ela que recorro”, concluiu.

Foi desse modo que EdMunda se popularizou no universo das peçonhentas rastejantes. A mulher asquerosa transformou-se na Dra. Dolittle dos trópicos viboráticos. Nem o personagem de Eddie Murphy conseguiu tamanha proeza.

Por isso, Hollywood bateu o martelo: a história de EdMunda virará filme. E mesmo sem ter começado as gravações, o longa já é favorito para o Oscar de melhor roteiro.

EdMunda aceitou ter sua biografia contada pelo cinema, mas quer representar a si própria. Ótima atriz, ela sempre foi (dissimular é com ela mesmo), agora se profissionalizará no estilo Tio Sun. É isso aí, Edumunda: da Bahia para o mundo (rima falsa igual a EdMunda).


VIDA E OBRA:

EdMunda posa de senhora distinta e religiosa. Mas é tudo aparência. A especialidade dela é semear contendas na própria família e nas alheias.

No entanto, não se deve negar que ela é mulher de fé: lê as Escrituras todos os dias, mas com o intuito único de familiarizar-se com a Serpente do Gênesis. E foi assim que EdMunda se tornou a imagem e semelhança de sua divindade rastejante.



Textos com conteúdo integralmente fictício




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6 de novembro de 2010

Júnior, meu irmão-amigo


Júnior nasceu meu irmão. E enquanto ele crescia, foi se tornando também meu amigo admirável. Digo isso, porque ele é uma das pessoas mais corretas e sinceras que eu conheço. Não corrompe seus valores em troca de um falso conforto. Não se cala diante de uma injustiça. E tem um grande coração.

Durante um determinado período, tentaram abalar nossa amizade. Mas foi trabalho em vão. Não há inimigos que possam vencer, quando o sangue e o coração estão juntos numa mesma relação.

Esse é Júnior, meu irmão, meu amigo.



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4 de novembro de 2010

Igual-Desigual – Diálogo com Carlos Drummond de Andrade


Igual-Desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.

.........................................................................................................................
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar



Drummond,

Hoje as coisas (e bichos também) continuam iguais. Mas o homem mudou, não é mais ímpar: está invadindo o território das coisas e tornando-se como elas.

Agora, poucas vezes se pergunta como a pessoa está, do que gosta e o que sente. O mais importante é o que se possui. TER um carro do ano é mais imprescindível do que SER gente.

Portanto, Drummond, atualmente,

O homem é igual a qualquer outro homem e coisa.
É igual a tudo.
É ser previsível:
comum



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2 de novembro de 2010

O Dia de Finados e os Vivos-Mortos


“Tenho medo é dos vivos”. Eis aí uma frase clichê, porém sábia. Quem já morreu, se faz presente mediante o que construiu material, intelectual e afetivamente (memória/história). Mas devemos ficar atentos a muitos seres humanos que ainda estão por aqui. Eles são vivos em confabular contra seus semelhantes.

São indivíduos asquerosos, cujo lema é a prática de maldades, como a de criar boatos de tal modo consistentes, que são capazes de provocar inveja nos trabalhos dos cânones da dramaturgia. Por isso, os leitores/ouvintes que absorvem qualquer informação sem questionar acreditam nos factóides e, o que é pior, vão reproduzindo nas rodas de amigos e nas igrejas cristãs que se vendem por um prato de lentilhas e de poder político.

Os praticantes do mal e as pessoas que o repercutem estão mortos por dentro: são sepulcros caiados vazios de humanidade. Quanto a esses vivos-mortos, devemos, sim, ter muita cautela. Eles não vão puxar nossa perna no meio da noite, mas nos darão uma rasteira na primeira oportunidade. São mais assustadores do que alma penada, porque, embora ajam na surdina, as consequências de suas atitudes são visíveis, concretas, táteis e dolorosas.




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