23 de setembro de 2010

Discriminação Social e Programa Eleitoral


O atual programa eleitoral na TV está repleto de São Franciscos e Madres Teresas. Os aspirantes aos cargos públicos encenam um passado de pobreza sempre regado a emoções e – aos que têm um talento dramático a mais – a algumas lágrimas crocodilianas.

Em vez de transformarem o horário eleitoral em novela mexicana, tais candidatos deveriam ouvir os verdadeiros protagonistas desta história. Como um grupo de alunos que foram discriminados na semana passada, num grande shopping de Feira de Santana.

Usando chinelo de dedo e trajando uniforme de escola pública de um bairro periférico, os estudantes foram seguidos pelo vigilante. Ao chegarem ao banheiro, os adolescentes ouviram a grosseira e estridente ordem daquele homem: “O que vocês estão fazendo aí? Saiam, andem. Saiam”. Assustados e sem entender o que acontecia (pois não estavam fazendo arruaça), eles saíram do banheiro, enquanto eram tangidos como se fossem animais.

Minutos depois, outro grupo de estudantes, portanto mochila de grife e vestindo uniforme de escola particular renomada – localizada em área nobre da cidade –, fez o mesmo percurso. O vigilante, desta vez, deixou os garotos olharem as vitrines e irem ao banheiro tranquilamente, sem interromper o percurso.

Possivelmente, os estudantes pobres desta história desconhecem seus direitos. Estão de tal modo acostumados a serem discriminados em razão de sua condição, que acham natural passar por situações humilhantes como aquela. Eles são os verdadeiros personagens do drama de pobreza e discriminação social. Logo, não refletem a encenação de miséria dos candidatos chorões. Aliás, tais candidatos são os antagonistas e se assemelham mais aos garotos da classe média, que passeiam pelo shopping tranquilamente, sem sofrerem qualquer incômodo.




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19 de setembro de 2010

Nota Fúnebre: Morreu o Amor


Este amor convalesceu durante muito tempo. Agora, morreu definitivamente... acabou.


Por que, então, você fica aí, contemplando um corpo? É apenas um corpo. Enterre-o. Enlute-se. Chore até secar todas as lágrimas. Afinal, o amor acabou.

É certo que vocês viveram grandes e intensos momentos, que permanecerão vivos na memória de ambos. Mas o amor, que é mais importante, acabou.

Vai. Segue o cortejo fúnebre. Sepulta este corpo. Conforme-se com a perda. Conforte-se. Em seguida, prepare-se para fazer brotar em outro coração seu novo amor, pois este aí... acabou.




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12 de setembro de 2010

O Hidratante Monange e a Filosofia da Eternidade


“O tempo não passa para a mulher que usa o hidratante Monange”. Essa era a frase proferida pela atriz Tônia Carreira, para anunciar o produto na TV.


Naquela época, eu era criança. Por isso, achava que permanecer jovem e o tempo não passa eram duas construções extremamente contraditórias. Afinal, pelo que Tônia enunciava, “não passar o tempo” significava que a mulher viveria eternamente. Foi aí que me surgiu o embaraço: “A eternidade na Terra não impede que a mulher envelheça. Ela não morrerá, mas, fatalmente, ficará velha. Se, ao menos, sua eternidade fosse no Céu, aí sim, seria jovem para sempre”, embatia-me.

Por observar as coisas no sentido denotativo – como qualquer criança da minha idade – eu não considerava o valor estético da frase (que era o objetivo do comercial). Meu Deus! Como a minha mente era fértil. Se bem que, se a Monange quisesse aliar seu hidratante ao conceito de eternidade, idealizado por Vinícius de Moraes, minha tese estaria irrefutavelmente correta: “A beleza da mulher que usa Monange é infinita... enquanto durar o hidratante”.




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9 de setembro de 2010

O Amor Liberta (cf. Renato Russo, Camões e Paulo)


Jesus é a manifestação de Deus. E como Deus é amor, Jesus é a personificação do amor. Por isso, é contraditório utilizar o nome de Cristo para julgar, como fazem algumas religiões. O próprio Jesus recomendou: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados.” (Mateus 7:1).

O julgamento atenta contra o respeito ao próximo. Respeito que perpassa pelo amor como princípio, meio e fim para a harmônica existência da sociedade. Sobre isso, Paulo, o amável seguidor de Cristo, disse:

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino.

Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada.

Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.

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Pois os nossos dons de conhecimento e as nossas mensagens espirituais são imperfeitos. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é imperfeito desaparecerá.

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Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e o AMOR. Porém a maior delas é o AMOR.
(Bíblia Sagrada, 1 Cor. 13)


Essa passagem bíblica e o Soneto 11, de Camões, inspiraram Renato Russo a compor a música Monte Castelo:


É isso mesmo. Só o amor conhece o que é a verdade. E conforme Jesus – o ser personificado do amor – a verdade liberta (João 8:32 ). Logo, o amor nos tira das prisões provocadas por ideologias preconceituosas e excludentes. Um exemplo dessas ideologias são determinadas religiões equivocadamente designadas de cristãs que afirmam pregar o cuidado ao próximo, mas destilam seu ódio contra pessoas que não rezam na mesma cartilha delas. É o oposto do amor libertador.


P.S: Ao contrário do que pensam (ou querem) Jesus não era (nem é) portador do religiosismo. Seria inconcebível o Deus que é o Amor em pessoa ficar preso em igrejas, sobretudo as que determinam que tipo de pessoa é digna de ser amada.



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7 de setembro de 2010

Empecilhos à Educação


No Brasil, há muitos empecilhos para que se alcance uma educação de qualidade. Por exemplo, alguns jovens e crianças necessitam se deslocar da zona rural ou de regiões riberinhas para chegarem aos prédios escolares. Rotina cansativa e, por isso, desestimulante.


Outro empecilho é a aprovação do estudante para a série seguinte, mesmo que ele tenha sido reprovado. Essa prática é uma forma de o governo propagandear o índice quantitativo (mas não qualitativo) da eficiência educacional nos estados (ou Federação): diminuição da repetência, da evasão escolar e do analfabetismo. (Texto de Valdeir Almeida)


Este é um resumo do texto “Acesso à educação no Brasil: um direito relegado” produzido por mim a pedido de Sanzinha e Wilson, e publicado no Espaço Aberto.



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3 de setembro de 2010

Só as baratas engolem sapos


O ser humano é adaptável a situações de intensa pressão. Mas quando os níveis da tensão tornam-se elevados e contínuos, não há yoga que dê jeito.

Nesse momento de chutar o balde, apreciamos as baratas. Desejamos – como vampiros – possuir o sangue desses insetos que sobrevivem intactas até a conflitos nucleares. Entretanto, por termos frágeis veias humanas, não somos capazes de engolir sapos sem sofrer alguma indigestão: fingimos que os insultos hierárquicos são melodias para nossos ouvidos; mas depois, sozinhos e enfurecidos, nos culpamos por permitir que nos ofendessem.

Por fazer parte de algumas relações interpessoais, o tema costuma ser explorado pela ficção. No filme “Até que a sogra nos separe”, a personagem de Jane Fonda (a sogra) azucrina a vida de Jennifer Lopez (a nora). Até que um dia, na cozinha, Jennifer recusa engolir sapos e dá um golpe de frigideira na cara de Jane. Mas era tudo imaginação. A bela morena teria que continuar ingerindo esses anfíbios horripilantes servidos pela megera (ver vídeo 1, no final do post).


Já Raquel, personagem de Regina Duarte na novela “Vale Tudo”, era o oposto. Ouviu muito desaforo, mas não levou nenhum para casa. Orgulhava-se de não possuir sangue de barata e ter dignidade humana. Por isso, chegou a rasgar o vestido de noiva da filha golpista, e a estapear a toda poderosa Odete Roitman (vídeos 2 e 3).

As emoções humanas não são tão adaptáveis como o organismo das baratas (graças a Deus!). Contudo, podemos nos condicionar para que nosso sangue não esquente diante das situações insolentes e inesperadas. Assim, quando um superior hierárquico extravasar toda sua incompetência e frustração, nosso silêncio será franco. Aquelas palavras rudes e grosseiras não nos farão a menor diferença. E finalmente, saberemos o verdadeiro sabor dos sapos.



Vídeo 1






Vídeo 2
Vídeo 3








Ilustrações: Google Imagens

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