4 de novembro de 2010

Igual-Desigual – Diálogo com Carlos Drummond de Andrade


Igual-Desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.

.........................................................................................................................
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar



Drummond,

Hoje as coisas (e bichos também) continuam iguais. Mas o homem mudou, não é mais ímpar: está invadindo o território das coisas e tornando-se como elas.

Agora, poucas vezes se pergunta como a pessoa está, do que gosta e o que sente. O mais importante é o que se possui. TER um carro do ano é mais imprescindível do que SER gente.

Portanto, Drummond, atualmente,

O homem é igual a qualquer outro homem e coisa.
É igual a tudo.
É ser previsível:
comum



22 comentários

Carlos Augusto Matos 4 de novembro de 2010 19:12  

Drummond é Drummond... Eis o meu Rei... Meu "muso" inspirador apesar de eu nem chegar perto do que ele escreve...

Excelente postagem Valdeir...

Abração...

Saulo Taveira 4 de novembro de 2010 19:26  

Lamentável! Mas real. Bela atualização do poeta.
Ser é grande, ter passa.
É preciso ser para ter o entendimento.

Abração, meu amigo.

Bom que esteja de volta!!!!

Wanderley Elian Lima 4 de novembro de 2010 19:36  

Olá amigo
O homem está se tornando padronizado pela mídia e pelo desejo de ter. As individualidades estão ser tornando cada vez mais coletivas.
Abração

Entrevidas 4 de novembro de 2010 19:47  

Pode até ser igual, mas com cabeça diferente... Beijos Amelia

Mila 4 de novembro de 2010 19:53  

Fato Valdeir...
Fez-me refletir!
bjs
Mila

Neto 4 de novembro de 2010 20:35  

É Valdeir! E esta vontade de tudo ter, está o afastando de ser.

De "ser" uma pessoa com caráter e valor.

Abraços

Daniel Savio 4 de novembro de 2010 21:25  

Realmente, viramos um cultura de massa, e com tal, padronizado e iguais...

Fique com Deus, menino Valdeir.
Um abraço

Leonardo Oliveira 5 de novembro de 2010 09:11  

Parabéns pelo post!!! Com o avanço da sociedade capitalista, passamos da condição de pessoa (ser humano) para consumidores. Prova disso, é a realidade de setores fundamentais como Educação e saúde que cada vez mais funcionam como grandes empresas fornecedoras de serviços. Grande abraço!!!

Neto 5 de novembro de 2010 09:58  

Valdeir!

Tentei completar o seu diálogo sobre o 'homem'. Mas soou como se eu estivesse falando para você. Vi agora, não tome como assim a interpretação. Não estavaa falando de você ok?

O texto é bom e reflexivo. E me desculpe se fui muito genérico.

Poeta Jorge Henrique 5 de novembro de 2010 11:49  

Meu caro Valdeir, é a própria poesia que nos "desformata" e revela o um do múltiplo e o múltiplo do um. Ela mesma, com seu poder desconcertante de provocar compreensões nos faz acreditar que, mesmo diante de tantas forças de padronização, o homem, quando mergulha em si, descobre-se único, diverso de tudo e de todos que o cercam.

Parabéns pela postagem!

Um forte abraço.

brasildobem.net 5 de novembro de 2010 19:17  

Drummond conseguia uma clareza com as palavras de fazer inveja. Ainda acho que ele é atual, concordo, apesar de o homem se massificar, ele continua ímpar.
Grande abraço!

Valdeir Almeida 5 de novembro de 2010 19:45  

Neto,

Não se preocupe, não. Eu entedi o que você quis dizer.

Abraços e ótimo final de semana.

♫ ♪ Wilson ♫ ♪ 5 de novembro de 2010 22:50  

E mais uma vez, você está coberto de razão, meu amigo.
Ficamos felizes com seu e-mail. Eu e San esperamos que esteja tudo bem.

Ótimo fim de semana pra vc.
Deus seja contigo!

Weslley M. Almeida 5 de novembro de 2010 23:29  

O capitalismo - cada vez mais voraz - tem nos levado a pensar e respirar dinheiro - o ter. Está impresso na nossa alma (sobretudo, nós do ocidente). Desarraigar isso do nosso ser é desafio constante, inquietante e, claro, saudável para a humanidade e o mundo; ou então, coisificamo-nos.

Incisivo texto! Boa releitura de Drummond, caro Val!

Athila Goyaz 6 de novembro de 2010 08:48  

Eu concordo com vcs, mas acho o Tarantino um fodástico diretor de cinema rs
abraços!

Danilo Carvalho 6 de novembro de 2010 11:32  

Gostei do post.
Fomenta a discussão sobre a igualdade. Sem querer relativisar as coisa, mas ainda sim o fazendo, diria o homem se converge e diverge no que tange a este aspecto de igualdade. Prefiro ver todo os homens como iguas e comuns a sí próprio. No entanto diversos fatores me levam a enteder que cada homem é um ser estrano e "ímpar", sejam, por exemplo, no que diz respeito a religião, ideologias ou aspirações artíticas e etc...

Parabéns Valdeir! Bom final de semana!

Prof. Adinalzir 6 de novembro de 2010 20:21  

Esse é o grande Drumond, sempre vivo e antenado com o nosso mundo real!
Meus parabéns pela escolha do texto e um grande abraço!

Rute 7 de novembro de 2010 07:50  

Como sempre suas postagens, são maravilhosas, parabéns. Os homem podem serem iguais , mas com comportamentos totalmente diferentes.
Grande Drummond de Andrade,sempre claro e objetivo nos seus textos.
Beijos Valdeir, ótimo domingo e maravilhosa semana a vc.

Marcio Nicolau 7 de novembro de 2010 15:14  

há esperança Valdeir, enquanto algumas vozes disserem não a esse processo de "coisificação".

LILIANE 8 de novembro de 2010 15:29  

Valdeir
caríssimo
"... é ser previsivel, comum"
acredito muito nesta frase. Infelizmente, estamos perdendo a nossa tão querida individualidade e o nosso jeitinho especial de ser.
é uma pena.
mas, eu sou teimosa, não desisto, empaco e continuo sendo eu mesma.
beijinho
ah, tem um selinho pra você no http://www.tocdemenina.blogspot.com
abraços

Vanessa 9 de novembro de 2010 15:34  

Valdeir, não ouso discordar de vc. Pena, né? Tem um selo da campanha contra bullying no Mãe é tudo igual pra vc.

bjs

Márcia Dayane 9 de novembro de 2010 20:58  

Ah o Drummond!
Seu blog está de parabéns, estou sempre por aqui.
Belos textos.
Um beijo.

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