3 de setembro de 2010

Só as baratas engolem sapos


O ser humano é adaptável a situações de intensa pressão. Mas quando os níveis da tensão tornam-se elevados e contínuos, não há yoga que dê jeito.


Nesse momento de chutar o balde, apreciamos as baratas. Desejamos – como vampiros – possuir o sangue desses insetos que sobrevivem intactas até a conflitos nucleares. Entretanto, por termos frágeis veias humanas, não somos capazes de engolir sapos sem sofrer alguma indigestão: fingimos que os insultos hierárquicos são melodias para nossos ouvidos; mas depois, sozinhos e enfurecidos, nos culpamos por permitir que nos ofendessem.

Por fazer parte de algumas relações interpessoais, o tema costuma ser explorado pela ficção. No filme “Até que a sogra nos separe”, a personagem de Jane Fonda (a sogra) azucrina a vida de Jennifer Lopez (a nora). Até que um dia, na cozinha, Jennifer recusa engolir sapos e dá um golpe de frigideira na cara de Jane. Mas era tudo imaginação. A bela morena teria que continuar ingerindo esses anfíbios horripilantes servidos pela megera (ver vídeo 1, no final do post).


Já Raquel, personagem de Regina Duarte na novela “Vale Tudo”, era o oposto. Ouviu muito desaforo, mas não levou nenhum para casa. Orgulhava-se de não possuir sangue de barata e ter dignidade humana. Por isso, chegou a rasgar o vestido de noiva da filha golpista, e a estapear a toda poderosa Odete Roitman (vídeos 2 e 3).

As emoções humanas não são tão adaptáveis como o organismo das baratas (graças a Deus!). Contudo, podemos nos condicionar para que nosso sangue não esquente diante das situações insolentes e inesperadas. Assim, quando um superior hierárquico extravasar toda sua incompetência e frustração, nosso silêncio será franco. Aquelas palavras rudes e grosseiras não nos farão a menor diferença. E finalmente, saberemos o verdadeiro sabor dos sapos.



Vídeo 1






Vídeo 2
Vídeo 3








Ilustrações: Google Imagens

19 comentários

Daniel Savio 3 de setembro de 2010 19:01  

Cara, depende muito da ofensa, pois para mim tem dois cunhos, a de nivel pessoal (estilo sua piranha, safada, seu cachorro, sem vergonha, seu safado e derivados) e de cunhos profissionais (geralmente quando o chefe fala que o trabalho estava abaixo do esperado).

Para mim, o de nivel pessoal são mais dificieis de serem aguentados, já o profissionais, são bons quando você ouve e te passam o que foi o erro.

Fique com Deus, menino Valdeir Almeida.
Um abraço.

LILIANE 3 de setembro de 2010 19:09  

Pra falar a verdade, só senti o gostinho de revidar uma vez.
Sempre fui de esperar a coisa passar e com muito, mas muiiiiito tato falar depois.
confesso que a 2ª opção me traz um nó na garganta, mas a sensação de sobriedade e conforto depois é bem mais duradoura.
Mas também admito que a 1ª vez que agi na hora do "vamo ve" me traz uma satisfação de ter feito a coisa certa, até me arrependo de ter agido antes.
Equilíbrio para mim é o mais importante.
Pensar nas consequências dos atos em vez de explodir tem me ajudado muito.
Grande abraço Valdeir.
adorei lembrar da Regina Duarte (atriz fantástica, não é)

Prof. Adinalzir 3 de setembro de 2010 20:18  

Acho que o equilíbrio nessas horas é muito importante. Mas tem hora que não dá. Aí eu mostro que não tenho sangue de barata.

Valeu amigo! Um grande abraço!

Wanderley Elian Lima 3 de setembro de 2010 21:49  

Olá
Tudo tem dois lados, se n[os os humanos não aprendessemos a nos controlar, viveríamos em constantes conflitos. Mas é claro que tudo tem um limite, tem hora que tem mais é que aprontar um barraco.
Abração

Saulo Taveira 3 de setembro de 2010 23:24  

Conflitante.
Aprendemos que ser verdadeiros nem sempre gera um bom resultado, mesmo que com diplomacia.
O diálogo é a melhor coisa. Entretanto, contraditoriamente, hoje mesmo comentava com um amigo que sou um forte candidato a um "dia de fúria". Me iro com algumas coisas, o comportamento e falta de educação alheios me tiram do sério, sou capaz de sentir o mais profundo dos ódios, e isso é sério. Não posso porrar o outro, como desejo, devo canalizar isso, mas confesso que ainda não sei inibir esse sentimento. Ao mesmo tempo, penso que a dureza em relação ao outro seja a mesma recebida por mim ao longo da vida. Enfim, terapia talvez resolva algumas coisinhas. hehe
Tolerancia e diálogo, acima de tudo.
Veja se gosta de gato depois de experimentar o lugar do rato?

Bom fim de semana.

Abraços.

brasildobem 4 de setembro de 2010 11:27  

Muitas vezes já tive que engoli sapos e baratas pela hierarquia, sobretudo no trabalho, quando era professora e tinha que ouvir desafors de mães e pais totalmente sem noção, mas hoje em dia, não me permite mais ter indigestão de anfíbibios e bichos rasteiros.
Grande abraço!

Histórias & Estórias 4 de setembro de 2010 11:41  

"Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue,depois de mais ou menos quarenta anos de vida,aprender a ficar calado." Millôr Fernandes

É este o meu pensamento!

Athila Goyaz 4 de setembro de 2010 11:49  

Eu acho que o difícil é se equilibrar, essa é a arte de engolir um sapo. Muito bom!

Vagner Lopez 4 de setembro de 2010 18:57  

Fala aê, meu amigão!

Rapaz, esse lance de ofensa é um tanto complicado mesmo.
Últimamente ando com a cabeça à mil por hora com determinados problemas que insistem em permanecer. Nesses momentos, pensamentos positivos e ações positivas contam muito.
Esses dias, recebi palavras que insistiram em colocar minha positividade abaixo. foi um toroço chato, pois partiu de um... "amigo". A vontade de descarregar tudo em cima dele foi grande, mas engoli o sapo e resolvi ignorar.
Se acontecer uma próxima vez, não vai ficar barato. rs

Valeu pela visita e comentário nas mihas Conjecturas. E não rpecisa pedir desculpas pelo sumiço... eu também andei um pouco distante desse mundo aqui. rs

Grande abraço, meu amigo. Ótima noite de sábado e um bom domingo.

Paz

•*♥*• Sanzinha •*♥*• 4 de setembro de 2010 19:14  

Valdeir, eu não sei oq dizer. Eu juro que não sei.
Sou inconstante como as águas. Minha natureza é intempestiva. Sou de lua, de estrelas, de sol... rs. Normalmente, não sou de engolir sapo, venha de quem vier. Meu gênio é assim, minha natureza é assim. E não pense que isso é com barraco e gritaria. Quanto mais baixo eu falo, mais puta da vida eu estou. E começo a falar difícil, acredita? kkkkk.
Mas há momentos em que fico quieta, baixo a cabeça e só ouço. E outros, ainda, em que simplesmente dou as costas e vou embora. A verdade é que por mais que quem me conheça e ache que saiba como vou reagir em determinada situação, ninguém sabe! Nem eu mesma! Eu sou assim... juro. Rs.
Será que sou normal? kkkkkkkkkkk

Perdão por eu não te visitar tão frequentemene quanto deveria, mas as nuvens andam densas por aqui.

Beijo grande ótimo fim de semana!

Elisa 5 de setembro de 2010 09:37  

Prof. já enguli muito sapo, mas hoje não engulo mais. Só me fez mal. Peguei doenças crônicas por isso (nem sabia que era por isso), fiquei gorda, o meu apetite aumentou, meu nível de estresse ficou alto, o sangue subia pelas minhas veias e eu tinha vontade de esganar a pessoa, mas engolia calada.

Me fez muito mal aquilo. Hoje, nunca mais faço isso. Hoje, eu extravaso mesmo. Seja lá com quem for que me ataque.

beijos

Marcio Nicolau 5 de setembro de 2010 11:12  

Radicalmente contra a engolir sapo, embora, muitas vezes eu seja obrigado a fazê-lo. Uma violência alargar a garganta para o anfíbio passar. Sugiro ruminá-lo, como as vacas fazem com o alimento. Processá-los lentamente como o fazem as cobras, talvez lhes dê tempo de nos intoxicar. Estou farto de ratos e baratas, não aguento mais esses bichos escrotos, que vivem nos esgotos.

"Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...

Pulgas!
Que habitam minhas rugas" (Nanso Reis, Arnaldo Antunes e Sérgio Brito)

"insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor Piedade
Pra essa gente careta e covarde"
(Blues da piedade - Cazuza e Frejat)

Renato Orlandi 6 de setembro de 2010 00:18  

Aaah, é tanta coisa em jogo para soltar os leões que só de pensar me cansa a beleza, alguns acreditam que ser "resignado" e aguentar sapos é uma virtude profissional muito valiosa... Mas tudo tem limite né! Obrigado pelas visitas e o carinho de sempre, abraçoooo!

♫ ♪ Wilson ♫ ♪ 6 de setembro de 2010 01:11  

Olá meu amigo,

Engolir sapo não é fácil.

Mas, já tive que engolir alguns..affe

Passei para te desejar uma excelente semana.

Deus esteja contigo.
Abraços

Carlos Augusto Matos 7 de setembro de 2010 04:32  

A vida hoje em dia está fadada e fardada a este comportamento do ser humano... E quem não engolir, pode se engasgar...

Abração...

Luma Rosa 7 de setembro de 2010 12:44  

Acho que abrimos brechas para que aconteça o desaforo, mas que existem desaforados nonsenses, isto existe! Mas aos nonsenses não damos trela, já as brechas, tentamos corrigí-las. Feliz dia da pátria!

Daniel 7 de setembro de 2010 14:11  

Quem nunca engoliu sapos profissionais, não é mesmo? No início de minha vida profissional tive uma chefe que pelo amor de Deus... rsrs. Tem texto novo no Sub Mundos. Um abraço.

http://submundosemmim.blogspot.com

Ebrael 12 de setembro de 2010 21:48  

Valdeir,

Antes de alguém vociferar, reagindo com impropérios à ofensa de alguém, há uma faísca mo interior do vulcão de seu coração. Não adianta! Temos instinto de defesa.

Quando, realmente, não os importamos com o que falam os outros, quando nos faz diferença, quando estamos ca...ndo e andando pra essas coisas, tudo bem!

O problema é quando tentamos equalizar o rombo em nossa represa instintiva com remendos fracos e não canalizamos a energia resultante pra irrigar outras áreas de nosso dia-a-dia. Então, buracos se formam no leito de nossa barragem e redemoinhos corroem, como numa erosão infinita, o leito de nossa auto-estima. Implodimos pra dentro de nós mesmos, como baratas que se acham merecedoras de serem ESMAGADAS.

Cabe a reflexão!

Abçs,
Ebrael.

Mente Hiperativa 18 de setembro de 2010 19:46  

Cada um reage à sua maneira diante do stress do dia-a-dia, alguna engolem o sapo, outros metem a frigideira na cara dele... rsrsrs. Tudo depende do nosso temperamento, e da nossa paciência no momento.

Isso me fez lembrar a introdução de um livro psiquiátrico que li sobre pessoas que sofrem, ele dizia que algumas pessoas sofrem caladas (intrapunitivas), enquanto outras sofrem e fazem sofrer os que estão ao seu redor (extrapunitivas)

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