28 de agosto de 2010

Nostalgia: saudade do inexistente


Há uma acepção não-dicionarizada da palavra nostalgia: “sentir falta de algo que nunca existiu”. Ao contrário do que possa parecer, esse conceito não é paradoxal.



Por exemplo, os homens das cavernas experimentavam o frio. Tinham, por isso, necessidade de alguma coisa (que até então não existia) para aquecê-los: o fogo.

Houve também o momento em que os ser humano via como limitada a linguagem mediante sinais e desenhos. Ele precisava de algo (ainda inexistente) que sistematizasse seu pensamento e tornasse a comunicação mais expressiva: a palavra.

Conforme esse conceito de nostalgia, a maneira de sentir falta de alguma coisa é experimentar aquilo que provoca o sentimento de ausência. Por exemplo, só temos consciência do silêncio, porque o som é uma realidade concreta. Se desde o nascimento, vivêssemos num ambiente em que só fossem produzidos sons, teríamos necessidade do silêncio, embora não soubéssemos que nome dar a ele.

Possivelmente, era isso que Lulu Santos quis dizer ao compor a música Certas Coisas:


Não existiria som se não
Houvesse o silêncio
Não haveria luz se não
Fosse a escuridão
.....................................

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que
eu não sei dizer


A vida, portanto, é uma incessante busca por algo que temos consciência de que nos faz uma enorme falta. Entretanto, tal consciência não nos mostra que coisa é essa. Isso provoca uma certa angústia, denominada nostalgia. (Texto de Valdeir Almeida)







19 comentários

digitaqueeuteleio 28 de agosto de 2010 21:01  

Valdeir, engraçado que quando recordo destas coisas no blog, a falta que sinto não é nem material, mas da sensação daquele momento, do que se viveu (ou seja, que já existiu!) e todas as lembranças acerca daquilo que nos faz recordar. E o passado e o futuro formam uma ponte para este tipo de nostalgia cronológica.

Será que um dia falar de blog será nostálgico também?

Um abraço! *Muito interessante este texto.

Marcelo.

HSLO 29 de agosto de 2010 00:44  

maravilhosa reflexão, eu não gosto muito de usar esse termo...sei lá não existe em minha vida momentos nostálgico. A convivência com a solidão já basta.

obrigado pelos votos de felicidade deixados em meu blog.

abraços

LILIANE 29 de agosto de 2010 11:27  

"...tem certas coisas que eu não sei dizer..."
O Lulu Santos soube traduzir em canção essa sensação diferente que sempre nos acompanha e que eu nem sabia que se chamava nostalgia.
O ser humano é bem complexo e para ser sincera acho que hoje eu estou bastante nostálgica.
Grande abraço Valdeir,
Gostei de me lembrar do Lulu Santos.

brasildobem 29 de agosto de 2010 13:08  

Adorei o texto, o sentimento que me provocou, a consci^ncia de algo nostálgico que às vezes toma conta, enfim, da letra da música. Parabéns!
Abraços,

Saulo Taveira 29 de agosto de 2010 13:19  

Adorei o texto!
Mas angustiante saber que sempre haverá a falta de algo, mesmo que não tenha nome.
Me fez lembrar:
"...hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfônica."
Gosto de dizer - Fernando Pessoa.

Tenha um ótimo domingo.

•*♥*• Sanzinha •*♥*• 29 de agosto de 2010 14:49  

Eu sei bem oq é sentir saudade do que não existe. Sinto muita.
Que post lindo, Valdeir. Lindo mesmo.
E eu adoro Lulu Santos.
Perdão pela ausência, mas as coisas andam corridas por aqui.

Beijo grande!

Ah! Hoje é aniversário do Wilson e do irmão dele. Passa lá pra comemorar com a gente!

Max Martins 29 de agosto de 2010 16:54  

Olá, Valdeir

Essa percepção de que algo nos falta traz uma certa inquietude. O fato de não sabermos o que estamos buscando é o que nos leva por vários caminhos até nos encontrarmos. Esses caminhos são fundamentais na construção e autoconhecimento. Creio que isso é inerente ao ser humano e é o que faz com que possamos evoluir ao longo da vida.

Forte abraço!

Marise von 29 de agosto de 2010 17:26  

Valdeir,

A nossa vida é mesmo uma eterna busca...não sabemos o que procuramos, algo...que nos complete. E, isso é que dá sentido a nossa vida, nos faz seguir adiante.

Abraços e um boa semana.
Marise.

Saulo Taveira 29 de agosto de 2010 19:08  

Obrigado pela visita.
Seja bem vindo ao Partitura.

Abraços e ótima semana.

Priscila Rodrigues 29 de agosto de 2010 20:36  

Ótima reflexão..

Uma das coisas óbvias da vida que, as vezes, passam despercebidas.

Beijão. Ótima semana.

30 de agosto de 2010 10:52  

sou muito nostalgica. Penso que ao longo de nossas vidas vamos guardando em nossas gavetinhas do coração as coisinhas mais nos fazem lembrar com muita nostalgia aquilo que vivemos. Sejam elas, alegres ou tristes, mas são verdades gostosas de lembrar com saudades e nostalgia.
Já de volta a vida cotidiana, cheia de vida e muitas reflexões feitas, sempre agradecendo ao bom e maravilhoso Deus aquilo que ele me dá com carinho e misericordia. Mais do que uma simples viagem esses dias para mim foram de um aprendizado maior sobre a vida de um povo, que no maior anonimato vai vivendo sem medo de amar e ser feliz, tirando do nada aquilo que para sua sobrevivência é necessário. Um povo que sofre uma miséria sem fim, mas ainda conserva nos ábios um sorriso carinhoso com aqueles que lhe são caros. Um povo mais que educado, e mesmo sem saber na sua maioria assustadora ler e escrever, mas que é de uma cultura ímpar. Aos poucos vou colocar aquilo que vivi, senti, chorei, sofri, me alegrei e mais que tudo aprendi a amar e respeitar.
Beijos meu caro e grande amigo.

Drica 30 de agosto de 2010 11:55  

Ótima reflexão,porém triste. Sinto saudade de algo que somente eu vivi, pois estava inteira.

30 de agosto de 2010 12:23  

Nem me fale. Também sinto falta, do que não sei. rrs
Esta procura só acaba quando encontramos, e só sabemos que é o que procurávamos quando passamos a perceber o que foi preenchido. PAZ MEU QUERIDO!

Daniel 30 de agosto de 2010 19:54  

A carência é algo que nos motiva, de certa forma! A falta de algo ou alguém sempre nos leva ao avante, ao querer mais. Um abraço.

http://submundosemmim.blogspot.com

Marco Alcantara 30 de agosto de 2010 22:32  

Hoje estou nostalgico. Talvez tenha sido a mudança de estado, sair do sudeste para o nordeste foi dificil. Gosto de lembrar da familia e dos amigos que ficaram lá.

Sinto falta e que te-los por perto...

Nostalgia no meu caso é mais tristeza pela impotência de não estar perto do que qualquer outra coisa.

ABraço ótimo texto.

Renato Orlandi 31 de agosto de 2010 02:14  

Que desesperador isso rs, porque nunca sabemos o que nos falta exatamente, só descobrimos quando alcançamos... Mas faz muito sentido, apesar de que eu pense que saudade e nostalgia sejam a mesma coisa rs. abraçoo!

31 de agosto de 2010 08:43  

Marco Alcantara, não fique, daqui a 1 ano tudo passa, rsr mas só daqui a 1 ano srsr
Quando sai do sudeste para o Norte foi uma tristeza que parecia não ter fim. Mas depois passou. Fique firme meu querido. Paz!

Drica 31 de agosto de 2010 10:23  

Valdeir, desculpe-me apaguei seu cmomentário em meu blog. Por favor, se possível peço sua ajuda, pois não sei como montá lo direito , desde já adradeço sua colaboração. Drica.

Weslley Almeida 4 de setembro de 2010 23:57  

Já tive nostalgias do que vivi e do que não (como conceitua seu texto. Parece que a segunda é mais forte do que a primeira...
Cabe aqui reflexões profundas ainda. Uma delas é que essa "incessante busca por algo que temos consciência de que nos faz uma enorme falta" pode ser denominado Deus ou Amor. Um é o outro. E o primeiro é fonte do segundo. Pois não deixa aquele de ser este.
Mesmo um ateu, quando ama, está - ainda que sem saber - proximo daquEle que é o inventor do amor.

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