4 de junho de 2010

A morte anunciada e o adeus não dito


A Leila me ligou várias vezes durante a noite. Eu estava acordada, mas não atendi, por causa do cansaço. Pensei: ‘Amanhã falo com ela’. Hoje vi a notícia da morte dela na TV. Me sinto muito mal com isso. Ela queria minha ajuda ou então se despedir de mim, e eu não a escutei”. Declaração emocionada de uma amiga de Leila Lopez, na manhã seguinte à morte da atriz.

É inevitável fugirmos à correria do dia-a-dia. E, justamente por isso, precisamos de descanso. Mas, de repente, aquele amigo seu que nunca foi inconveniente e sempre entrou em contato com você nas horas apropriadas, lhe telefona em momentos incomuns. Aquela “anormalidade” pode ser algum sinal: um desabafo curador, um pedido de ajuda, uma despedida.





31 comentários

Eu Meus Reflexos e Afins 4 de junho de 2010 08:16  

Ei!
Belo post.
Saudades daqui e ti la no meu canto.
Bjins entre sonhos e delírios

Wanderley Elian Lima 4 de junho de 2010 08:58  

Olá Valdeir
Imagino a cabeça dessa moça até hoje, poderia ter sido a salvação, mas acredito também que nada nem ninguém pode mudar a hora de alguém partir.
Grande abraço

Max Martins 4 de junho de 2010 11:04  

Verdade, Valdeir.

Essa situação de olhar pro celular, ver quem está chamando e não conseguir atender é o auge do cansaço. Se não ficarmos atentos, a correria pela sobrevivência acaba nos afastando até mesmo dos amigos.

Abraços e um ótimo fim de semana.

digitaqueeuteleio 4 de junho de 2010 12:13  

Já postei no blog sobre "sinais", e eu não deixo passar estas coisas despercebidas. Quando noto um comportamento diferente do habitual de alguém, alguma coisa sei que tem a nos dizer.

Imagina a culpa que esta mulher vai carregar pra ela?

Abraço, Valdeir!
Marcelo.

Neto 4 de junho de 2010 13:02  

O texto é realmente reflexivo Valdeir!

Nas horas incomuns, ao receber um telefonema, sempre supomos que há algo no ar. Quando o assunto é como este ocorrido, pode-se mesmo desabar. Aquela pessoa poderia estar querendo nos dizer 'alguma coisa'.

É por isso que reflito muito sobre a importância e a qualidade de minhas amizades. Há pessoas que realmente merecem que nos levantemos da cama as 3 horas da madrugada para ser atendida.

Foret abraço.

Ps. Enviei um email pra você!

brasildobem 4 de junho de 2010 13:14  

Que situação! Eu no lugar dela, também ficaria muito mal...sabe-se lá se ao atender o telefonema esta morte poderia ter sido evitada? São tantas as conjecturações que se pode pensar, mas aliviar este sofrimento da amiga, só o tempo é que pode curar.
Bjs
janeisa

jamesp. 4 de junho de 2010 15:12  

Valdeir,temos que estar sempre atentos a estes sinais.E tentar sempre ajudar as pessoas que amamos quando elas mais precisam.Ótimo post,como sempre.
Um abraço.

Rute 4 de junho de 2010 17:11  

Parabéns pela postagem Valdeir!Eu sempre falo que na correria do dia a dia, as pessoas nunca estão atentos a detalhes. Detalhes que podem salvar uma vida. Por isso é muito importante, prestar atenção em qualquer que seja a esses sinais, mesmo que seja algo insignificante.
Obrigada pelas palavras no meu blog, gostaria de fazer muito mais por aquela criança. Mas tenho certeza o pouco que eu fiz, mudou uma história.
Beijos , ótimo final de semana a vc!!!

Roberto Hyra 4 de junho de 2010 18:03  

Texto profundo, comovente e reflexivo.

Por vezes é muito importante para nós, a atenção que damos ao outro. Esta pessoa pode estar necessitada de uma palavra amiga, de ouvir uma voz de alguem familiar ou mesmo de um conselho positivo num momento muito dificil que ela passa.

Concordo com o comentário do Wanderley acima quando menciona o quesito 'destino', mas este seu texto apresenta bem a ideia de que NUNCA devemos ignorar um chamado de alguem, ou a mensagem subliminar de um amigo.

Parabéns pelo texto professor. Abraços.

Em@ 4 de junho de 2010 19:44  

Valdeir:
temos que estar atentos aos apelos mudos de quem precisa. e é preciso tão pouco...só deixarmos de nos concentrar no nosso pequeno mundo.
beijo e bom fim-de-semana

"Política sem medo" 4 de junho de 2010 22:10  

Pois e Valdeir, as vezes o cansaco nos domina mas sempre e bom um pouquinho mais de esforco. Nao sei se voce corre mas quando corremos apos o primeiro quilometro nos pensamos,nao, nao vou aguentar. Dai relaxamos um pouquinho e comecamos a contar as passadas e ver que continuamos ainda, mais e mais. Eu sempre achei que o ser humano e importante demais para ser ignorado. Antes de ser porfessora eu trabalhava na secretaria da escola e sempre tive alguns problemas com a secretaria que queria um horario rigido. Passou dois minutos nao atender mais, so depois de uma hora de almoco. Eu jamais deixei alguem ir embora sem atendimento mesmo ficando com menos tempo para comer. Sentia-me tao bem. As vezes eram maes que chegavam suadas e cansadas e o seu olhar de desilusao por nao poder ser atendida sempre tocou fundo em mim. Acho que por isso Deus tem sido tao bom comigo. Desculpe contar isso Valdeir. Sao lembrancas boas que compartilho. Abracos.

Luma Rosa 4 de junho de 2010 23:34  

Eita! Não dá para crucificar a amiga, porque vai que a Leila vivia ligando para chorumelas no meio da noite? E pelo que sei, ela era bem complicadinha. Na verdade, nunca imaginamos que a pessoa que está do outro lado, está ao ponto de cometer um atentado contra a própria vida! A amiga não pode se culpar de nada! Não foi por causa dela que tudo aconteceu e muito menos pudesse evitar - Já assistiu o documentário "A ponte"? Neste documentário fala-se basicamente dos motivos, porque as pessoas comentem suicídio e porque as pessoas se entregam, não querem mais modificar suas vidas.
Cada caso é um caso, lógico! No caso da Leila, ela sempre agiu contra a sua própria natureza, o que a meu ver, já é morrer um pouquinho a cada dia!
Bom fim de semana! Beiju,s

Valdeir Almeida 5 de junho de 2010 00:06  

Luma,

No texto, eu não culpei a amiga. Releia: "Aquela 'anormalidade' pode ser algum sinal: um desabafo curador, um pedido de ajuda, uma despedida". Conseguiu entender agora? Mais claro do que isso, impossível.

Daniel 5 de junho de 2010 00:52  

E verdade! corre-corre do dia-a-dia nos deixa cegos para esses tipos de situações. Tem texto novo no Sub Mundos. Um abraço.

http://submundosemmim.blogspot.com

♫ ♪ Wilson ♫ ♪ 5 de junho de 2010 14:08  

Olá, amigo.

Um texto para refletirmos se não estamos tão ocupados a ponto de não dar atenção a um amigo que às vezes te procura num momento de desespero, de grande dor. Nunca sabemos por que aquela pessoa te ligou se não atendermos ao chamado. (tirando fora os inconvenientes). Texto excelente meu amigo.

Desejo-te uma tarde maravilhosa e um domingo cheio de luz.
Deus esteja sempre contigo!

Éverton Vidal Azevedo 5 de junho de 2010 20:02  

É verdade Valdeir... é verdade...

Rond 5 de junho de 2010 22:44  

A amiga da Leila nunca vai se perdoar!!!!
trash

Elisa 6 de junho de 2010 08:24  

Discordo do comentário da Luma. Isso não existe. Por mais que uma pessoa seja estabanada em seu modo de agir, ou queira perder sua vida, num momento como esse*, ela não teria discernimento algum para ligar para uma amiga. Se o fez, era porque não queria se despedir, mas sim de um novo 'alento' para ao menos tentar continuar vivendo.

O comentário da Luma indica que ela não dá nenhum valor à vida - dos outros, óbvio! Lamentável!

Elcio Tuiribepi 6 de junho de 2010 11:27  

Olá amigop...bem lembrado...uma postagem que nos faz pensar e repensar no valor que damos as coisas e as pessoas...
Na importância que cada momento as vezes pecisa ter de nós, mas ao esmo tempo isso é humano, no sentido mais humano da palavra humano, porém, sempre que nos damos ontadisso bate esta interrogação??
Um abraço na alma...bom domingo

Psiquismo Desmistificado 6 de junho de 2010 18:51  

Meu amigo Valdeir,
Gostei do texto. Essa é uma grande verdade. Muitas vezes quando somos procurados por alguém, mesmo que não seja um amigo próximo, pode haver uma necessidade do outro. Basta, nessa hora, uma palavra. Uma única palavra. E provavelmente terá feito o bem que o outro precisava.
Um grande abraço e ótimo início de semana.

Obs: tem um selo lá no meu blog para ti: "homens fabulosos"

Weslley Almeida 6 de junho de 2010 20:43  

O desafio de compartilhar as nossas vidas é também um mistério: não sabemos no que isso pode dar. É o caso relatado. Mas, certamente, é um caminho mais profundo e salutar do que o individualismo proposto por este tempo.
Abraço, Val!

Sheila Passuello 7 de junho de 2010 09:01  

Oi, amado irmão.
Este é um exemplo trágico que chegou ao extremo, porém, acredito que a Leila já estava morta muito antes do seu suicídio.
O mundo esta cheio de mortos vivos.
E nós....vamos caminhando com os olhos fechados nesta dura realidade.
Toda vez que deixamos de dar amor, atenção, carinho, toda vez que nos ausentamos de nossas responsabilidades como cristãos, quando fechamos nossos olhos para a criança abandonada, para o mendigo maltrapilho e faminto, para o jovem drogado, para a mulher violentada,etc, etc, toda vez que NOS FECHAMOS para estas realidades, matamos um pouquinho de cada ser humano.
A Leila é um exemplo que veio ao conhecimento público, mas quantos e tantos outros existem que não tomamos conhecimento, ou às vezes sabemos sim, mas....felizmente não é comigo nem com vc, então tá né? Fazer o quê? Acontece.
Fazemos muito mais parte de tudo isso do que podemos imaginar.
Somos cúmplices de todo esse caos, pois estamos cada dia mais ausentes. Cada dia mais trancados em nossas casas, em nossas fortalezas, em nossos mundinhos e cada vez menos comprometidos com nossas reais responsabilidades.
Precisamos parar de pensar que o que acontece com o vizinho esta longe de acontecer conosco.
Precisamos andar como Cristo andou, viver como Ele viveu e fazer as mesmas coisas que Ele fez. Não dá mais pra viver sentado em bancos de igrejas esperando o milagre cair do céu, nós somos o milagre de que JESUS fala, precisamos ir à campo, fazer nossa parte, amar, perdoar, amparar, acolher, afinal o grande milagre de JESUS esta em nós.
Se crermos e não dúvidarmos faremos obras ainda maiores que o Senhor fez, está em nossas mãos mudar o mundo.
Digo isso não porque acho, mas porque esta escrito.
E porque cri,aqui escrevi.
Deus nos abençoe e nos capacite, porque o caos está à porta....e de todos.
Boa semana.

Vanna 7 de junho de 2010 10:42  

Concordo com o comentário anterior. Temos q ajustar sentimentos para cuidar d nós mesmos e do outro o tempo inteiro e não fugir inventando uma falta d tempo extremo.
Abraços, linda semana.

7 de junho de 2010 11:46  

Sabe meu querido amigo, ao lado de minha cama tenho uma comoda de cabeceira com meu telefone fixo e meu celular, que fica ligado 24 horas. Tenho mãe e sogra idosas que percisam de mim, Tenho amigos doentes e muitos carentes de nossos ombros. Nunca fico sem atender os tefs, nem mensmo na madrugada. Faz e sempre fará parte da minha vida ajudar e ser prestativo, seja lá para o que for, até mesmo para ouvir algumas lamurias bobas.
Não sei o dia de amanhã, mas com certeza precisari de alguém e esse alguém irá me socrrer.
Texto perfeito é por isso que nunca me esqueço de ti. você está a nos alertas para bem.
Beijos e linda e abençoada semana para ti!

Alma Inquieta 7 de junho de 2010 20:29  

Olá Amigo Valdeir!

Sabes, eu já passei aqui a ler-te, mas não sabia nem o que dizer.
Hoje voltei, porque esta situação mexeu comigo e um comentário que, seguramente, vais identificar sem que eu diga, foi o que me fez escrever...
Olha, eu não sou melhor que ninguém, mas acho que nunca mais conseguia dormir tranquila se fizesse o que esta amiga fez...,
O que te vou contar passou-se há uns anitos largos..., no mínimo 10 anos...
Para que possas avaliar..., num sábado, um amigo meu, que nem era tão amigo..., mas era... e já vais ver porque digo que nem era tão amigo... telefonou-me mesmo na hora do almoço... e disse-me:
D. Amélia, estou a ponto de cometer uma loucura..., não vejo saída para a minha vida!
Eu tinha o fogão ligado e estava a fazer o almoço.
O meu marido não estava em casa, tinha ido ao ginásio e eu tinha comigo o Anjo lindo que Deus me deu... a minha filha!
Que fiz eu?
Disse-lhe: Filipe, não saia daí que, em 15 minutos eu chego...
Desliguei o fogão e telefonei para o meu marido, mas ele não atendeu porque o telemóvel estava no armário do ginásio.
Mas eu fui... e levei a minha filha comigo. Com a pressa, nem me lembrei de deixar um bilhete ao meu marido...
Passados nem 15 minutos eu estava ao lado do Filipe..., uma pessoa que tinha perdido o pai e a irmã no espaço de três meses...
Estava de rastos..., eu não consegui conter as lágrimas e agora que me lembro disto... tão-pouco...!
Dei-lhe um abraço, como eu costumo dizer, dos que sobram as palavras... e ainda hoje, tanto ele como a sua mãe, dizem que esse abraço salvou-lhe a vida...
Tive uma chamada telefónica muito desagradável do meu marido, porque chegou a casa e viu a panela no fogão, mas o fogão desligado e a comida por fazer..., mas que me importam essas palavras desagradáveis ou a má cara que me mostrou quando regressei? NADA, ABSOLUTAMENTE NADA!
Para que vejas o anjo que é a minha filha..., foi ela que disse e fez ver ao pai que ele estava errado e que o levou a pedir-me desculpas pela forma como procedeu...
Mas, além de conseguir evitar um mal maior, a minha filha já na época, com cerca de 11 anos, dava lições de solidariedade e humanismo aos adultos... e chega que já me emocionei quanto baste...

Um beijo e que tenhas uma excelente semana.

Carlos Augusto Matos 7 de junho de 2010 22:31  

E quando não ouvimos esse pedido de ajuda, fica o arrependimento...

Abração...

Lugirão 8 de junho de 2010 14:34  

A pessoa em questão se sentiu culpada por não ter atendido aquele telefonema. Mas quantos antes desse atendeu? Não se pensa que é urgente se a pessoa que ligou não indicar isso.
Não acho que tenha que se sentir culpada. Mas sei também que é difícil não pensar que poderia ter feito diferença se tivesse atendido.

Lembro de ter visto a Leila na tv pouco antes de sua morte e se não fosse pelo nome não a teria reconhecido, em nome da vaidade as pessoas fazem muita coisa , ela estava fisicamente muito estranha.

LILIANE 9 de junho de 2010 18:56  

Carissimo Valdeir,
Sempre proveitosa nossa visita neste lugar.
Muito apropriada esta postagem. Profunda...
Cada um a interpreta de acordo com o que carrega no seu interior.
Penso que somos pessoas limitadas.
Pelo tempo, pelo corre-corre da vida, por nossos conflitos e esses limites nos levam a refletir sobre o que deveria ser mais importante no momento presente.
Longe de sermos deuses com capacidades de prever o futuro e evitar finais tristes.
Culpa geralmente nos paralisa.
Experiencia nos transforma.
Que esta reflexao nos possibilite mudar nossos comportamentos.
Carinhosamente
Liliane

http://sonhareser.blogspot.com

Marise von 12 de junho de 2010 20:05  

Valdeir,
Nós não sabemos o que vai contecer consoco e nem com os outros.
Por isto, devemos viver cada momento, como se fosse o último de nossa vida.
Abraços,
Marise.

Renata de Aragão Lopes 14 de junho de 2010 13:02  

Que postagem bem-vinda!

Às vezes,
não damos atenção
a quase impercetíveis
pedidos de ajuda...

Um abraço,
doce de lira

Daniel Savio 5 de agosto de 2010 15:42  

Relamente é um caso triste para se pensar...

Pois amigos deveriam ter prioridade na nossa vida.

Fique com Deus, menino Valdeir Almeida.
Um abraço.

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