25 de abril de 2010

Leitores e Foliões


Quando um governo se torna totalitário, uma de suas primeiras iniciativas é destruir livros. Os leitores que já têm as letras dos livros transformadas em conhecimento possuem a sabedoria na memória, mas as futuras gerações não terão o privilégio de expandir horizontes através da leitura.



Na democracia não há queima de livros, mas o dinheiro público é usado em coisas desnecessárias em vez de ser investido no estímulo à leitura. Por exemplo, milhões de reais são destinados ao Carnaval, enquanto programas educativos – como o de incentivo ao amor pelos livros – não recebem a devida atenção. Entretanto, para os governantes é menos “perigoso” e mais lucrativo investir em festas que duram dias a fio do que permitir a formação de leitores a debruçar algumas horas num livro.

O livro estimula a reflexão e o questionamento, o que pode levar os leitores a conclusões realísticas e decepcionantes a respeito do governo. Já a festa carnavalesca pura e simples equivale à distribuição de pão e circo, que entorpecem as pessoas sem senso crítico; são vendas nos olhos dos foliões.



P.S. Evidentemente, não estou fazendo uma crítica moralista contra o Carnaval. Minha indignação é quanto ao alto investimento que se faz nessa festa (sobretudo na Bahia), enquanto a Educação continua a receber recursos parcos. É óbvio que existem leitores foliões; eles se divertem, mas têm consciência de que aquilo é apenas uma diversão e não uma mordaça em forma de entretenimento. (Texto de Valdeir Almeida)




33 comentários

Alma Inquieta 25 de abril de 2010 19:09  

Olá Amigo Valdeir!

Tens toda a razão!
Mas por cá o panorama não é diferente!
Pela minha parte, sempre trago comigo um amigo - um livro!
É verdade, cheguei a ir comprar um livro porque queria ler durante a hora do almoço e tinha-me esquecido de o meter na pasta. Resolvi o assunto... fui comprar outro que estava na minha lista para ler...

Um beijo e boa semana.

Max Martins 25 de abril de 2010 19:22  

Valdeir,

Excelente texto.
Concordo que não há censura nem queima de livros, porém (como você disse) não há o menor interesse dos governantes em investir na formação de cidadãos críticos. Quanto mais ignorante for o povo, mais fácil de ser ludibriado.
Já reparou que os programas educativos são transmitidos nos horários de menor audiência? Ao menos na TV aberta, que é gratuita e feita para a maioria da população que não tem dinheiro para pagar uma assinatura de televisão.
Não quero me distanciar do assunto, mas ressaltar que aqueles que tomam as decisões em nosso país não estão interessados em Educação. Seria o mesmo que investir contra o próprio patrimônio, no sentido literal.
Quanto ao carnaval, o que se pode dizer é que o lazer é um direito de cidadão, garantido pela constituição. Entretanto, concordo com você que há uma inversão de prioridades em relação aos investimentos citados no texto.

Um forte abraço e um ótimo começo de semana!

Catarino 25 de abril de 2010 20:13  

Dizem que os brasileiros lêem pouco, mas se formos ver os preços dos livros até que lêem bastante.
Realmente é preciso um maior investimento por parte dos governos para que haja mais cultura e conhecimento.

Prof. Adinalzir 25 de abril de 2010 21:21  

Meu caro Valdeir

Seu texto retrata uma grande realidade. Aqui no Rio de Janeiro acontece a mesma coisa.

No momento, estamos com um tal de Viradão Carioca que leva shows, concertos, exposições, exibições de filmes e espetáculos circenses às praças, ruas e centros culturais da cidade até esse domingo. E tem o dedo da Rede Globo.

Eu não sou contra, mas acho um verdadeiro "Pão e Circo", para mascarar a real situação da cidade, depois dos problemas causados pelas chuvas. Quem sabe?

Abraços e muito obrigado pela visita ao meu blog!

Wanderley Elian Lima 25 de abril de 2010 21:26  

Mas os brasileiros aprenderam com os romano: Pão e circo, cultura fica pra elite.
Abração

VELOSO 25 de abril de 2010 22:02  

Simples direto e perfeito! valeu!

Weslley M. Almeida 25 de abril de 2010 22:14  

Panis et circenses!
É uma política que dura (e funciona) a séculos.
E a leitura é caminho de libertação. O que não é muito interessante para quem precisa da ignorância para se (re)eleger...
Abraço, meu caro!

Daniel 25 de abril de 2010 23:12  

A culpa do brasileiro não ler é do governo que não estimula a leitura. Tem texto novo no Sub Mundos. Um abraço.

http://submundosemmim.blogspot.com

Elisa 26 de abril de 2010 10:14  

Faço minhas as palavras do Max Martins.

Tento de várias formas mostrar aos meus alunos a diferença entre a festa (o pão e circo) e as leituras.

Mostra-lhes o quanto ganham deixando algumas vezes de participar dessas festas inutéis e se dedicando a um livro. Óbvio, sem tirar o merecido lazer deles. Apenas no sentido de procurar o que é bom.

Boa semana Professor!

Carlos Augusto Matos 26 de abril de 2010 12:37  

Sinceramente Valdeir... Eu odeio carnaval e amo ler... Neste País nada presta... Como podemos chegar ao nível de 1ª mundo desta forma? Não há como! É revoltante... E acabar com um livro pra mim é um pecado de 5ª nível, prisão perpetua... Mas... O Brasileiro gosta mesmo é de ver bunda de fora, e peitos, do que aumentar seu conhecimento sobre mundo lendo um livro... Fazer o que né?

Abração...

Wilson 26 de abril de 2010 16:25  

Cabe a nós, Valdeir, plantar nos coração daqueles que virão a semente do gosto pela leitura, e lutar para que a educação melhore sempre.
Seu post está de parabéns.
Desejo que vc tenha uma ótima semana!
Abraços!

"Política sem medo" 26 de abril de 2010 18:52  

Caro amigo Valdeir, o Max disse que nao ha censura e nem queima de livros. Entao ele nao viu o que aconteceu na greve dos professores de SP onde a APEOESP queimou centenas, quica milhares de livros de Sociologia, Filosofia e Psicologia? E assim que comeca caro amigo! Eu tenho as fotos la no Politica...e so visitar e constatar. Otimo texto professor e eu concordo consigo quanto a o pouco incentivo que os governos dao para a leitura de livros. Abracos!

Roberto Hyra 26 de abril de 2010 19:38  

O pouco incentivo do governo para a leitura se baseia em um tema antigo no Brasil: o de que pessoas bem instruídas votam melhor, não apoiam sacanagens dos políticos, tem melhor discernimento, tem opinião e sabems e fazer respeitar, em suma, dão muito e mais valor a coisas como a ética.

Na verdade, tudo o que eles não querem.

Muito bom tocar neste assunto. Um forte abraço amigo Valdeir!

jamesp. 26 de abril de 2010 20:52  

Valdeir,como eu disse no meu post da campanha do teatro,nosso país nunca vai ser plenamente desenvolvido se não investir muito em educação e cultura.Excelente,como sempre.
Grande abraço.

Em@ 26 de abril de 2010 21:10  

Vladeir, isto é igual em todo o lado hoje em dia...pelo menos eu oiço as mesmas queixas.
Imaginas, que aqui em Portugal, a Leya queimou (dizem eles que reciclou) milhares de livros há pouquíssmo tempo e, pelos vistos, isto acontece todos os anos e com todas as editoras. houve petições e pedidos vários para que o mesmos fossem mandados para Angola, Moçambique, Timor, Guiné-Bissau, Cabo-Verde e S. Tome e Príncípe , mas como não lhes pagavam os portes...

Nota: tem um selo à sua espera. :D

brasildobem 26 de abril de 2010 21:59  

É verdade! E os livros são um bem precioso para a nossa cultura, a nossa história, a nossa sabedoria. Amo comprar livros e tenho uma vasta biblioteca que me faz muito feliz, até mesmo com livros antigos. Sou enciumada, não gosto de emprestá-los, até empresto mas sempre com três "Vs": vai, volta, voando.
Abraços,
Janeisa

Rute 26 de abril de 2010 23:08  

Olá passando aqui para conhecer seu blog , parabéns pelas postagens, gostei tanto que estou te seguindo.
Infelizmente o governo não investe em leitura, o que é uma pena. Livro é tudo de bom sou fã de livros e o meu blog além de falar sobre contações de história, ele incentiva muito a leitura. Leitura é essencial na vida de qualquer ser humanos,nos tornamos críticos e formadores de opiniões para qualquer assunto ou tema.
Beijinhos a vc, seja sempre bem vindo a literatura.

Pelos caminhos da vida. 26 de abril de 2010 23:35  

Se tiver investimento na cultura o povo terá mais acesso a leitura, mas não é isso o que vemos no Brasil, investem dinheiros em muitas outras coisas que não trazem beneficio algum.

Obrigado pela sua visita, espero que volte mais vezes.

beijooo.

Andreia 27 de abril de 2010 00:44  

Olá Valdeir querido!
Como sempre tenho que concordar contigo e tirar o meu chapéu para teu post.
Todos que aqui comentaram até agora disseram também grandes verdades.
Para o governo não é nada interessante incentivar a leitura, se assim o fosse já teriam investido na educação.
O que acontece é que eles precisam de um povo ignorante e de preferência que seja além de ignorante, analfabeto.
Assim, fica bem mais fácil manipular, iludir e enganar.
Por isto temos que estar sempre falando e promovendo a educação e a leitura.
Obrigada pelas visitas meu amigo, e que Deus esteja sempre contigo!
Beijo na alma e que sua semana seja regada de muita luz...

Iara 27 de abril de 2010 11:21  

O maior investimento que se pode realizar em qualquer instituição e forma de governo, é na educação; a base de todos os segmentos socias e desenvolvimentos pessoais. O livro é a maior invenção humana. Ótimo post.

27 de abril de 2010 18:37  

Concordo com você plenamente meu querido amigo. Enquanto nossos governantes não começarem a educar nossos jovens e toda nossa população nosso país continuará do que jeito que está. Sou uma leitora compulsiva e quando posso doou meus livros.
País sem cultura é nada e meu já dizia que muito conveniente aos governantes não dar acesso a cultura ao nosso povo.
Beijos meu lindo!

Juninho Santos 27 de abril de 2010 19:19  

Perfeita sua análise Valdeir, não só a educação perde com a falta de investimento.Outros setores também poderiam ser "ajudados" pelo governo com a abundância de dinheiro que vai pra determinadas festas. Tudo bem que haja invetimentos no carnaval, afinal de contas é uma festa popular e cultural do país, mas usar a festa como uma venda nos olhos da população, que até certo ponto é leiga, isso não né companheiro.


Valdeir, depois de certo tempo sem blogar estou de volta.
Uma ótima semana pra vvc... Abraços.

Neto 27 de abril de 2010 19:20  

Os livros são o melhor presente que qualquer filho, filha, menor ou pessoa possa receber, independemente dessas festas.

Concordo integralmente com o que disse.

Abraços

Mensagens & Reflexões 27 de abril de 2010 21:59  

Parabens pela forma simples, concisa e bastante clara de expressar a má administração do dinheiro público.
Os maiores investimentos que devem ser feitos em saúde e educação, precisam sair dos discursos eloquentes e das leis sem regulamentação, e passarem para a prática efetiva.
A perpetuação das culturas e tradições de um povo não precisam de investimento governamental, porque elas são transmitidas normalmente através da oralidade.
Já o conhecimento científico necessita de um bom investimento financeiro para a descoberta de cura de várias doenças.
Abraços.
Sonia Costa
PS: agradeço a inserção do meu banner.

Marise von 27 de abril de 2010 22:06  

Valdeir,

Livros...
um tesouro que não tem preço.
Ler livros...é sonhar,
um sonho... que cada um sonha do seu jeito.
Deixar de ler é deixar de sonhar, de pensar e "ser".
E o nosso país, não quer pessoas, que sonhem com uma nova realidade e que acima de tudo "pensem".
É necessário que todos sejam "ovelhas de presépio".
Podemos ver a realidades que estamos vivendo no livro "1984" do escritor George Orwell, o mesmo escrito em 1948
( É um dos meus preferidos).
Parabéns pelo seu post.
Agradeço a sua visita e desejo uma excelente semana.
Abraços,
Marise.

Max Martins 28 de abril de 2010 00:29  

Valdeir, peço licença para responder ao comentário do usuário "Política sem medo".
Eis o que disse a presidente da APEOESP:

Maria Izabel disse ainda que o episódio da queima de livros no ano passado não foi uma ação de professores, mas de alunos. "Quero que ele dê nome aos bois e diga quem da Apeoesp estava lá. Ele vai ter que comprovar, isso é leviandade e eu não admito."
Link da matéria:http://noticias.limao.com.br/geral/ger81611.shtm


O que eu quis dizer com "não há censura nem queima de livros" foi o seguinte: não estamos mais na ditadura, não há proibição aos escritores de abordarem um determinado assunto. Portanto, não há censura. Mesmo que as editoras tenham o poder de escolher e vetar um determinado livro, mas isso depende da linha que seguem.
Quanto à queima de livros, estava me referindo ao que aconteceu durante a ditadura. Quem conhece a história do país sabe o quanto esse período foi prejudicial ao nosso país. Pode ser comparado com a Idade Média onde havia perseguição e queima de seres humanos. Foi um grande atraso para ciência e para a humanidade. O Brasil perdeu muito quando os militares estiveram no poder, sobretudo, vidas.
Reforço o que disse no primeiro comentário: não existe mais uma lei que proíba os livros. Ninguém poderá queimá-los por não estarem ao gosto do governo. É disso que estou falando.
Quanto aos livros supostamente queimados por "professores", isso não quer dizer que não apóiem a leitura ou a Educação. "Pra bom "entendedor" meia palavra basta" ou "pra quem sabe ler, pingo é letra". Não vou desenhar para o seu entendimento, mas essa atitude foi para demonstrar o que o estado vem fazendo com a Educação, através do desrespeito e descaso constante e escancarado com a classe docente.
Uma ironia e tanto, não acha? Um professor destruindo o instrumento sagrado da sua profissão.
Pra finalizar, qualquer pessoa pode queimar um livro que quiser. Esse é um país livre. Cresci em meio aos livros e amo e incentivo meus alunos a ler. Inclusive, poderia jogar um livro agora mesmo na minha lareira (está um baita frio aqui) que esse ato não faria diferença alguma no que sinto em relação à literatura e à Educação. Espero que tenha entendido agora.

Um forte abraço a todos que passam por aqui!

Sumie 28 de abril de 2010 01:00  

Valdeir concordo plenamente com vc.Eu amo ler e estou sempre incentivando outras pessoas a lerem.Quanto ao governo quanto mais ignorante as pessoas melhor,assim elas não tem capacidade de argumentar a favor do seus direitos.Infelizmente o governo está pouco interessando em incetivar a leitura,por isso investe nesses programas que nada nos acrescenta.

LISON 28 de abril de 2010 19:11  

QUE POST FANTÁSTICO!
AMIGO VALDEIR
O seu texto aborda uma temática bastante complexa e, por conseguinte, com variáveis bastantes profundas. Dos grandes eventos carnavalescos é bem verdade que se fazem necessários investimentos, porém, ressalte-se, tais investimentos precisam ser dosados dentro de um equilíbrio sensato onde não se prejudique os demais seguimentos educacionais, em especial, se tratando de livros, uma das únicas armas que pode levar a libertação do homem.
Parabenizo-o fervorosamente por mais um magnífico artigo!
Abraços,
LISON.

Marise von 28 de abril de 2010 19:21  

Valdeir,

Vi e li hoje, esta esta frase de Cícero no Shopping: "Uma casa sem livros é como um corpo sem alma". Faz sentido hoje e sempre.
E lembrei deste post.
Abraços,
Marise.

Cleriton Pandini 28 de abril de 2010 20:27  

Ótimo, cara. A ideia é essa mesmo. Eu leio e curto as festas, mas e quanto a grande massa alienada? A galera que não tem perspectivas de uma melhora de vida? É triste isso e mais barato para o governo.

Abraço.

Du 29 de abril de 2010 15:52  

E não somente a educação, mas a saúde no nosso país carece de muita "competencia" pra não dizer recursos, já que existe até um imposto cobrado especificamente para a saúde, não é? Enfim, concordo plenamente contigo. Se gasta muito com coisas que ao meu ver, deveriam ficar em segundo ou terceiro plano!

Um beijo!

Daniel Savio 29 de abril de 2010 20:40  

Mas Valdeir, o problema que não trazemos nenhum visita com os livros, pois geralmente, é mais facil baixar a versão pdf na lingua que é lida pelo estrangeiro...

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de verdade.

Contudo o certo seria investir de forma equalitária entre a cultura dos livros e a cultura popular.

Fique com Deus, menino Valdeira Almeida.
Um abraço.

Danilo Carvalho 5 de maio de 2010 09:52  

Pois é...
Entendo sua sensibilidade no que tange ao Carnaval, enquanto um processo de alienação do Estado...

É triste... quando não são os foliões "amordaçados" através do Carnaval.. é a mídia que enaltece o futebol ao ponto de "preferirmos" assistir um jogo ao invés de ler um bom livro, por exemplo...

Abraços.

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