13 de novembro de 2010

O preconceito sob novos nomes


Agora, por convenção e conveniência,


Deficiente físico é portador de deficiência,

Empregada doméstica é secretária do lar,

Negro é afrodescendente,

Terceira idade é melhor idade.

Favela é comunidade.


Mudam-se os nomes, mas o preconceito continua subjacente.


Texto de Valdeir Almeida

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9 de novembro de 2010

EdMunda em Cartaz nos Cinemas


“Só EdMunda consegue me entender”, disse uma cobra. “Quem é EdMunda?”, quis saber a outra cobra. “Ela é uma mulher de corpo humano, mas é inerentemente venenosa, como a gente. Quando eu quero desabafar, falar das minhas desventuras ofídicas é a ela que recorro”, concluiu.

Foi desse modo que EdMunda se popularizou no universo das peçonhentas rastejantes. A mulher asquerosa transformou-se na Dra. Dolittle dos trópicos viboráticos. Nem o personagem de Eddie Murphy conseguiu tamanha proeza.

Por isso, Hollywood bateu o martelo: a história de EdMunda virará filme. E mesmo sem ter começado as gravações, o longa já é favorito para o Oscar de melhor roteiro.

EdMunda aceitou ter sua biografia contada pelo cinema, mas quer representar a si própria. Ótima atriz, ela sempre foi (dissimular é com ela mesmo), agora se profissionalizará no estilo Tio Sun. É isso aí, Edumunda: da Bahia para o mundo (rima falsa igual a EdMunda).


VIDA E OBRA:

EdMunda posa de senhora distinta e religiosa. Mas é tudo aparência. A especialidade dela é semear contendas na própria família e nas alheias.

No entanto, não se deve negar que ela é mulher de fé: lê as Escrituras todos os dias, mas com o intuito único de familiarizar-se com a Serpente do Gênesis. E foi assim que EdMunda se tornou a imagem e semelhança de sua divindade rastejante.



Textos com conteúdo integralmente fictício




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6 de novembro de 2010

Júnior, meu irmão-amigo


Júnior nasceu meu irmão. E enquanto ele crescia, foi se tornando também meu amigo admirável. Digo isso, porque ele é uma das pessoas mais corretas e sinceras que eu conheço. Não corrompe seus valores em troca de um falso conforto. Não se cala diante de uma injustiça. E tem um grande coração.

Durante um determinado período, tentaram abalar nossa amizade. Mas foi trabalho em vão. Não há inimigos que possam vencer, quando o sangue e o coração estão juntos numa mesma relação.

Esse é Júnior, meu irmão, meu amigo.



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4 de novembro de 2010

Igual-Desigual – Diálogo com Carlos Drummond de Andrade


Igual-Desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.

.........................................................................................................................
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar



Drummond,

Hoje as coisas (e bichos também) continuam iguais. Mas o homem mudou, não é mais ímpar: está invadindo o território das coisas e tornando-se como elas.

Agora, poucas vezes se pergunta como a pessoa está, do que gosta e o que sente. O mais importante é o que se possui. TER um carro do ano é mais imprescindível do que SER gente.

Portanto, Drummond, atualmente,

O homem é igual a qualquer outro homem e coisa.
É igual a tudo.
É ser previsível:
comum



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2 de novembro de 2010

O Dia de Finados e os Vivos-Mortos


“Tenho medo é dos vivos”. Eis aí uma frase clichê, porém sábia. Quem já morreu, se faz presente mediante o que construiu material, intelectual e afetivamente (memória/história). Mas devemos ficar atentos a muitos seres humanos que ainda estão por aqui. Eles são vivos em confabular contra seus semelhantes.

São indivíduos asquerosos, cujo lema é a prática de maldades, como a de criar boatos de tal modo consistentes, que são capazes de provocar inveja nos trabalhos dos cânones da dramaturgia. Por isso, os leitores/ouvintes que absorvem qualquer informação sem questionar acreditam nos factóides e, o que é pior, vão reproduzindo nas rodas de amigos e nas igrejas cristãs que se vendem por um prato de lentilhas e de poder político.

Os praticantes do mal e as pessoas que o repercutem estão mortos por dentro: são sepulcros caiados vazios de humanidade. Quanto a esses vivos-mortos, devemos, sim, ter muita cautela. Eles não vão puxar nossa perna no meio da noite, mas nos darão uma rasteira na primeira oportunidade. São mais assustadores do que alma penada, porque, embora ajam na surdina, as consequências de suas atitudes são visíveis, concretas, táteis e dolorosas.




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15 de outubro de 2010

Dia do Professor – 15 de outubro – reflexões


Dentre os diversos perfis atribuídos aos professores, três se DESTACAM:

1) Professores que cogitaram, um dia, seguir a carreira docente. Chegaram a cursar faculdade de Licenciatura. Preferiram, porém, não encarar a “missão”. Escolheram outra profissão. (Na verdade, este é um não-perfil).

2) Professores que têm na docência a única alternativa de ganha-pão. Não gostam de lecionar, mas como não possuem outra formação fazem do trabalho um calvário diário. São profissionais estáticos, improdutivos: não evoluem na carreira nem lutam para exercer outra atividade não relacionada à educação. Caracterizam-se, também, pelo mau humor constante e pela degradante atuação em sala de aula.

3) Professores apaixonados pela profissão. Vão para a sala de aula com gosto. Mas precisam enfrentar o ambiente hostil da escola (pública, principalmente) e o sistema educacional como todo. Geralmente, alçaram níveis maiores, como Especialização e Mestrado. Justamente por isso – e por gostarem do ofício – sentem-se frustrados; e para eles, a possibilidade de mudar de área não lhes é remota.


Foi um profissional com o perfil apresentado em 3) que protagonizou o seguinte episódio:

Aluno – Professor, o senhor está com um aspecto de cansado.
Professor – E estou mesmo.
Aluno – Ser professor não é fácil, né? Mas eu acho que o senhor se cansa, porque, na verdade, age como se fosse nosso pai.
Professor – Eu tenho uma postura de professor, não de pai. Vocês, alunos, é que possuem um conceito distorcido da palavra professor, porque têm contato, geralmente, com professores que não se comportam como tais. Ser pai é uma coisa, ser professor é outra, embora o afeto esteja presente na nossa relação com o aluno.
Aluno – E como a gente pode chamar seus colegas que fingem ser professores?
Professor – Eu sei que nome dar a eles. Mas a ética não me permite.



FELIZ DIA DO PROFESSOR...


Ao mestre dedicado e profissional que não se curva ao imaginário do sacerdócio,

Ao apaixonado pela profissão,

Ao que tem esperanças,

E ao que já perdeu todas as esperanças
.

(Texto de Valdeir Almeida)


Imagem: Google Imagens



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7 de outubro de 2010

Margarina Sabor Veneno (com Edmunda e Dolores)



Edmunda e Dolores (irmãs de sangue e de maldades) agora enveredam para a publicidade. Recentemente, atendendo a convites, estrelaram o clássico comercial de margarina.

O resultado foi satisfatório: sentadas à mesa repleta de guloseimas, as irmãs empastelavam o pão com a mesma alegria de quando atacam suas presas. Os sorrisos eram largos e brancos (como num reclame de pasta dental).

Coitado do anunciante da margarina. Mal sabe ele que associar qualquer produto à imagem de Edmunda e Dolores é prejuízo na certa. Elas são dissimuladas, insolentes, maquiavélicas: cobras.

Por isso, cuidado quando você for à casa delas; não coma nada, nem mesmo um fio de margarina: pode estar ali uma dose de veneno.


Texto com conteúdo integralmente fictício




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4 de outubro de 2010

O que é Amizade Pura


Felizmente, temos a liberdade para escolher nossos amigos. E para manifestar nosso afeto muito além dos vínculos de parentesco.

É na ausência do ambiente familiar que a amizade se apresenta da forma mais pura e voluntária. Pura, porque está destituída de outros sentimentos que originam a obrigatoriedade do afeto. Por exemplo, numa casa, seria inviável a convivência entre irmãos, se a amizade não estivesse presente. É ela que dá a dose para que haja harmonia. Por isso, fica a dúvida: se eles não fossem irmãos, um dia chegariam a ser amigos de maneira voluntária?

Obviamente, todos querem que seus cônjuges, pais, irmãos sejam também seus amigos. A amizade, porém, mostra sua força fora desse cenário. Duas pessoas sem laços familiares poderiam seguir caminhos opostos diante do primeiro desentendimento; mas quando são amigos de verdade, permanecem unidos, superando qualquer divergência.


Mas há exceções, como a que relatei em outro post.




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23 de setembro de 2010

Discriminação Social e Programa Eleitoral


O atual programa eleitoral na TV está repleto de São Franciscos e Madres Teresas. Os aspirantes aos cargos públicos encenam um passado de pobreza sempre regado a emoções e – aos que têm um talento dramático a mais – a algumas lágrimas crocodilianas.

Em vez de transformarem o horário eleitoral em novela mexicana, tais candidatos deveriam ouvir os verdadeiros protagonistas desta história. Como um grupo de alunos que foram discriminados na semana passada, num grande shopping de Feira de Santana.

Usando chinelo de dedo e trajando uniforme de escola pública de um bairro periférico, os estudantes foram seguidos pelo vigilante. Ao chegarem ao banheiro, os adolescentes ouviram a grosseira e estridente ordem daquele homem: “O que vocês estão fazendo aí? Saiam, andem. Saiam”. Assustados e sem entender o que acontecia (pois não estavam fazendo arruaça), eles saíram do banheiro, enquanto eram tangidos como se fossem animais.

Minutos depois, outro grupo de estudantes, portanto mochila de grife e vestindo uniforme de escola particular renomada – localizada em área nobre da cidade –, fez o mesmo percurso. O vigilante, desta vez, deixou os garotos olharem as vitrines e irem ao banheiro tranquilamente, sem interromper o percurso.

Possivelmente, os estudantes pobres desta história desconhecem seus direitos. Estão de tal modo acostumados a serem discriminados em razão de sua condição, que acham natural passar por situações humilhantes como aquela. Eles são os verdadeiros personagens do drama de pobreza e discriminação social. Logo, não refletem a encenação de miséria dos candidatos chorões. Aliás, tais candidatos são os antagonistas e se assemelham mais aos garotos da classe média, que passeiam pelo shopping tranquilamente, sem sofrerem qualquer incômodo.




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19 de setembro de 2010

Nota Fúnebre: Morreu o Amor


Este amor convalesceu durante muito tempo. Agora, morreu definitivamente... acabou.


Por que, então, você fica aí, contemplando um corpo? É apenas um corpo. Enterre-o. Enlute-se. Chore até secar todas as lágrimas. Afinal, o amor acabou.

É certo que vocês viveram grandes e intensos momentos, que permanecerão vivos na memória de ambos. Mas o amor, que é mais importante, acabou.

Vai. Segue o cortejo fúnebre. Sepulta este corpo. Conforme-se com a perda. Conforte-se. Em seguida, prepare-se para fazer brotar em outro coração seu novo amor, pois este aí... acabou.




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12 de setembro de 2010

O Hidratante Monange e a Filosofia da Eternidade


“O tempo não passa para a mulher que usa o hidratante Monange”. Essa era a frase proferida pela atriz Tônia Carreira, para anunciar o produto na TV.


Naquela época, eu era criança. Por isso, achava que permanecer jovem e o tempo não passa eram duas construções extremamente contraditórias. Afinal, pelo que Tônia enunciava, “não passar o tempo” significava que a mulher viveria eternamente. Foi aí que me surgiu o embaraço: “A eternidade na Terra não impede que a mulher envelheça. Ela não morrerá, mas, fatalmente, ficará velha. Se, ao menos, sua eternidade fosse no Céu, aí sim, seria jovem para sempre”, embatia-me.

Por observar as coisas no sentido denotativo – como qualquer criança da minha idade – eu não considerava o valor estético da frase (que era o objetivo do comercial). Meu Deus! Como a minha mente era fértil. Se bem que, se a Monange quisesse aliar seu hidratante ao conceito de eternidade, idealizado por Vinícius de Moraes, minha tese estaria irrefutavelmente correta: “A beleza da mulher que usa Monange é infinita... enquanto durar o hidratante”.




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9 de setembro de 2010

O Amor Liberta (cf. Renato Russo, Camões e Paulo)


Jesus é a manifestação de Deus. E como Deus é amor, Jesus é a personificação do amor. Por isso, é contraditório utilizar o nome de Cristo para julgar, como fazem algumas religiões. O próprio Jesus recomendou: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados.” (Mateus 7:1).

O julgamento atenta contra o respeito ao próximo. Respeito que perpassa pelo amor como princípio, meio e fim para a harmônica existência da sociedade. Sobre isso, Paulo, o amável seguidor de Cristo, disse:

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino.

Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada.

Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.

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Pois os nossos dons de conhecimento e as nossas mensagens espirituais são imperfeitos. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é imperfeito desaparecerá.

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Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e o AMOR. Porém a maior delas é o AMOR.
(Bíblia Sagrada, 1 Cor. 13)


Essa passagem bíblica e o Soneto 11, de Camões, inspiraram Renato Russo a compor a música Monte Castelo:


É isso mesmo. Só o amor conhece o que é a verdade. E conforme Jesus – o ser personificado do amor – a verdade liberta (João 8:32 ). Logo, o amor nos tira das prisões provocadas por ideologias preconceituosas e excludentes. Um exemplo dessas ideologias são determinadas religiões equivocadamente designadas de cristãs que afirmam pregar o cuidado ao próximo, mas destilam seu ódio contra pessoas que não rezam na mesma cartilha delas. É o oposto do amor libertador.


P.S: Ao contrário do que pensam (ou querem) Jesus não era (nem é) portador do religiosismo. Seria inconcebível o Deus que é o Amor em pessoa ficar preso em igrejas, sobretudo as que determinam que tipo de pessoa é digna de ser amada.



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7 de setembro de 2010

Empecilhos à Educação


No Brasil, há muitos empecilhos para que se alcance uma educação de qualidade. Por exemplo, alguns jovens e crianças necessitam se deslocar da zona rural ou de regiões riberinhas para chegarem aos prédios escolares. Rotina cansativa e, por isso, desestimulante.


Outro empecilho é a aprovação do estudante para a série seguinte, mesmo que ele tenha sido reprovado. Essa prática é uma forma de o governo propagandear o índice quantitativo (mas não qualitativo) da eficiência educacional nos estados (ou Federação): diminuição da repetência, da evasão escolar e do analfabetismo. (Texto de Valdeir Almeida)


Este é um resumo do texto “Acesso à educação no Brasil: um direito relegado” produzido por mim a pedido de Sanzinha e Wilson, e publicado no Espaço Aberto.



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3 de setembro de 2010

Só as baratas engolem sapos


O ser humano é adaptável a situações de intensa pressão. Mas quando os níveis da tensão tornam-se elevados e contínuos, não há yoga que dê jeito.

Nesse momento de chutar o balde, apreciamos as baratas. Desejamos – como vampiros – possuir o sangue desses insetos que sobrevivem intactas até a conflitos nucleares. Entretanto, por termos frágeis veias humanas, não somos capazes de engolir sapos sem sofrer alguma indigestão: fingimos que os insultos hierárquicos são melodias para nossos ouvidos; mas depois, sozinhos e enfurecidos, nos culpamos por permitir que nos ofendessem.

Por fazer parte de algumas relações interpessoais, o tema costuma ser explorado pela ficção. No filme “Até que a sogra nos separe”, a personagem de Jane Fonda (a sogra) azucrina a vida de Jennifer Lopez (a nora). Até que um dia, na cozinha, Jennifer recusa engolir sapos e dá um golpe de frigideira na cara de Jane. Mas era tudo imaginação. A bela morena teria que continuar ingerindo esses anfíbios horripilantes servidos pela megera (ver vídeo 1, no final do post).


Já Raquel, personagem de Regina Duarte na novela “Vale Tudo”, era o oposto. Ouviu muito desaforo, mas não levou nenhum para casa. Orgulhava-se de não possuir sangue de barata e ter dignidade humana. Por isso, chegou a rasgar o vestido de noiva da filha golpista, e a estapear a toda poderosa Odete Roitman (vídeos 2 e 3).

As emoções humanas não são tão adaptáveis como o organismo das baratas (graças a Deus!). Contudo, podemos nos condicionar para que nosso sangue não esquente diante das situações insolentes e inesperadas. Assim, quando um superior hierárquico extravasar toda sua incompetência e frustração, nosso silêncio será franco. Aquelas palavras rudes e grosseiras não nos farão a menor diferença. E finalmente, saberemos o verdadeiro sabor dos sapos.



Vídeo 1






Vídeo 2
Vídeo 3








Ilustrações: Google Imagens

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31 de agosto de 2010

A Culpa é do Diabo


Deixou a porta de casa aberta, foi assaltado. Deu desfalque na empresa, foi demitido. Transou sem camisinha, contraiu doença venérea. Avançou o sinal vermelho, foi multado e acumulou pontos na carteira. Caluniou o amigo, perdeu uma grande amizade e será processado por difamação.

À noite – como faz diariamente – foi à igreja. Ajoelhou-se. Durante a oração, disse que o ladrão, o patrão, a mulher desconhecida, o guarda de trânsito e o amigo querido foram usados pelo Diabo. Por isso, perdeu dinheiro, emprego, saúde e amizade.

Um pouco mais aliviado, levantou-se. Sentou no banco. Assistiu ao ritual religioso. Depois, voltou para casa. Dormiu tranquilamente, afinal precisava descansar para enfrentar as hostes malignas do dia seguinte.




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28 de agosto de 2010

Nostalgia: saudade do inexistente


Há uma acepção não-dicionarizada da palavra nostalgia: “sentir falta de algo que nunca existiu”. Ao contrário do que possa parecer, esse conceito não é paradoxal.


Por exemplo, os homens das cavernas experimentavam o frio. Tinham, por isso, necessidade de alguma coisa (que até então não existia) para aquecê-los: o fogo.

Houve também o momento em que os ser humano via como limitada a linguagem mediante sinais e desenhos. Ele precisava de algo (ainda inexistente) que sistematizasse seu pensamento e tornasse a comunicação mais expressiva: a palavra.

Conforme esse conceito de nostalgia, a maneira de sentir falta de alguma coisa é experimentar aquilo que provoca o sentimento de ausência. Por exemplo, só temos consciência do silêncio, porque o som é uma realidade concreta. Se desde o nascimento, vivêssemos num ambiente em que só fossem produzidos sons, teríamos necessidade do silêncio, embora não soubéssemos que nome dar a ele.

Possivelmente, era isso que Lulu Santos quis dizer ao compor a música Certas Coisas:


Não existiria som se não
Houvesse o silêncio
Não haveria luz se não
Fosse a escuridão
.....................................

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que
eu não sei dizer


A vida, portanto, é uma incessante busca por algo que temos consciência de que nos faz uma enorme falta. Entretanto, tal consciência não nos mostra que coisa é essa. Isso provoca uma certa angústia, denominada nostalgia. (Texto de Valdeir Almeida)







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7 de agosto de 2010

A dança das urnas eletrônicas e o suplício da votação


Na eleição de 2008, esperei seis horas para registrar meu voto. O problema não foi a extensão da fila. Leia o texto abaixo e entenda o absurdo.


“Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira parte da roupa velha, e fica maior a rotura”. (Marcos, 2.21). Essa passagem bíblica tem total relação com a concepção de modernidade no Brasil.

Há uma propaganda maciça de que o sistema de urna eletrônica é bastante moderno e praticamente infalível. Entretanto, estão colocando remendo novo em tecido velho. Isto é, o que adianta ter um sistema tão avançado atuando num contexto extremamente atrasado? Para que fazer uso de tecnologia de ponta, quando as mentes e a educação dos que comandam esse sistema não progridem?

Ontem, fui exercer meu “direito obrigatório” de cidadão. No entanto, permaneci quase seis horas na fila. Motivo: urnas com defeito na minha seção.

A primeira estava em boas condições. Mas, aproximadamente uma hora e meia depois, parou de funcionar. A partir daí, iniciou-se uma saga de urnas quebradas, que iam e viam. No total foram 8 (isso mesmo, oito, VIII, eight, ocho, huit, ********) urnas que não serviam para nada.

Houve protesto na fila – obviamente. Formou-se tumulto. Mesários foram ameaçados e quase agredidos fisicamente. A polícia apareceu; a imprensa também.

Ao perceber que não tinha alternativa, o TRE decidiu, quase 6 horas depois, que o voto seria manual, ou seja, por meio do papel.

Não vimos técnicos em informática aparecerem para verificar se o defeito era realmente nas urnas. Não testemunhamos a presença de eletricistas para observarem se o problema era na fiação elétrica do recinto. O TRE decidiu muito tarde substituir as urnas pelas cédulas. Foram muitos os remendos velhos costurados sobre o tecido novo do sistema de votação mais avançado do mundo.

Indubitavelmente, se eu não tivesse a obrigação de votar, deixaria aquela fila na primeira meia hora. Não iria estragar meu domingo. Atitude que a maioria daqueles eleitores também tomaria.


Texto escrito e publicado em 06 de outubro de 2008, sob o títuloPor que o voto é obrigatório no Brasil, parte II


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6 de agosto de 2010

O Diálogo do Retorno


Tonico Benites, índio e doutor em antropologia, diz que “para os guaranis, a conversa é um encontro entre almas. Se você fala alto, assusta a alma do outro”. Essa forma de considerar o diálogo é inerente não apenas a esta etnia indígena, mas ao ser humano em geral.


A diferença é que os índios vivenciam isso no seu cotidiano. Já os integrantes da civilização branca, corrompem o diálogo por não mais utilizá-lo nas suas relações interpessoais, ou por usá-lo conforme os próprios interesses.

Esse é um dos motivos que levaram a humanidade a adoecer. Não há mais diálogos, falta o encontro entre almas.



Amigos, após minha ausência necessária, a volta também se fez imprescindível. Afinal, blogar é um hábito (saudável) difícil de deixar. Mas meu retorno veio com algumas mudanças: continuarei acompanhando as atualizações dos blogs-amigos com o prazer de sempre; entretanto, não poderia comentar com a mesma frequência de antes. A outra mudança diz respeito aos selos, memes e afins; será inviável – pelo menos por ora – repassar os que tenho recebido ultimamente e os que, por ventura, receberei.


Aproveito para agradecer a todos que, durante meu afastamento, entraram em contato comigo expressando preocupação. Obrigado pelo carinho.

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8 de julho de 2010

Ausente Temporariamente

Precisarei me afastar da blogosfera temporariamente.

Isso significa que, durante este período, não atualizarei o Ponderantes, nem poderei ler e comentar os blogs amigos.

Mas volto logo. Agradeço a compreensão de todos.

Abraços e até breve!

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5 de julho de 2010

Chega de Bullying – a história poderia ser diferente


Roteiro

CENA 1
O personagem tem 4 anos de idade. Na praça, ri de uma menina esquálida e visivelmente doente. A mãe do garoto acha “linda” a gargalhada do filho.

CENA 2
O personagem tem 8 anos. Está na escola há 4. Costuma promover pequenas maldades. Nesta cena, na sala de aula, ele hostiliza um coleguinha, porque este usava uma quase imperceptível pulseira rosa. A diretora chama atenção do pequeno sádico, e telefona para a mãe dele. Ela, rindo – como na Cena 1 – alega que não tem tempo para ir à escola, e atenua o episódio dizendo: “Deixa essa besteira pra lá. Isso é coisa de criança”.

CENA 3
O personagem tem 15 anos. Já repetiu o ano letivo diversas vezes. Na escola, ao lado de alguns colegas, ele aterroriza os estudantes negros, nordestinos, homossexuais – entre outros. Chegou a ser detido uma vez e encaminhado para a delegacia de menores infratores, mas para alívio da mãe, foi logo liberado, protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesta cena, ele agride um aluno portador de dislexia. Os funcionários da escola acodem a vítima, antes de acontecer uma tragédia maior. A diretora não tem a quem recorrer. A mãe do adolescente violento nunca deu importância às atrocidades do filho. E a polícia até que ajuda através da ronda escolar, mas a Justiça não dispõe de leis mais severas para coibir essa prática na escola.

CENA 4, Final
O personagem tem 26 anos. Possui um histórico de crimes que compreende, principalmente, agressão física e racismo. Suas vítimas do tempo da escola ainda tentam superar o trauma; e as atuais sabem que as cicatrizes das agressões corporais e emocionais tardarão a desaparecer. Nesta cena, ele está na esquina com sua gangue aguardando a próxima vítima. (Texto de Valdeir Almeida)



Prevenção e Combate

O bullying é um desvio de comportamento que deve receber atenção da família e da escola. Os pais precisam ficar atentos às primeiras manifestações de intolerância da criança e orientá-la a conviver pacificamente com quem é diferente dela. E se o desvio se instalar, transformando-se no bullying, eles devem enfrentar o problema, antes que seja tarde.

Já o papel da escola é observar os casos sutis e explícitos da questão. Ela não deve considerar o bullying como brincadeira agressiva entre estudantes, mas como um problema sério que deve ser combatido, mediante palestras, debates, confraternizações etc. Desse modo, o aluno aprenderá a dividir tolerantemente o mesmo espaço com colegas que não atendem a padrões pré-estabelecidos.

Se medidas preventivas e corretivas forem colocadas em prática, os roteiros das novas histórias podem ser diferentes. (Texto de Valdeir Almeida)


Esta é minha contribuição para a blogagem coletiva Chega de Bullying , promovida por Vanessa, do blog “Mãe é tudo igual”.



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26 de junho de 2010

Fecha a Boca, Dolores – o novo hit do Twitter


Depois de “Cala a boca, Galvão” e “Cala a boca, Tadeu Schmidt”, o novo hit do Twitter é “Fecha a boca, Dolores”.


A indignação dos internautas é coerente: eles afirmam que a gulodice de Dolores pode provocar a escassez de alimentos no Planeta.

Pois é! Dodô, que tem língua quilométrica e de efeitos meteóricos, acabou experimentando o próprio veneno (os twitteiros não perdoam ninguém).

Entretanto, esse veneno acabou “saindo pela culatra”: como Dolores virou celebridade instantânea, passou a ser disputada pelos programas televisivos e revistas de fofoca. Mas para conceder entrevistas, Dolores cobra 10 mil reais em espécie e passe livre no Mc Donalds.



Este é um texto fictício. Qualquer semelhança com nomes ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência.


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23 de junho de 2010

Estrela vermelha ou colorida?



Dois amigos passaram a tarde escalando uma montanha. Ao chegar ao topo – já à noite – pararam para contemplar a vista. Repentinamente, veem no céu algo que se transforma em objeto de discussão:

– O que é aquilo?
– É um balão luminoso.
– Nada disso. É uma estrela.
– Balão.
– Estrela.
– Ok, você me convenceu: é uma estrela... Olha, ela está entre duas estrelas menores.
– E eu nem tinha reparado.
– Ela está mais próxima da estrela esquerda.
– Não. Ela está perto da estrela da direita.
– Da esquerda.
– Da direita.
– Estamos discutindo à toa. Seu ponto de vista diz que ela está mais próxima da direita. Eu acho que ela se aproxima mais da esquerda. Nós não iremos mudar a opinião um do outro com discussões tolas.
– Para nossa amizade não ficar abalada, vamos fazer uma coisa?
– O quê?
– Está decidido que a estrela está no centro e pronto.
– Ok. A estrela está no centro e não se fala mais nisso.
– Eu nunca vi uma estrela tão vermelha como essa.
– E eu nunca vi uma estrela tão colorida como essa.
– Você está falando de qual estrela?
– A do centro, a mesma que a gente estava falando desde o início.
– Oxe! A estrela não é vermelha. É colorida.
– É vermelha.
– Olha, é inegável que ela tenha tonalidades avermelhadas, mas o que predomina é a diversidade de cores.
– Voltamos a discutir. O fato é que gostos e cores não se discutem.
– Cheiro..
– O ditado popular fala apenas em gostos e cores, não fala de cheiro.
– Não é isso. Você não está sentindo um cheiro estranho?


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19 de junho de 2010

Meus Lírios dos Vales


Tirar os óculos escuros para lembrar como é a claridade do dia e o diálogo olho-no-olho.


Desligar o ar-condicionado do carro, abrir a janela e sentir o vento da estrada bater em meu rosto.

Caminhar pelo centro comercial e observar menos as vitrines e mais as pessoas.

Parar a música e ouvir apenas a melodia da chuva.

Deixar de lado o telefone e a internet e abraçar o amigo pessoalmente.

Tirar o sapato e andar descalço.

Olhar o espelho e gargalhar de mim mesmo.


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8 de junho de 2010

A verdade é um ponto de vista


“A verdade dói”, prega acertadamente o ditado popular. Só que nem todas as verdades são dolorosas. As palavras usadas para descrever uma qualidade real e positiva massageiam qualquer ego. Mas é preciso ter cuidado para não confundir verdade com elogio, e sinceridade com ofensas.


Logo, muitas vezes, a verdade é uma mentira balsâmica: um consolo para suportar a realidade em carne viva.

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4 de junho de 2010

A morte anunciada e o adeus não dito


A Leila me ligou várias vezes durante a noite. Eu estava acordada, mas não atendi, por causa do cansaço. Pensei: ‘Amanhã falo com ela’. Hoje vi a notícia da morte dela na TV. Me sinto muito mal com isso. Ela queria minha ajuda ou então se despedir de mim, e eu não a escutei”. Declaração emocionada de uma amiga de Leila Lopez, na manhã seguinte à morte da atriz.

É inevitável fugirmos à correria do dia-a-dia. E, justamente por isso, precisamos de descanso. Mas, de repente, aquele amigo seu que nunca foi inconveniente e sempre entrou em contato com você nas horas apropriadas, lhe telefona em momentos incomuns. Aquela “anormalidade” pode ser algum sinal: um desabafo curador, um pedido de ajuda, uma despedida.





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30 de maio de 2010

Afinal, o que é domínio público?


No ano passado, duas famosas intelectuais brasileiras protagonizaram um “barraco cultural”, publicamente.

Uma é atriz que se consagrou nas telenovelas e já está se firmando também como autora de livros e peças teatrais. A outra é uma premiadíssima escritora de best-sellers e está no mercado editorial há muitos anos.

A história das duas nunca havia se cruzado, mas em 2009 a atriz produziu uma peça teatral com o mesmo título de um livro da escritora. Esta, sentindo-se plagiada foi aos tribunais exigir que o nome fosse substituído.

A atriz não voltou atrás, preferiu brigar na justiça. Não abria mão do título. Assim, enquanto a peça da atriz-dramaturga era encenada e lotava o teatro, o processo corria.

Devido ao desgaste, a escritora desistiu do litígio, mas deixou evidente a mágoa e a decepção que estava sentindo. Após o arquivamento do processo, a atriz comentou que sempre foi admiradora e leitora dos livros de sua “rival” e, portanto, não a plagiaria conscientemente. Ela afirmou também que o nome da peça que escreveu é de expressão corrente e popular, ou seja, de domínio público.

Essa polêmica trouxe à baila a discussão sobre o conceito de domínio público. Por exemplo, na Bahia, a palavra “Cuiuda” é bastante utilizada quando alguém quer dizer que uma mentira é cabeluda. Faz parte do linguajar dos baianos. Se um dia, alguém publicar um livro com esse título genérico e, posteriormente, outro autor escrever uma peça (ou até mesmo um livro) com o mesmo nome, estaria configurado o plágio?

Embora essa questão pareça complexa, a ética sempre deve ser considerada. Mesmo que se tenha certeza de que um nome não está protegido por lei e pode ser usado por qualquer pessoa, é preciso respeitar o autor que o utilizou anteriormente. Além disso, repetir um nome que foi bem sucedido na pena de outro escritor é pegar carona no sucesso alheio.



Algumas informações sobre Domínio Público:

A norma que versa sobre domínio público é a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98). Clique aqui para conhecer a Lei na íntegra, e aqui para acompanhar as respectivas atualizações.

A referida Lei determina que o título isolado não é objeto de proteção (Art. 8º, VI). Entretanto, será protegido se for “original e inconfundível com o de outro autor” (Art. 10).

O prazo de proteção de títulos acompanha suas respectivas obras. Desse modo, os direitos autorais sobre os títulos perduram por 70 anos, contados a partir do dia 1º de janeiro do ano subsequente à morte do autor (Art. 41). Esse prazo é o mesmo para obras publicadas postumamente (Art. 41, parágrafo único). Decorridos 70 anos, as obras passam a pertencer ao domínio público.

Ressalve-se, porém, que “o título de publicações periódicas, inclusive jornais, é protegido até um ano após a saída do seu último número, salvo se forem anuais, caso em que esse prazo se elevará a dois anos” (Art. 10, parágrafo único).





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27 de maio de 2010

As seis coisas que você não sabe sobre mim – Valdeir


Os amigos Herval e Max Martins me escolheram para que eu falasse seis coisas a meu respeito – em caráter inédito. Então, vamos lá:

Eu, professor de Matemática? Como a maioria dos estudantes, eu detestava Matemática. Mas, da água para o vinho, passei a amar os números. Motivo: conheci uma professora que ensinava a matéria transmitindo tanta alegria que os cálculos nem doíam. Tive a sorte de ser aluno dela durante três anos. E sempre tirando notas máximas. Isso é exemplo de que o professor apaixonado por sua disciplina pode transmitir a mesma paixão aos alunos. Por essa razão, passei aqueles três anos convicto de que seria professor de Matemática. Mas a Língua Portuguesa falou mais alto, porque era meu sonho de infância (e olha que não tive grandes referências de professores de Português).

Não uso relógio de pulso Muitas pessoas acham que não uso relógio de pulso, porque já fui assaltado (e quem não foi?). A verdade é que o relógio torna o tempo mais longo (quando a tarefa é fatigante) e encurta o tempo (quando a atividade é prazerosa). Então, sempre que possível, melhor não ficar a cada minuto olhando o relógio. Aliás, por não usá-lo consigo “calcular” as horas de forma quase intuitiva.

Pirulito Zorro O Pirulito Zorro fez sucesso na minha infância. Porém, o mais interessante dele era o comercial que apresentava duas crianças perguntando aos pais: “O que é o que é, tem três letras e é o maior pirulito do mundo?”. Os pais não sabiam responder. As crianças demonstravam, então, a “decifração” do enigma: "Zorro".

As duas faces da inspiração Os amigos leitores já sabem do meu amor pela palavra. Entretanto, a maioria desconhece que o processo da escrita, não raramente, está pontilhado de algumas inconveniências. Por exemplo, se a inspiração me surpreende, preciso transferir para o papel tudo que ela me transmite (até a última gota); caso contrário, ela me persegue implacavelmente, inclusive durante a noite. Não foram poucas as vezes em que as idéias me tornaram insone, e o sono só aparecia após eu escrever o que a inspiração exigia (ela é imune à tarja preta).

O "Bem-Te-Vi" virou "Ponderantes" Durante os três primeiros meses, o blog "Ponderantes" se chamava “Eu Bem-Te-Vi". O título até que era poético, porém patético e antiestético. É que eu sempre fui fascinado pela capacidade das palavras irem além do que está pronto. Muitas vezes, temos necessidade (ou simples curiosidade) de desnudar as entrelinhas da verdade. Não é por outra razão que a palavra “olhos” é tema frequente dos meus posts.

Amo meus amigos Meu cachorro de estimação, que vez ou outra aparece por aqui, não é personagem de ficção. Ele existe mesmo, e sempre me inspira a falar sobre amizade verdadeira. Mas isso não significa que eu esteja relegando meus companheiros humanos. Eu seria louco se tomasse tal atitude. Amo meus amigos e sei que a amizade deles é verdadeira. Quanto aos falsos amigos, mandei todos eles às favas, aos cuidados de Edmunda.


Para continuar o meme “As seis coisas que você não sabe sobre mim”, tenho que escolher seis amigos, e estes devem fazer o mesmo que estou fazendo: elencar em seus blogs as seis situações inéditas a respeito de si mesmos, indicar mais seis pessoas e avisar aos indicados.



Meus indicados são:

Wilson
Sanzinha
Juninho Santos
Alma Inquieta
Hugo
Teresa



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22 de maio de 2010

Falta de tempo, excesso de infelicidade


A humanidade inventou o tempo cronológico. Depois dele, as pessoas conseguiram se organizar, executando suas tarefas de modo sistemático.

Mas agora a humanidade criou a neo-cronologia que, na verdade, ultrapassa as definições do tempo e vai até os conceitos anômalos de comportamento.

De acordo com a neo-cronologia, a falta de tempo e o excesso de atividades são símbolos de produtividade, de eficiência e de status.

Portanto, os neo-cronologistas desenvolvem projetos apenas para satisfazer os olhares da sociedade e não como uma realização pessoal. Consequentemente, não vivem para si nem para a família. Têm conhecidos, mas lhes faltam amigos. Podem até ter uma conta bancária expressiva, porém a saúde está debilitada, porque o corpo não suporta pressões contínuas e a mente necessita de descanso.

Ser eficiente não é viver numa correria desenfreada. É ter qualidade de vida para, de fato, ser um bom profissional, poder desfrutar da companhia das pessoas queridas e ter a oportunidade de realizar projetos de interesse pessoal. E isso o tempo cronológico nos ensinou muito bem. (Texto de Valdeir Almeida)



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18 de maio de 2010

Duplo Veneno: Dolores e Edmunda


A Língua de Dolores

Dolores colocou sua roupa suja na máquina de lavar. Mas o motor prendeu a saia justa.

Ao inclinar-se para tentar salvar a sainha, Dolores caiu de corpo inteiro na lavadoura. E sua língua também ficou grudada no motor. Após isso, a máquina passou a emitir um barulho estranho e intenso.

A vizinha apareceu, socorreu a megera, mas não perdeu a oportunidade de cutucá-la:

– Estava querendo lavar tua língua, Dolores? Não há sabão em pó que dê jeito. Nem máquina de lavar que faça esse milagre.


Relembre a trajetória de Dolores:
O Prato de Dolores
Família Secreta na Roça (Dolores é desmascarada)






Edmunda

Edmunda é cobra criada. Suas lágrimas são de crocodilo. Seu abraço é de tamanduá. Adora ver o circo pegar fogo; ela pode até não ter provocado o incêndio, mas com certeza coloca mais lenha na fogueira.

Mas não se espantem. Edumuda é irmã de Dolores.





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12 de maio de 2010

A dor de amar



Um amor não se cura com outro, pois o mal não estaria no amor antigo, mas na dor que este provocou. Daí, surgem mais questionamentos do que certezas. Há dor onde existe amor? É possível amar alguém, quando ainda se está envolvido emocionalmente com outra pessoa? A complexidade do amor não estaria na diferença dos seus possuidores?


A música tenta desvendar esses mistérios. Leoni (e também o Kid Abelha) cantava “Ainda encontro a fórmula do amor” (A Fórmula do Amor). Talvez, se o amor fosse propriedade química, poderíamos observá-lo, analisá-lo, estudá-lo como fazem os cientistas, quando querem concretizar coisas abstratas. Desse modo, os pré-apaixonados só investiriam suas energias e emoções em amores que seus organismos pudessem “absorver”. E, se estivessem autorizados clinicamente para amar, saberiam quais as doses de amor conseguiriam suportar.

Já Djavan, ao que parece, não entende o amor como um mistério. Em sua canção, ele diz: “Por ser exato, o amor não cabe em si / Por ser encantado, o amor revela-se / Por ser amor, invade e fim” (Pétala). Pelo visto, para o cantor, o amor não precisa de fórmulas para ser conhecido. Se fosse uma ciência, seria exata e ponto final. Mas pensando bem, até este poeta-compositor deixou escapar que o amor tem um quê de mistério: “Por ser encantado, o amor revela-se”. Apesar disso, Djavan não entrou em contradição, pois o amor é assim mesmo: empírico e encantador ao mesmo tempo. É mágico, causa sensações delirantes, alucinações fabulosas, mas também decepciona como vilões de contos de fadas.

Uma coisa é certa: é melhor não sabermos o que é o amor. Não conhecermos sua fórmula. Não deixarmos perder seu encanto. É justamente no mistério que está o seu fascínio. Por ser amor, invade e fim. (Texto de Valdeir Almeida)


Pétala
A Fórmula do Amor









Leia as letras das duas músicas citadas no texto, clicando nos links abaixo:

Djavan (Pétala)
Leoni (A fórmula do amor)




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4 de maio de 2010

Sabedoria Canina


Enquanto eu abria o livro, dizia para meu cachorro:

– Tenho pena de você. Você não sabe ler, não conhece os melhores personagens de ficção. Ai, ai!

Enquanto meu cachorro cheirava minha agenda telefônica, ele contra-argumentava:

– Tenho pena de você. Você sabe ler, mas não consegue reconhecer pelo faro quem são seus verdadeiros amigos. Au, au!




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29 de abril de 2010

A Culpa é dos Professores, diz psicopedagoga

Há alguns dias, mais uma escola pública de Feira de Santana estava sofrendo de falta de professores. Nesse caso específico, o motivo era a violência na instituição e nas suas imediações.

A “evasão” de professores não é novidade nas escolas públicas da Bahia. Nas universidades, os bancos dos cursos de licenciaturas encontram-se cada vez mais vazios. E os docentes que já atuam na área estão deixando a profissão por uma questão de sobrevivência física, emocional e financeira.

Entretanto, o que causa espanto é a declaração que a psicopedagoga da escola citada deu a um telejornal local: “Como não está havendo aula na escola, os pais não conseguem controlar os filhos dentro de casa. Com isso, essas crianças e adolescentes vão para as ruas. Os professores poderiam ser mais conscientes e pensar na situação dos pais”.

Ora, aos domingos, feriados e férias não há ministração de aulas. O que os progenitores fazem nesses períodos? Tomam atitude de verdadeiros pais e educam os próprios filhos? Ou esperam o retorno das aulas para que os professores voltem a exercer o papel de babás e de pais e mães de aluguel?

A psicopedagoga perdeu uma grande oportunidade de utilizar a câmera e o poder da TV para reivindicar do governo um tratamento digno para a unidade escolar em que ela atua. Ela poderia apelar também para que as autoridades intensificassem a segurança ao redor e dentro da escola. Mas preferiu culpar os professores (os sacerdotes de plantão), uma forma não-inteligente de camuflar os verdadeiros problemas daquela instituição de ensino. (Texto de Valdeir Almeida)



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25 de abril de 2010

Leitores e Foliões


Quando um governo se torna totalitário, uma de suas primeiras iniciativas é destruir livros. Os leitores que já têm as letras dos livros transformadas em conhecimento possuem a sabedoria na memória, mas as futuras gerações não terão o privilégio de expandir horizontes através da leitura.


Na democracia não há queima de livros, mas o dinheiro público é usado em coisas desnecessárias em vez de ser investido no estímulo à leitura. Por exemplo, milhões de reais são destinados ao Carnaval, enquanto programas educativos – como o de incentivo ao amor pelos livros – não recebem a devida atenção. Entretanto, para os governantes é menos “perigoso” e mais lucrativo investir em festas que duram dias a fio do que permitir a formação de leitores a debruçar algumas horas num livro.

O livro estimula a reflexão e o questionamento, o que pode levar os leitores a conclusões realísticas e decepcionantes a respeito do governo. Já a festa carnavalesca pura e simples equivale à distribuição de pão e circo, que entorpecem as pessoas sem senso crítico; são vendas nos olhos dos foliões.



P.S. Evidentemente, não estou fazendo uma crítica moralista contra o Carnaval. Minha indignação é quanto ao alto investimento que se faz nessa festa (sobretudo na Bahia), enquanto a Educação continua a receber recursos parcos. É óbvio que existem leitores foliões; eles se divertem, mas têm consciência de que aquilo é apenas uma diversão e não uma mordaça em forma de entretenimento. (Texto de Valdeir Almeida)




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20 de abril de 2010

Ótica Olho Vivo, reclame


Reclame

“se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência”

A famosa poesia acima é do poeta Chacal (Ricardo Carvalho Duarte). E abaixo segue meu ponto de vista a respeito dos versos:


“se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
A mesma situação pode agradar uma pessoa e causar sofrimento a outra. Tudo depende da personalidade, do equilíbrio emocional e das expectativas de cada um. Porém, para quem se sente desprivilegiado, uma boa alternativa é utilizar “lentes”. Isso faz do horizonte preto e branco uma linha colorida e confortável. Entretanto, esse paliativo não muda a realidade, apenas a mascara.


... ou transforme o mundo
Contudo, se você não quer “tapar o sol com a peneira”, isto é, fingir que o problema não existe, tire as lentes. Veja o problema sem medo. Encare-o. Daí verá que talvez ele não esteja em você, mas no mundo, ou melhor, no ambiente onde você vive.

Possivelmente, você seja uma andorinha solitária tentando inutilmente fazer verão. Sabe que aquele lugar jamais mudará, pois as inconveniências são peculiares a ele. Se não pode reverter o problema, deixe o problema no lugar dele, e mude você mesmo de lá. Saia de mala e cuia.

Por exemplo, no seu trabalho imperam dissabores, humilhações, nervos afiados? Além disso, é um serviço que não valoriza seu talento e esforço? Então, invista em você mesmo e vá à busca de um emprego melhor. Melhor, nesse caso, não significa que não encontrará problemas no novo ambiente, mas se você gosta do que faz e vê que seu serviço renderá, com certeza tirará de letra qualquer situação inconveniente. Você terá mais alegrias do que tristezas (o mundo indo bem a esses olhos).


ótica olho vivo
agradece a preferência”
Pessoas com essa postura são inteligentes, tem “olho vivo”. Não vivem de riscos, mas de oportunidades. A vida delas sempre retribuirá seus esforços, agradecerá constantemente por ter preferido ser feliz.


P.S: Além dos versos, o título também deve ser considerado. Reclame era a designação dada aos antigos comerciais de rádio e TV. Mas neste poema, Chacal brinca com o termo. Reclame é o anúncio publicitário da “ótica olho vivo” (apelo para aproveitar a vida), mas é também um convite para reclamar, não aceitar as situações adversas e ir à luta.



Imagem: Stock photo

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10 de abril de 2010

Aniversário: 2 anos do blog Ponderantes

Há dois anos, criei o blog Ponderantes. Inicialmente, não tinha um alvo estabelecido. Só queria experimentar a novidade. Posteriormente, fui acometido por uma pretensão: eu quis mostrar a todos minha forma de ver o mundo. E esse objetivo foi alcançado, de forma que os amigos foram chegando, chegando, chegando. E agora, possuo amigos-leitores com os quais tenho afinidade (às vezes, discordamos de uma coisa ou outra, o que é natural).

Nos primeiros meses do ano passado, em virtude do trabalho, anunciei minha saída da blogosfera. A decisão, porém, durou pouco. Afinal, blogar é um hábito difícil de “largar”. Hábito, é bom que se diga, gerado não apenas na escritura e postagem dos textos, mas na repercussão que eles causam e também na leitura dos blogs amigos.

O que ganhei nesses dois anos? Resumidamente: aprendi a tolerar as ideias contrárias às minhas. Conheci o mundo através de pessoas reais e não apenas de correspondentes da imprensa. Fiz amizades com pessoas inteligentes, possuidoras de pensamentos que surpreendem positivamente. E, por fim, apaixonei-me ainda mais pela escrita.

Por tudo isso, agradeço aos meus amigos-leitores que me fizeram manter prazerosamente o Ponderantes até aqui.


Obrigado!!!


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6 de abril de 2010

Racismo – Ponto de Interrogação




“Ponto de Interrogação” é um vídeo que faz parte do projeto Microdramas – Dramaturgia no Break, do Pólo de Teledramaturgia da Bahia (Pote). O projeto compreende de pequenas histórias escritas, dirigidas e interpretadas por profissionais baianos.

Os vídeos foram veiculados em 2005, durante os intervalos comerciais da TVE Bahia e da TV Bahia, parceiras do empreendimento.


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3 de abril de 2010

Acarajé com pão de queijo e outras ponderações

Acarajé com pão de queijo

A baiana Insinuante e a mineira Ricardo Eletro se uniram. Juntas, as duas serão a segunda maior cadeia de móveis e eletrodomésticos do Brasil. Anteriormente, elas concorriam não apenas nas vendas, mas também na categoria “comercial mais alarmista da TV”. Resta saber que reação essa mistura causará no estômago, ou melhor, no bolso do consumidor.


Machado no tabuleiro de liquidação

Há alguns dias, um livro de Machado de Assis estava na banca de liquidação do Hiper Bompreço. O preço era realmente bom e convidativo, mas parecia não despertar o interesse de quem passava por ali. Por sua vez, o CD de uma determination banda foi muito bem consultado (quem não comprou, ao menos ouviu gratuitamente). A propósito, parece que essation banda tem apenas uma música em seu repertório. Não se toca outra coisa; nem a Capitu suportaria isso.


Sobre o post “Meu pedido de Exoneração incomodou os detratores da Educação”

Conforme estatística do Google Analytcs, o post citado acima foi um dos mais acessados em quase dois anos de blog Ponderantes. Seria interessante que todos que o lessem também comentassem. Mas agradeço aos 32 leitores que deixaram suas opiniões construtivas. Foram palavras cordiais e incentivadoras. Não houve comentários depreciativos (e se houvesse eu não os publicaria). Obrigado a todos vocês.


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24 de março de 2010

Borboleta prende homem em Feira de Santana



A borboleta impediu que o homem prosseguisse a caminhada. Ele tentou esquivar-se de todas as formas. Dava agressivas barrigadas. Folgava o próprio corpo com as mãos. Mas todo aquele ridículo esforço foi inútil. O homem acabou preso pela borboleta.

Muitas pessoas estavam no local. Todas observavam a cena atentamente. Algumas ficaram tensas. Outras deram gargalhadas. Mas ninguém tentou ajudá-lo. Só queriam continuar vendo aquele homem preso pela borboleta.

Por fim, o cobrador conseguiu destravar a borboleta. O homem, envergonhado, passou. Pagou a passagem. Minutos depois, desceu do ônibus. Ali, no Terminal Central de Feira de Santana. E ele nunca esqueceu o dia em que foi preso pela borboleta.


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20 de março de 2010

Professores de Inconsciência


Os professores de inconsciência não participam de mobilizações. Pelo contrário, aproveitam esses momentos para ficarem em casa, assistindo à Sessão da Tarde ou para viajarem, como se estivessem em plenas férias.

Ainda assim, tais docentes são contemplados com o aumento salarial resultante das reivindicações. E para justificarem a falta de engajamento, eles tripudiam, afirmando que o valor do reajuste é insignificante. De fato, os professores de inconsciência não precisam de um reles reajustezinho, afinal eles complementam a renda vendendo roupas e bugigangas aos colegas-coniventes em plena sala de professores.

Como se vê, os professores de inconsciência colaboram para a queda da qualidade da profissão. Emperram as melhorias para o dia-a-dia da classe. Além disso, permitem que toda a categoria seja achincalhada por governantes e sociedade.

Se fosse possível comprar e revender consciência como se comercializam roupas, certamente uma considerável percentagem dos problemas inerentes à classe de professores estaria resolvida. Mas como não há loja de consciência, os problemas continuam. (Texto de Valdeir Almeida)



P.S¹. Os professores de inconsciência não abraçaram a causa da Educação. Pelo contrário, estão em sala de aula por falta de alternativas (embora alternativas sempre existam, como mudar de profissão).

P.S². Este meu manifesto nada tem a ver com os verdadeiros professores (que, felizmente, são maioria). Minha indignação é com aqueles que se infiltram na classe para manchar o nome dessa profissão tão digna. É necessário admitir que há esse tipo de mau-profissional entre os docentes.




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