29 de agosto de 2009

Amizade Versalizada


Poema do Amigo

Amigos...
Histórias, vivências
Choro, risada
Sóis, invernos
É a dialética dessa estrada.

Quem não anda por ela não anda
Busca o ser no não-ser.


O texto acima é do poeta-escritor Weslley Moreira de Almeida. Através dessas palavras, ele expressa o valor primaz de um amigo.

A amizade é fundamental para a saúde emocional de qualquer pessoa. Isso porque somos seres, cuja estrutura psíquica exige companhia de outros iguais a nós para estabelecermos identificação.

Creio que é justamente a identificação que Weslley quis abordar ao dizer:

“Quem não anda por ela [estrada de amigos] não anda
Busca o ser no não-ser”.

Ou seja, apenas no outro – que é semelhante a nós – nos reconhecemos. É como se precisássemos dessas pessoas para lembrarmos quem somos. O outro se torna, pois, um espelho necessário para o infinito processo de construção de nossa identidade.

Desse modo, quando não temos esse amigo que se apresenta como um afetuoso espelho, não conseguimos nos reconhecer; não somos quem realmente somos. Tornamo-nos um “não-ser”. E passamos a caminhar numa estrada solitária onde a única estação é o inverno e o choro é nosso único consolo.


P.S. Weslley Moreira de Almeida é autor do livro “Pétalas, Talos e Espinhos”, de onde foi extraído o “Poema de Amigo”.


Imagem: Free Desktop Wallpaper
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26 de agosto de 2009

Diálogo entre Diretora de escola e Mãe de aluno


A diretora de uma escola telefona para o celular da mãe de um aluno:

Diretora de Escola– Esta já é a quinta vez que lhe convido para uma conversa sobre seu filho. E a senhora nunca veio ao colégio. Nem sequer em reunião de pais e mestres a senhora comparece.

Mãe de Aluno – Diretora, eu trabalho o dia inteiro; não posso me dar ao luxo de sair do meu serviço para conversar sobre meu filho. Eu vejo ele todos os dias em casa.

Diretora – Vê ele todos os dias, mas provavelmente quando ele está dormindo, né?

Mãe – Por um acaso a senhora está querendo ensinar a educar meu filho?

Diretora – De forma alguma. Na escola não existe a disciplina Educação Familiar. Isso é responsabilidade sua.

Mãe – A senhora está irritada só porque eu não costumo ir aí? Tenha calma.

Diretora – Eu não estou nervosa. O que sinto é indignação com sua displicência em relação a seu filho.

Mãe – Displicente, eu? Se algo está acontecendo com meu filho nas dependências da escola, a responsabilidade é da própria escola e não minha.

Diretora – Minha senhora, perdoe-me pela sinceridade, mas eu e os professores não somos babás, muito menos de adolescentes. Além disso, todo o corpo docente da escola, assim como nossa coordenação e nosso psicólogo fizeram todo o possível para ajudar seu filho. Portanto, a senhora também tem que tentar ajudá-lo. Agora chegou a sua vez de agir.

Mãe – Diretora, neste momento estou trabalhando. Eu já disse que não posso ir aí agora.

Diretora – Mas a senhora está com tempo para ir ao abrigo para menores infratores?

Mãe – Como?

Diretora – Seu filho foi preso do outro lado da cidade vendendo drogas. O delegado insistiu para que ele desse o número do celular da senhora, mas ele não deu, alegando que a senhora não tem tempo para nada e, portanto, não iria tentar resolver o problema dele. Como seu filho estava com o uniforme da escola, o delegado veio aqui para pedir que eu ligasse para a senhora e comunicasse a questão.

Mãe – (...)

Diretora – Senhora?... Está tudo bem aí?

Mãe – (...)

Diretora – Senhora? Senhora?
(Texto de Valdeir Almeida)

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22 de agosto de 2009

Livros nem a preço de banana


O espaço dedicado aos livros num grande supermercado de Feira de Santana está cada vez mais reduzido. Enquanto isso, a seção de CDs (de qualidade questionável) vem ganhando destaque.

Ontem, a situação estava extremamente crítica. O número de livros nas prateleiras minguou-se mais ainda. À exceção de quem trabalha no supermercado, não se sabe onde os livros foram parar. Mas muitos deles estavam visivelmente espalhados sobre uma banca de madeira, com um cartaz ao lado: Livros em LIQUIDAÇÃO.

A banca de livros em “ponta de estoque” estava exprimida entre a seção de CDs caríssimos (e, ressalte-se, pobre em qualidade) e as mesas das lanchonetes americanizadas. Os CDs vendiam-se a rodo. E as mesas das lanchonetes estavam todas ocupadas pelos consumidores. Ao mesmo tempo, a banca de livros em liquidação permanecia abandonada. Vez ou outra aparecia alguém, mas por engano; possivelmente atraído pela palavra LIQUIDAÇÃO estampada em letras garrafais (o restante da frase estava grafada num tamanho comum). Quando percebia que a oferta era de livros, a pessoa continuava seu percurso, empurrando o carrinho.

A situação relatada acima é apenas uma amostra do agravamento da (eterna) crise cultural brasileira. Em termos de leitura, essa crise fica ainda mais acentuada. Há décadas, reclama-se do alto valor dos livros. Mas a realidade é que o preço de muitos deles é metade do valor dos CDs (CDs, aliás, que vendem como água). Portanto, a falta do hábito da leitura em nosso país não pode ter como única justificativa o preço dos livros.


P.S: Entre as obras jogadas na fogueira da liquidação estavam as de autores renomados, tanto clássicos como contemporâneos.

Imagem: Stock photo
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2 de agosto de 2009

Olhar de Peixe Vivo


Um pequeno peixe chegou à lagoa. O que ele não tinha em tamanho, sobrava em simpatia. Foi por isso que conquistou a amizade de todos os moradores.

Mas havia um peixe muito grande – meio escondido atrás de uma pedra – que não queria saber da festa. Permaneceu quase o tempo todo imóvel e olhando de banda.

O peixinho perguntou aos novos amigos qual a razão daquele grandão não se misturar com a turma. Todos se calaram e fizeram cara feia.

Entretanto, o novo morador, que não deixava nenhuma amizade passar, foi lá conhecer o peixão. Mas este imediatamente recuou e abaixou a cabeça.

Mesmo assim, o peixinho se aproximou, apresentou-se e disse que os dois poderiam ser grandes amigos. O grandão deu um leve sorriso, mas ainda continuava arredio. Só saiu definitivamente detrás da pedra, depois que o pequeno peixe lhe fez muitas palhaçadas.

Naquele momento, o novo morador percebeu o motivo do acanhamento do peixe carrancudo: ele tinha apenas um olho:

– Você vai fazer como os outros, né? – indagou o peixão – É sempre assim, quando descobrem que sou desse jeito, todos se afastam de mim.

– Para mim não muda nada, meu amigo – respondeu o peixinho. Os vizinhos que lhe ignoram têm os olhos saudáveis, mas veem problema em tudo. As vistas deles são embaçadas pelo preconceito e pela falta de amor. E você tem apenas um olho, mas um coração muito grande e uma alma generosa. Eles não sabem o que estão perdendo sem sua companhia.

Pela primeira vez, aquele peixão chorou. As lágrimas de emoção se misturaram com as águas da lagoa. Águas que testemunharam o surgimento de uma amizade sem barreiras.


Produzi este conto em homenagem a meu sobrinho Filipe: desbravador de corações, conquistador de novas amizades.

Imagem: Stock photo
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1 de agosto de 2009

Selos para blogs que despertam meu sorriso ou meus sentidos

Selo “Este Blog me Faz Sorrir”



Recebi de Marise, do blog Filosofar é Preciso.



Procedimentos:
Listar 7 coisas que gosta e depois indicar 7 blogs para levar o selo.


Umas das 7 coisas de que mais gosto são: ler, escrever, blogar, assistir a um bom programa de TV.


Blogs que me fazem sorrir:

Muleque Doido
Abrazar La Vida
My Inner Universe
Crônicas de uma menina feliz
Caixa do Júnior
Viraletras
Sakuxeio



Selo “Este blog mexe com meus sentidos”



Recebi de Éverton, do blog Re-Novidade

Procedimentos:
1) Indicar os 10 blogs que mexem com os seus sentidos;
2) Dizer 5 coisas que mexem com seus sentidos nesse momento;
3) Linkar quem te deu o selo e exibir no blog.

Cinco coisas que mexem com meus sentidos neste momento:
1) A música de péssimo gosto que meu vizinho está ouvindo
2) O cheiro de dia novo
3) O vento frio (o sol está escondido entre nuvens).
4) ?
5) ?

Blogs que mexem com meus sentidos:
O Bem Viver
Filosofar é Preciso
EELLEENN
Le-Tranças
Um Blog que Pensa
Minha Literatura Agora
Detesto Estudar
Alice no País do Pensamento
Verdades Forjadas
Valdemir Reis
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