20 de outubro de 2009

O trema não morreu


Minutos antes de o telejornal entrar no ar, o apresentador repassava o texto em voz alta, como se já estivesse à frente da câmera.

De repente, ele entrou em guerra com a palavra inexequível. Perguntou ao seu editor: “Como é a pronúncia: inexekível ou inexequível? Faltando apenas dois minutos para o telejornal entrar ao vivo, o editor não sabia responder.

Já diante da bancada e irritado, o apresentador recorreu ao diretor: “Faça um milagre aí da sua sala. Tenho pouquíssimo tempo para saber a pronúncia correta dessa palavra chata”.

O diretor ia pedir socorro à internet, mas só faltavam 30 segundos para o programa começar. Lembrou do dicionário na gaveta de sua mesa. Numa velocidade espantosa, consultou o livro, mas este já estava com a edição segundo as novas regras ortográficas. O u da palavra inexequível estava desnudo, não se sabia se era pronunciável.

Não havia mais tempo. O jornal entrara no ar. O apresentador, nervoso, deu a primeira manchete: “Veja hoje as principais notícias do dia: A respeito da diminuição dos próprios salários, os deputados afirmam que o projeto é inexekível, perdão, é inexequível... inexekível... Perdão, os deputados afirmam que o projeto não pode ser executado”.


O trema foi a grande vítima da (parcial) Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa. Mataram-no como quem abate uma mosca. Mas nas noites assombrosas dos discursos de oratória, o trema ainda vai puxar a perna de muita gente.



Abaixo, atualização em 23 de outubro de 2009

Neste texto, não se afirma que o fim do trema instituiu uma nova pronúncia.

O que se tenta discutir nessa crônica, como já fiz em outros textos, é que com o fim deste sinal diacrítico, haverá muitas dúvidas quanto à pronúncia de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano linguístico.


30 comentários

Juliano 20 de outubro de 2009 22:17  

Eu sou um. Que ele vai puxar a perna.

Abraços Valdeir

Amigao 20 de outubro de 2009 22:52  

Ele vive puxando a mina.Mas quem não deve não treme.
hummm...

Abração do amigão!

D i c a 21 de outubro de 2009 07:53  

Sinceramente?
A reforma confunde muita gente.

brasildobem 21 de outubro de 2009 11:06  

É mesmo, ainda não tinha pensado sobre isso. Agora fiquei aqui com várias pulgas atrás da orelha.
Abraços,
Janeisa

HSLO 21 de outubro de 2009 16:32  

Super interessante seu post...viu. É necessário está sempre por aqui.

Amo o seu blog.


abraços

Hugo

Neto 21 de outubro de 2009 17:33  

Confesso que não sei como se pronuncia. Posso falar na minha lingua mas, da forma 'correta correta', não sei...

Ainda bem que estás aí, professor! :)

ps. seu post vai ao ar sexta feira. E ficou muito bom!Obrigado!

Forte abraço.

Renato Fierce 21 de outubro de 2009 18:31  

HAUhuhsushua... fiquei com medo agora,

não quero mais ser o orador da minha turma na formatura!

digitaqueeuteleio 21 de outubro de 2009 19:51  

Ah, Valdeir, eu não me desfaço dos meus dicionários mais antigos. Ainda sinto a necessidade de utilizar as acentuações futuramente "extintas". Sempre me preocupei em saber utilizar o trema (desde a escola), mas já estou me acostumando a não utilizá-lo (mentalmente...rss), pois parece, ainda, que as palavras estão nuas. rss

Eu não sou jornalista, mas não teria passado o apuro do cidadão aí, se eu estivesse em seu lugar, ao vivo. Eu tenho diploma com "trema" rsss

Abraço.
Marcelo

Marise von 21 de outubro de 2009 20:57  

Valdeir,

O trema faz muita falta....
A minha sobrinha Gabi de 5 anos, quando soube da reforma ficou muito preocupada com o trema do sobrenome dela - Frühauf -
- "como vou ler o meu sobrenome, sem o trema".
Ela ficou aliviada quando soube que o sobrenome, continuaria com o trema.
Mas, sinceramente está muito difícil pronunciar, as palavras que perderam o trema no caminho.
Não gostei da reforma... muito estranho.

Abraços,
Marise.

Luma Rosa 21 de outubro de 2009 21:06  

Resistirei até o meu último suspiro :) Beijus,

Atreyu 21 de outubro de 2009 23:04  

KKKKKKKKKKKKKKKKK
Bichinho do Repórter... esse ia parar no You Tube de certeza! Mas a reforma ortográfica ainda me confunde um pouco. Tive copiar um relatório (todo a mão) de quase 150 paginas pra faculdade e o professor exigiu que estivesse na nova reforma ortográfica... pensa no sufoco! u.u

biscoito20 22 de outubro de 2009 10:46  

Pelo que sei, a pronúncia continua a mesma, mas só não se escreve mais com o trema. O que eu acho uma grande baboseira!

Lembrando que não trema mais na linguiça.

Vanna 22 de outubro de 2009 22:25  

O biscoito 20 está certo. A pronúncia não muda. Agora se sou eu a jornalista, usaria logo um sinônimo p/ não correr o risco d dar vexame. rs

Lembro da piada q contava q a pessoa pediu p/ preencherem um cheque d sessenta reais e perguntaram se era c/ 2 s ou c/ ç e ela achou melhor fazer dois d trinta. Tem sempre uma saída. rs
Abraços, bom fim d semana.

Elaine dos Santos 22 de outubro de 2009 22:35  

Em 2012, quando me corrigirem os erros de acentuação ou o uso do hífen e não houver outra alternativa exeqüível, eu prometo que aprenderei as normas (a toque de caixa) por ora, me deixem escrever como aprendi, como está nos livros que li. Quem sabe, a sensatez vença a brutalidade lingüística e a gente, na prática, não tenha a execução deste acordo comercial!

Valdeir Almeida 23 de outubro de 2009 10:00  

@ Biscoito20 e Vanna,

No texto, não se afirma que o fim do trema instituiu uma nova pronúncia.

O que se tenta discutir nessa crônica, como já fiz em outros textos, é que com o fim deste sinal diacrítico, haverá muitas dúvidas quanto à pronúncia de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano linguístico.


Abraços

Vanna 23 de outubro de 2009 10:34  

Foi bom esclarecer, a princípio não foi esta interpretação q fiz. Riscos da linguagem escrita. rs
Abraços

Neto 23 de outubro de 2009 11:47  

Valdeir, recentemente fiquei numa dúvida danada a respeito de uma palavra: "cogita-se". Procurei em dicionários na web, em sites de conjugação de verbos (tem sempre coisas que a gente não lembra apesar de ter estudado não é?), fui ver verbetes na wikipédia, acessei o Aurélio e não encontrei nada que identificasse que este termo continuava valendo. Não sei se, por causa da reforma ortográfica e porque muita gente já se adaptou mas sabia que ela existia, e daí a apliquei assim mesmo ao texto.

Foi, e agora aguardo que venham me criticar ou, ao menos, me auxiliar rs

OffTopic: Enviei um email à você, ok! Abraços

Andreia 23 de outubro de 2009 23:47  

Oi querido!
Eu realmente ainda estou por fora das novas regras, e se tratando de trema, nunca me dei bem com ele, rsrsrs
Quando vem a próxima coletiva!!!
Ternos beijos querido e tenha um maravilhoso fim de semana...

Vagner Lopez 24 de outubro de 2009 01:36  

É memso uma droga! É estranho, antes era: lingüiça. E agora escrevemos "linguiça" do mesmo jeito que "inguiça", mas pronunciando o "U"... É salvo conduto pra pronunciar "ingüiça" "pregüiça". É simples, mas um pouco contraditório.

Grande abraço.

24 de outubro de 2009 05:57  

Num abro mão de alguns acentos, tá difícil!
Obrigada pelas brilhantes informação.
Saudes de ti!
Beijos de e que seu fds seja cheio de luz, paz e muito amor!

Sandra 24 de outubro de 2009 09:48  

BOM DIA!!!
HOJE TEM MARRECO RECHEADO, STRUDEL, JOELHO DE PORCO, E MUITO CHOPP.
VENHA DEGUSTAR ESTE PRAZER.


VENHA COMIGO PARA ESTE CANTINHO DA GASTRONOMIA BRASILEIRA.
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SANDRA

Catarino 24 de outubro de 2009 10:28  

A reforma foi feita muito apressada, o Brasil foi o único que implementou as mudanças, será que não foi só para dar dinheiro aos editores de livros amigos do Governo?

Weslley M. Almeida 24 de outubro de 2009 11:11  

Suas antenas lingüísticas sempre esticadas, Valdeir...
De fato a utilidade do trema nesses contextos não foi considerada... se os reformadores fossem apresentadores de telejornais, talvez eles não propusessem tal mudança... :}
Parabéns pelo texto!

Wanderley Elian Lima 24 de outubro de 2009 13:51  

Ola Valdeir, é até nos acostumarmos com esta mudanças, muitas casas irão cair.
Forte abraço

Lugirão 25 de outubro de 2009 09:07  

Valdeir, nossa gramática não é fácil, escrever corretamente sempre foi um desafio,
Com essa reforma, complica mais que ajuda, na minha opinião de leiga. Já estou prevendo os erros que vou cometer... fora os que já cometo, por mais cuidado que tenha.
Não gostei das mudanças, as vezes fico perdida entre o novo e o velho, é difícil esquecer do que passou anos para aprender, e que se usa por uma vida inteira, para os não tão jovens.

Bom domingo.

Alma inquieta 25 de outubro de 2009 20:54  

Olá Valdeir!

Parabéns pelo tema de reflexão.
É verdade, a abolição do trema não altera a pronúncia!
Nós em Portugal não temos o trema e pronunciamos o "U" quando ele tem que ser pronunciado!
Quanto à consulta da wikipédia, cuidado, porque não é fidedigna! Qualquer pessoa pode escrever nesse sítio e não há verificação!

Um beijo meu amigo!

Luis Hipolito @@@@@@ The Blogger 25 de outubro de 2009 21:33  

Tudo bem?

Seria interessante um artigo mais específico sobre o uso do "trema" pois até onde estou informado esse acento foi abolido com a Reforma Ortográfica em vigor. Eu por exemplo, tenho eliminado todos os tremas das minhas postagens. Se esse acento ainda existe, gostaria de saber em que palavras ele ainda é usado. Um abraço!!!

Luis Hipolito @@@@@@ The Blogger 26 de outubro de 2009 20:02  

Tudo bem Valdeir?

Realmente, um motorista com 101 anos dirigindo eu nunca vi e é realmente um fenômeno!!!

Daniel Savio 27 de outubro de 2009 13:36  

Cara, esta reforma ainda vai dar muito trabalho, pois no final das contas, falaremos diferente do que escrevemos, pelo menos em alguns casos...

Fique com Deus, menino Valdeir.
Um abraço.

marcelo dalla 28 de outubro de 2009 09:47  

Olá meu querido!!! Excelente post, eu pessoalmente não concordo com a nova regra ortográfica. Continuo a escrever como sempre escrevi. Mesmo pq, a correção automatica do word não foi atualizada.rsrsrs


Por favor nao fique triste comigo, eu sumi mesmo dos amigos, tô correndo aqui com muito trampo... Mas tá tudo bem, logo tudo volta ao normal.

abraço!

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