28 de setembro de 2009

Os olhos do elefante


Raramente escuto alguém mencionar o poema “O Elefante”, de Carlos Drummond de Andrade.

Creio que este seja um dos trabalhos mais brilhantes desse poeta. Trata-se de um elefante que é confeccionado exclusivamente para ir à busca de amigos.


Os olhos configuram o sopro de vida no animalzinho. Agora, vivo e com visão, ele está pronto para sua jornada:

“E há, por fim, os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude”.

Os versos posteriores descrevem a saga propriamente dita. O elefante caminha com os olhos sempre atentos, procurando amigos. Esse “olhar” posto para fora representa a ânsia do narrador por ver o mundo sob um novo ponto de vista. Ao fazer isso, ele reconhece o outro e com este tem maior possibilidade de estabelecer laços de amizade.

Recomendo.


A poesia O Elefante compõe a obra “A rosa do povo”. Uma publicação da editora Record.


Imagem: Stock photo

25 comentários

Juliano 28 de setembro de 2009 22:32  

Eu não tive a oportunidade de ler ainda tal poema, mas pelo o que você nos passou de ser brilhante, e Carlos Drummond de Andrade dispensa comentários neh.!

Abraços e ótima semana pra você Valdeir.!

Daniel Savio 29 de setembro de 2009 00:34  

Poema interessante, pois como assim os elefantes, somos nós pessoas, entregando pelo olhar...

Fique com Deus, menina Valdeir.
Um abraço.

Amorinha 29 de setembro de 2009 10:16  

Versos legais ...
Amei o espaço ;) Já virei seguidora õ/
Eu estou tentando reconstruir meu blog que foi invadido , e achar blogs legais pra acompanhar :)
Beijos!

Éverton Vidal Azevedo 29 de setembro de 2009 12:07  

Ainda nao li a "A rosa do povo”, ainda nao encontrei, já li alguns poemas do livro, nada mais. Mas obrigado pela dica e pela explicaçao.

Abraço!

Caio Abreu 29 de setembro de 2009 13:16  

Olhar o outro com outros olhos. Colocar-se no lugar do outro. Talvez seja um dos primeiros passos pra solucao desse caos de hoje das relações humanas....

Gleydson Barroso 29 de setembro de 2009 18:55  

Tem selo pra vc lá no meu blog amigo!!
abraços!!!

Valdeir Almeida 29 de setembro de 2009 19:35  

Daniel, "MENINO Valdeir", ok?

Adelia Ester Maame Zimeo 30 de setembro de 2009 15:50  

Ótima indicação! Beijos.

Wanderley Elian Lima 30 de setembro de 2009 16:44  

Este poema do Drummond é uma lição de vida para todos nós, se colocar no lugar do outro antes de tomar algumas decisões, é evitar cometer muitos equívocos.
Abração

Ângelo 30 de setembro de 2009 20:51  

Grande Valdeir,

Estou de volta à blogosfera.
Leio bastante poesia, mas confesso não conhecer esta de Drummond, pesquisarei mais.

Dá uma passadinha lá no meu blog quando tiver tempo.

abraços

Lugirão 1 de outubro de 2009 08:16  

Valdeir, não conhecia, muito interessante.

Reconhecer o outro e se relacionar, precisamos muito disso.

Beijos

Amorinha 1 de outubro de 2009 10:52  

Disse tudo quando falou que o tempo cronológico é o maior vilão da felicidade humana !Sempre que der dou uma passadinha aqui pra te vistar ;) Beijos

Neto 1 de outubro de 2009 18:02  

Guardarei esta sua recomendação e o procurarei na Bienal. Com certeza, será mais um bálsamo de leitura :)

Abraços Valdeir!

@philipsouza 1 de outubro de 2009 23:05  

Todo poema de Drummond dispensa comentarios...ele passa uma reverencia enorme no que escreve.....

abraçao

Victor S. Gomez 2 de outubro de 2009 12:36  

Todo relacionamento depende do olho no olho, gosto desse tipo. Abraços

Luciano A.Santos 2 de outubro de 2009 21:12  

Valdeir,

Esse é um dos meus favoritos de Drummond, juntamente com Morte do Leiteiro. Me lembro da primeira vez que o li e fiquei fascinado com o processo criativo, na mente me vem o trecho "Fabrico um elefante com meus poucos recursos". Sem contar a insistência na esperança que é o final do poema.

Muito bom mesmo.

Abraços.

Conceição Duarte 2 de outubro de 2009 22:10  

Valdeir, como vai vc? Obrigada por suas visitas tão amiga! Um super beijo e volto devagar ao blog... A poesia de Drummond é um primor e a do Elefante, vc tem razão, é maravilhosa...
"fabrico um elefante
de meus poucos recursos
Um tanto de madeira,
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão
de paina , de doçura
A colar vai fixar
suas orelhas pensas
A tromba se enovela, e é
a parte mais feliz de sua arquitetura
Mas há também os dentes
dessa matéria prima
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
A esporjar-se nos circos
sem perda ou corrupção
E há por fim os olhos
onde se deposita
a parte do elefante
mais fuida e permanente
alheia a toda fraude...

E por aí vai lindamente....

Muito bem lembrado!

Super beijo, fique com Deus e bom final de semana,

CON

Marise von 2 de outubro de 2009 22:29  

Valdeir

"Esse “olhar” posto para fora representa a ânsia do narrador por ver o mundo sob um novo ponto de vista."
Gostei da sua reflexão em relação ao poema "O elefante".
Precisamos ver o mundo sobre vários pontos de vistas e ter sempre um novo ponto de vista, olhar com estranhamento... dá para filosofar muito.
Muito interessante, parabéns!
Abraços,
Marise.

Sissym 3 de outubro de 2009 00:17  

Francamente, não me lembrava deste interessante poema.
Eu queria ter o cérebro do elefante. Eles são incríveis, nunca me canso de ver reportagens a respeito. Sempre tem algo bom para aprendermos.

Catarino 3 de outubro de 2009 17:33  

Realmente precisamos ter olhos bem a frente para encontrar amigos. Uma bela poesia.
Abraço

blogdocatarino.com 3 de outubro de 2009 20:10  

Valdeir
Voltei para dizer que tem uma homenagem para você lá no blog.

Valdemir Reis 3 de outubro de 2009 21:39  

Olá Valdeir.

Volto aqui para matar a saudade. Sempre que o tempo permite aproveito para visitar e me atualizar. Confesso que estou ausente face às atividades, mas como diz o poeta; “amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, assim falava a canção...” Aproveito para compartilhar o poema a seguir;
"Viva a Vida"...
“Por que Viver é Exalar Pura Energia!
É Devolver Sorrisos.
É Acreditar que o Bem Sempre Vence o Mal.
É Conquistar Amigos.
É Ser Sempre Leal e Fiel.
É Transformar a Dor em Alegria.
É Ter Amor no Coração.
É Correr Atrás dos Sonhos, da Inspiração, e dos Projetos
Buscando Sempre o Entendimento das Coisas.
Viver é Ser Sempre da Paz.
É Orar em Agradecimento pelas Dádivas Recebidas.
É Buscar o que Te Faz Bem, e aos Outros Também.
Viver é Lembrar que o Sorriso é o Idioma Universal.
É Lembrar que o Final não Existe.
É Saber que Tudo é um Eterno Recomeço.
E Ver a Vida Sempre com o Amor no Coração.” A. d.
Votos de um ótimo fim de semana. Muita paz, saúde e proteção. Brilhe sempre! Fique com Deus. Sucesso...

Valdemir Reis

HSLO 3 de outubro de 2009 22:40  

Amigo esse poema é ótimo, eu já vi..outra vez.

Abraços


Hugo

Mescla de culturas 4 de outubro de 2009 10:11  

Muito obrigado por ter retríbuido "seguindo" meu blog tb !
achei interessantíssimo aqui !
abraços !
ótimo poema

Solange Belém 4 de outubro de 2009 17:18  

Sábio poema!!
Abraço

Sol

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