2 de agosto de 2009

Olhar de Peixe Vivo


Um pequeno peixe chegou à lagoa. O que ele não tinha em tamanho, sobrava em simpatia. Foi por isso que conquistou a amizade de todos os moradores.


Mas havia um peixe muito grande – meio escondido atrás de uma pedra – que não queria saber da festa. Permaneceu quase o tempo todo imóvel e olhando de banda.

O peixinho perguntou aos novos amigos qual a razão daquele grandão não se misturar com a turma. Todos se calaram e fizeram cara feia.

Entretanto, o novo morador, que não deixava nenhuma amizade passar, foi lá conhecer o peixão. Mas este imediatamente recuou e abaixou a cabeça.

Mesmo assim, o peixinho se aproximou, apresentou-se e disse que os dois poderiam ser grandes amigos. O grandão deu um leve sorriso, mas ainda continuava arredio. Só saiu definitivamente detrás da pedra, depois que o pequeno peixe lhe fez muitas palhaçadas.

Naquele momento, o novo morador percebeu o motivo do acanhamento do peixe carrancudo: ele tinha apenas um olho:

– Você vai fazer como os outros, né? – indagou o peixão – É sempre assim, quando descobrem que sou desse jeito, todos se afastam de mim.

– Para mim não muda nada, meu amigo – respondeu o peixinho. Os vizinhos que lhe ignoram têm os olhos saudáveis, mas veem problema em tudo. As vistas deles são embaçadas pelo preconceito e pela falta de amor. E você tem apenas um olho, mas um coração muito grande e uma alma generosa. Eles não sabem o que estão perdendo sem sua companhia.

Pela primeira vez, aquele peixão chorou. As lágrimas de emoção se misturaram com as águas da lagoa. Águas que testemunharam o surgimento de uma amizade sem barreiras.


Produzi este conto em homenagem a meu sobrinho Filipe: desbravador de corações, conquistador de novas amizades.

Imagem: Stock photo

19 comentários

Rafael Silveira 2 de agosto de 2009 11:28  

Caraca mano...
você é demais!
Preconceitos hoje em dia ainda existem, por mais que tentemos removê-lo do nosso meio, ele sempre existirá!

HSLO 2 de agosto de 2009 11:41  

Lindooooooooooooo.

Te desejo um bom domingo,


abraços


Hugo de Oliveira

Cristiane Marino 2 de agosto de 2009 17:18  

Olá Valdeir,

Saudades de vc, como tem percebido não tenho tido muito tempo para blogar e tive alguns problemas técnicos mas, seguindo as dicas dos amigos com o firefox acho que agora melhora mesmo, nem toda semana consigo passar pela blogosfera.
Achei seu blog lindo, tá diferente desde a última vez que o vi, adorei.
E o texto é magnífico, dá para usar na escola com as crianças ou ler para filhos e sobrinhos e nem precisa de explicação o texto com linguagem simples e direta fala por si.
Parabéns adorei!
beijos

Atreyu 2 de agosto de 2009 19:30  

Pessoas com esse olhar são comuns às vezes!!!
Basta procurar!!! Post MASSA!!!
Coloqui você na BlogList...
Sem problemas né?

Éverton Vidal 2 de agosto de 2009 19:37  

Valdeir,

Uma grande liçao contada em forma de fábula,o que faz com que nós leitores façamos uma viagem, quem nao gosta de fábula?

Que tenhamos um coraçao puro, como queria o Cristo. Nos esforcemos por isso.

Grande abraço.
Inté!

Valdeir Almeida 2 de agosto de 2009 20:14  

Rafael e HSLO,
Muito obrigado por ter gostado. Também acho que qualquer espécie de preconceito é repugnante. Abraços.

Cristiane,
Foi pura inspiração. Olha, sempre visito seu blog, não se preocupe não, ok? Você deve ter tido problema com o Explorer, não foi? Eu também tive. Agora, uso muito mais o Mozilla. Obrigado por ter gostado do novo visual do meu blog. Beijos

Éverton,meu grande amigo,
Jesus é o maior exemplo de pureza e a amor a seguir. Obrigado pelo comentário. Abraços.

Valdeir Almeida 2 de agosto de 2009 20:36  

Atreyu,

Nem precisava dizer. Para mim, é uma honra ter meu blog na sua bloglist. Abraços e uma ótima semana para você.

Neto 3 de agosto de 2009 20:03  

Em relação ao preconceito fico com o que disse o Rafael. Eu mesmo já fiz posts relatando como é ruim o preconceito nas pessoas. A fábula é interessante.

Valdeir, entendo sua posição quanto à política brasileira, tá! Fique a vontade para não comentar no meu blog se quiser (apenas não deixe de passar lá ok!). Compreendo que este é um assunto chato e maçante mas nem sempre falo sobre isso no blog.

Te aguardo mais vezes por lá.
Obrigado e um grande abraço.

Valdeir Almeida 3 de agosto de 2009 20:42  

Neto,

Quando escrevi meu mais recente comentário em seu blog, eu estava concordando com você. O que fiz, foi acrescentar minha opinião em relação à política brasileira.

Isso não significa que eu não me interesse por política. Eu tento ser politizado, o que tento não ser é partidário.

Meu amigo, gosto do seu blog e acho que você deve, sim, continuar a fazer observações sobre o tema "política". Isso demonstra sua visão crítica a respeito das coisas. Por isso, continuarei a fazer comentários no Sakuxeio.

Abraços.

Du 4 de agosto de 2009 09:35  

Que lindo! Tão bom começar o dia com um texto tão delicado e carregado de lições positivas!
Obrigada!!!

Beijos de bom dia!

blogdocatarino.com 4 de agosto de 2009 10:23  

Este conto ficou muito bom. Parabéns. A atitude do peixinho é a que devemos seguir sempre.

comme des habitudes 4 de agosto de 2009 22:13  

Olá Valdeir. adorei a história do peixinho! bem melhor sem puxar saco viu do que la fontaine com seu clássico o lobo e o cordeiro. apareça mais vezes. serás sempre bem vindo.

abraços.

Valdeir Almeida 5 de agosto de 2009 10:16  

Du, Catarino e Leando,

Muito obrigado pelos comentários. [Leandro, agradeço muito a observação que você fez, mas quem sou eu diante do mestre das fábulas? (rs)].

Abraços.

Junior Silva 6 de agosto de 2009 02:54  

Olá Valdeir

Ótimo texto.
É difícil encontrar pessoas que enxergam com o coração, principalmente num mundo tão individualista que é o nosso atualmente.
Mas não é impossível. Acredito nisso.

Abraços.

Histórias & Estórias 10 de agosto de 2009 10:14  

O que me intriga é o peixão (forte, vistoso) se envergonhar de si mesmo.

O pacumã, por exemplo... o peixe mais feio que já vi na minha vida (moro na beira do rio São Francisco) é de inigualável no sabor. Mas o Dourado, com sua pompa galantesca, faz mais sucesso que ele. Bom para o Pacumã que não é caçado ferozmente. (Já vi turista dizer que morre, mas não come aquilo! kkkkk) .

Mas será mesmo que o pacumã se sente menos afortunado? A gente é assim também...

E.Suruba 11 de agosto de 2009 08:06  

foi legal a comparação!
bj

Neto 15 de agosto de 2009 14:56  

Valdeir, finalmente consegui escrever sobre o selo que me deu. Peço desculpas pela demora. Agendo alguns posts, mas tenho pouco tempo mesmo (devido a vida offline) para estar entre os blogs amigos como gostaria.

Abraços e obrigado.

Link aqui: http://sakuxeio.blogspot.com/2009/08/sopensando-mais-um-blog-coletivo-na.html

Éverton Vidal Azevedo 18 de agosto de 2009 21:04  

Valdeir,

Muito obrigado pelos parabéns. Estou planejando mais um ano de blog, bom, já estou no quarto ano né. Depois disso nao sei rs.

E percebi seu sumiço, hoje quase lhe mandei um email, mas a internet nao colaborou. Eu vou sumir um pouco também agora, amanha minhas aulas recomeçam. E mande notícias amigo!

Um grande abraço fraterno.
Inté!

amanda 25 de abril de 2011 15:26  

Gostei desse estória do olhar de peixe vivo :D

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