22 de agosto de 2009

Livros nem a preço de banana


O espaço dedicado aos livros num grande supermercado de Feira de Santana está cada vez mais reduzido. Enquanto isso, a seção de CDs (de qualidade questionável) vem ganhando destaque.


Ontem, a situação estava extremamente crítica. O número de livros nas prateleiras minguou-se mais ainda. À exceção de quem trabalha no supermercado, não se sabe onde os livros foram parar. Mas muitos deles estavam visivelmente espalhados sobre uma banca de madeira, com um cartaz ao lado: Livros em LIQUIDAÇÃO.

A banca de livros em “ponta de estoque” estava exprimida entre a seção de CDs caríssimos (e, ressalte-se, pobre em qualidade) e as mesas das lanchonetes americanizadas. Os CDs vendiam-se a rodo. E as mesas das lanchonetes estavam todas ocupadas pelos consumidores. Ao mesmo tempo, a banca de livros em liquidação permanecia abandonada. Vez ou outra aparecia alguém, mas por engano; possivelmente atraído pela palavra LIQUIDAÇÃO estampada em letras garrafais (o restante da frase estava grafada num tamanho comum). Quando percebia que a oferta era de livros, a pessoa continuava seu percurso, empurrando o carrinho.

A situação relatada acima é apenas uma amostra do agravamento da (eterna) crise cultural brasileira. Em termos de leitura, essa crise fica ainda mais acentuada. Há décadas, reclama-se do alto valor dos livros. Mas a realidade é que o preço de muitos deles é metade do valor dos CDs (CDs, aliás, que vendem como água). Portanto, a falta do hábito da leitura em nosso país não pode ter como única justificativa o preço dos livros.


P.S: Entre as obras jogadas na fogueira da liquidação estavam as de autores renomados, tanto clássicos como contemporâneos.

Imagem: Stock photo

11 comentários

Amigao 22 de agosto de 2009 13:17  

Pois é amigão,se como dizia o Monteiro Lobato, um paí se faz com homens e livros e se estão todos em liquidação, homens e livros então tem jeito não vamos fugir para as colinas.

Abração do amigão!

Éverton Vidal Azevedo 22 de agosto de 2009 13:52  

Valdeir,

É triste a situaçao. Eu incentivo o pessoal que mora comigo a ler livros, sao estudantes de medicina, lêm obrigatoriamente as coisas da facul, mas literatura, um livro pra alargar a mente nao. A minha amiga Lorena escreveu certa vez (faz tempo) um texto sobre a importância de se ler. Ela acaba de se formar em biologia, vai ser professora, e sabe que nao importa a matéria, se matemática ou biologia, é essencial a leitura da literatura especialmente brasileira.

Por sinal, se vc nao conhece o blog dela eu te indico (Strange Littler Girl). Ela anda meio off agora, mas tem muita coisa lá que vale a pena ler, e ela sempre volta rs.

Espero que ao menos você tanh comprado uns dois livros da liquidaçao rsrsrs. Um forte abraço.
Inté!

james p. 22 de agosto de 2009 14:06  

E essa triste realidade,Valdeir,se repete pelo país afora.A cultura com C maiúsculo nunca foi prioridade para governo algum(e quem disse que eles querem um povo com senso crítico apurado?).Resta a nós,torcermos e tentar criar uma escola mais democrática.Belo post.Grande abraço.

HSLO 22 de agosto de 2009 16:20  

É triste mais é real.

Abraços


Hugo

Joéliton dos Santos 23 de agosto de 2009 10:28  

Olá Pessoal,
É com muita satisfação que venho para divulgar meu primeiro livro.
Entre no meu blog e confira o meu filhote.


Por favor, ajude minha divulgação. Coloque no seu blog meu livro.
Abração

Anônimo 23 de agosto de 2009 14:56  

Olhar para o cotidiano e refletir sobre ele... isso também filosofia. Parabéns, caro amigo, pelo texto.
A prática da leitura - de fato - ainda é minguante em nossa cultura. Tenho esperanças de dias de lua cheia...!

Weslley

Tony 23 de agosto de 2009 21:11  

Oi Valdeir,

Importante seu texto. Essa situação precisa mudar.

Vendo a situação calamitosa dos níveis de leitura do nosso povo o governo promulgou, no início deste ano uma lei criando o Dia da leitura. Só que a data escolhida é um feriado nacional, 12 de outubro. Será que alguem vai ficar em casa no feriadão para ler livros...

Abrço

Catarino 24 de agosto de 2009 17:32  

A cultura no Brasil é relegada a último plano, ninguém dá valor.

Neto 25 de agosto de 2009 16:41  

O pior é que o brasileiro comum é avesso à leitura.
No meu modo de ver, isto é o mesmo que ser avesso a pensar.

Abraços Valdeir!

Alma Inquieta 27 de agosto de 2009 18:26  

Olá Valdeir,

cheguei até ao seu cantinho através do espaço do Hugo.
Ainda bem!
Sabe que se a notícia se referisse a Portugal ia ser igualzinha?
É verdade, apesar de qualquer entrevista que apareça publicada, a pessoa dizer "eu adoro ler".
Apetece perguntar " o quê? - jornais ou revistas cor-de-rosa?"

É triste, mas a nossa realidade confunde-se com a vossa, se isso lhe serve de algum consolo!

Um beijo!

Malcan 31 de agosto de 2009 23:37  

Eu fiz um post sobre livros baratos, mas apenas um disse que era uma boa dica. Levo isso como o perfil da população. vai ser dificil ver alguem achando que um livro é uma boa dica.

Grande abraço, obrigado pela visita!

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