16 de julho de 2009

Um Tributo aos Cães

Eu disse para meu interlocutor ao telefone: “Pois é! Jamais imaginei que aquele nosso colega fosse fazer algo tão vil contra mim. Ele é um cachorro”.

Naquele momento, meu dog alemão levantou as orelhas bruscamente e inclinou a cabeça para mim. Tive a impressão de que ele entendeu o que eu acabara de falar. Diante daquela cena, fui acometido por um intenso remorso. Mal me despedindo do meu amigo, desliguei o telefone e passei a refletir sobre aquela situação.


Os cães não costumam agir falsamente. Quando não gostam de alguém, respondem imediatamente com rosnadas, rangidos de dentes, mordidas. Se sentem afeição, fazem o que for possível para manifestar esse sentimento, mesmo que o destinatário do carinho tenha sua roupa manchada com as patas do animal.

O ser humano, por sua vez, carrega na própria essência a característica da traição. Em razão da sua capacidade de pensar, ele pode orquestrar planos funestos contra seu semelhante.

É justamente por isso que somos um dos assuntos mais discutidos nas conversas entre cachorros. Certamente costumam desenvolver explanações sobre nosso comportamento complexo. Não é por outro motivo que quando um cachorro foge à regra da própria espécie, aparece outro para alertá-lo: “Você está parecendo gente, meu amigo. Cuidado! Não traga esse vírus pra cá”.

Aprendi a lição. Não chamarei mais os calhordas de cachorro. E o meu dog alemão, enquanto suja minha calça com suas carinhosas patas, agradece.

8 comentários

Eurico 17 de julho de 2009 08:09  

Vim comentar para dizer que ao postar o poema A Palavra, achei q vc seria o primeiro a aparecer por lá. E foi mesmo. Depois que li aqui sua declaração de amor à Palavra, eu sabia que vc gostaria do texto do Carlos Pena Filho, o saudoso "Berrito D'Água", amigo do Jorge Amado, e querido de todos aqui no Recife...

Estou tb testando os comentários aqui.

Abraço fraterno.

Amigao 17 de julho de 2009 09:19  

Bom dia amigão,
Que coisa hein? Eu sempre achei mesmo que eles falavam da gente nas rodinhas...
Fico imaginando a Ana Carolina, falando de mim com as amigas dele e me chamando de idiota...hehehe

Abração do amigão!

Valdeir Almeida 17 de julho de 2009 10:04  

# Eurico e Amigão,

Depois que segui a sugestão de vocês dois, consegui resolver o problema de inserir comentários em meu blog.

Muito obrigado,de coração. Essa é uma demonstração de que existem amizades - no sentido real do termo - na internet.

Abraços.

Caio Abreu 17 de julho de 2009 11:11  

Adorei esse texto! Realmente os cachorros nao merecem esse tratamento qd os relacionamos com os fdp da vida...

prefiro meus cães ao ser humano!

Ricardo Aiolfi 17 de julho de 2009 12:17  

morte a falsidade

O bEM viVER 18 de julho de 2009 13:56  

Oi, Valdeir,

Como fiquei mais de mês sem participar, não mais visitei o seu blog. Mas hoje, dando uma olhando na lista de amigos e depois nas mensagens, vi uma sua. E vim visitar o seu blog. Quantos títulos atraentes...

Inclusive hoje estou escrevendo umtexto sobre o meu cãozinho, como foto e tudo. Gostei desse seu. Nem lembrado. Quando alguém, com raiva, mencionar a palavra "cachorro", vou pedir explicação.

Até logo.

Lena

Anônimo 24 de julho de 2009 13:12  

Que sacada... Lembrei-me do livro a Revolução dos Bichos,de George Orwell.
E lembrei-me tbm do fato de que tenho um amigo (Henrique) que gosto muito e que geralmente, brincando, o comprimento chamando-o de cachorro. E isto soa carinhosamente. Aí está a explicação do porquê da conotação positiva da palavra "cachorro".
Weslley.

Éverton Vidal 24 de julho de 2009 15:26  

Eu já estava saindo daqui quando vi o começo do texto e resolvificar.
Nao perdi nada. Que texto legal mano rsrs.
E com certeza chamar certos humanos de cachorro é ofender a raça canina rs.

Inté.

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