10 de fevereiro de 2009

Artigo tumultua a Morfologia, Parte Final

Foi num desses encontros que um vocábulo de personalidade não identificável (de tão contaminado que estava) deu a seguinte declaração:

“A Morfologia – assim como toda a Gramática – não existe por si só. São necessárias bocas e mãos humanas para que ela ganhe realidade concreta”.



Na outra ponta do auditório, LINDA emendou o raciocínio:

“Entendi o que você quis dizer: na utilização real das classes de palavras, elas só exercem a função que o usuário da língua achar conveniente para determinada situação de comunicação. Isso significa que o Artigo não é todo poderoso como imagina ser”.

Quando LINDA acabou de falar, o Artigo adentrou o auditório e disse arrogantemente:

“Vocês são um bando de classes gramaticais falidas e contaminadas. E isso é definitivo; não tem mais como mudar. Esse discurso que vocês estão proferindo, não irá servir para nada”.

Naquele momento, corajosamente, uma palavra representante da classe dos verbos ficou cara a cara com o Artigo e falou-lhe:

“Senhor Artigo, o que essa palavra acabou de falar é a pura verdade. Nossa cidade é democrática. Aqui, os cidadãos são avaliados de maneira igual. Todas as funções desenvolvidas pelas classes de palavras são valorizadas. Não existe função maior ou menor. É justamente por isso que os humanos conseguem se comunicar: por causa da harmonia entre as palavras".

Quando o representante do verbo finalizou seu discurso, todas as palavras do auditório o aplaudiram de pé. O Artigo amoleceu o coração. Chorou bastante. E prometeu, arrependido, nunca mais causar aquele tumulto na Gramática.


Escrevi esse conto para aplicar nas aulas introdutórias de Morfologia e Análise Sintática. Os resultados têm sido satisfatórios e surpreendentes, visto que após a aplicação desse texto e a respectiva discussão, os alunos têm conseguido compreender melhor os referidos assuntos.

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