30 de outubro de 2008

Operadora Vivo faz TV alterar palavras

Antigamente, na TV, quando havia um link com informações acontecendo no momento, aparecia a tarja VIVO na tela.

Em 2003, a operadora de celular VIVO chegou ao mercado brasileiro. O nome foi uma verdadeira tacada de mestre. Todas as vezes em que surgia a palavra VIVO num programa televisivo – quisesse ou não as emissoras – a VIVO era beneficiada com publicidade.

E já no lançamento, a operadora não escondeu que a escolha do nome foi mesmo para associá-lo às tarjas que apareciam o dia inteiro e em qualquer canal de televisão do país. De forma que, uma atriz da Rede Globo, durante os intervalos comerciais, apresentava a novidade ao telespectador, concluindo sua fala com: “Vivo ao vivo”.

Na Bahia, um apresentador de telejornal popular chegou a afirmar que sua emissora não mais apresentaria a expressão VIVO na tela e que, em vez disso, passaria a usar a palavra “Direto”. Entretanto, isso não demorou muito tempo; a emissora voltou a utilizar a antiga forma, porque o telespectador estranhou.

Mas a festa da operadora durou pouco. Tendo como pioneira a Rede Globo, todas as emissoras de TV do país passaram a adotar AO VIVO em vez de simplesmente VIVO.
E será que a simples supressão de uma preposição faz alguma diferença?

P.S
Ao agir dessa forma, a operadora não usou de má fé, afinal o termo “vivo” é de domínio publico.
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28 de outubro de 2008

Alguns Ditados Incoerentes

Ditado:
"A voz do povo é a voz de Deus".

Incoerência:
O ditado coloca o povo e Deus como se possuíssem a mesma característica da perfeição. Na verdade, o povo também pode errar (e como erra!). Temos diversos exemplos, a começar pela própria Bíblia (cito as Escrituras, já que o ditado toca no tema religião): Herodes pediu ao povo que escolhesse entre crucificar o inocente Jesus ou liberar da prisão o perigoso criminoso Barrabás. Herodes lavou as mãos e mandou matar Cristo. Deus, por sua vez, jamais cometeu equívocos.


Ditado:
"Contra fatos não há argumentos".

Incoerência:
Qualquer fato é passível de contestação. E todo ser humano é possuidor de inteligência para contra-argumentar um fato.


Ditado:
"Gosto não se discute".

Incoerência:
Possivelmente, esse ditado surgiu para afirmar que toda espécie de preferência deve ser respeitada. Isso porque seria ilógica a existência de gostos inquestionáveis. Por outro lado, se esse ditado nasceu numa situação de discriminação, ele tem total coerência, pois cada indivíduo tem a liberdade para viver como quiser, desde que não restrinja a liberdade alheia.


Ditado:
"O dicionário é o pai dos burros".

Incoerências:
1) Os leitores de dicionários não são desprovidos de inteligência. Pelo contrário, são sábios e querem estimular sua sabedoria e ampliar seus conhecimentos lendo (ou consultando) o livro dos significados. O ditado “o dicionário é o pai dos burros” geralmente é pronunciado por pessoas repetidoras do que os outros falam, mas não refletem sobre o que estão dizendo; ou então são apenas acomodados: não querem estudar.

2) Por que dar o nome de burro a alguém que tem dificuldade de entendimento? Para quem não sabe, esse animal é bastante inteligente.

Ditado:
"Tempo é dinheiro".

Incoerência:
Não vou fazer um discurso a la Marx, bradando contra o imperialismo capitalista, mas hei de convir que esse ditado tem total relação com o capitalismo determinista. Ora, tempo não é só dinheiro; é, também, amizade, família, Deus. Nosso tempo deve ser também para usufruto de outras coisas e não apenas para o trabalho. Aprenda a administrar seu tempo; e não sustente sua auto-estima apenas no trabalho.
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24 de outubro de 2008

A Novelização do Caso Eloá

As telenovelas não conseguem mais prender a atenção do telespectador. Mas, durante os últimos dias, as emissoras têm conseguido uma maneira infeliz de contornar a situação: a “novelização” do seqüestro em Santo André.

A vida real encarregou-se de arquitetar a história nua e crua. A televisão – especializada em ilusões – deu o tom, mediante a trilha sonora, as vozes forçadamente emotivas de alguns jornalistas e as edições semelhantes às de uma telenovela.


Entretanto, a maior parte da similaridade entre as tramas novelísticas e o caso do seqüestro no ABC paulista foi produzida, de fato, pela vida real. Observa-se isso, sobretudo, no modo como a trama se desenrola. Nas novelas de TV, há sempre uma trama central e várias subtramas que se desenvolvem a partir da história principal. É isso que está acontecendo, agora, com o caso Eloá. Veja:


A protagonista:

A personagem principal é Eloá: mocinha e heroína da história. O Brasil parou diante da teleinha para acompanhar cada capítulo da saga da garota, que, além de muito bonita, era carismática. Eis aí um prato cheio para que a audiência das emissoras fosse às alturas.


O vilão:

Como ocorre nos folhetins televisivos, o vilão Lindemberg foi (e ainda é) odiado pelo Brasil inteiro. Não há ninguém que tenha outro sentimento por ele, um cruel assassino.

Nenhum autor de novelas da TV teve uma imaginação tão fértil a ponto de inventar um personagem desta estirpe. Ou será que foram a decência diante do público e o próprio sentimento humano que impediram os escritores de não criarem um Lindemberg na televisão?

Mas a vida real produziu o asqueroso personagem, que fez os telespectadores terem sentimentos polarizados: ódio extremo por ele e grande amor por Eloá.


A amiga:

Naqueles capítulos de horror, sem um mocinho para socorrer a protagonista, a também heroína Nayara entra em ação.

Muito se falou sobre o destemor de Nayara. Certamente, teses serão defendidas a respeito dela, no âmbito jurídico, psicológico e filosófico. Dirão: a polícia errou ao escolher uma menina de apenas 15 anos como mediadora. Outros afirmarão: ela é adolescente; a noção de perigo parece não existir em pessoas dessa idade. Alguns ainda falarão: Nayara conseguiu equilibrar emoção e razão.

Mas tudo o que se discorrer a respeito dessa bonita e carismática garota serão teorias. O melhor é contemplar a beleza da coragem que uma amizade verdadeira proporciona.

Os três personagens citados acima participaram do enredo que teve trágico desfecho na semana passada. Desfecho? A história ainda não acabou. Agora, é a vez das subtramas:


O núcleo policial :

Os policiais, personagens fundamentais da trama, serão ouvidos e, certamente, processados. Eis aqui um caso de injustiça, como ocorre em toda novela. Injustiça, porque eles estavam sob ordens de um superior. De fato, houve erros durante as negociações com o vilão, mas não se devem eleger bodes expiatórios nesse momento.

Além disso, quem matou Eloá não foram os militares, mas, sim, Lindemberg. Parte da imprensa, ao que parece, quer dividir a culpa do assassino.


O pai do vilão:

O pai de Lindemberg representa o núcleo da coincidência na história. Ele estava na Paraíba – onde mora – assistindo ao seqüestro. De repente, reconheceu o filho, que não via há duas décadas. Era Lindemberg: aos dois anos, partiu com a mãe. Agora, homem feito, bandido, assassino.


O pai de Eloá – revelações de uma vida pregressa:

Faz parte do enredo de uma telenovela convencional: um personagem sai de sua terra natal para viver em outra cidade, muito longe. Na nova localidade, troca de identidade, faz cirurgia plástica.
O pai da heroína não chegou ao extremo de modificar o rosto, mas cometeu o crime de mudar de nome. Contra ele, pesam denúncias de outros crimes no Estado de Alagoas.

Foi reconhecido quando atuava na trama central. Em outras palavras, ele passou mal, ao ver a filha sendo ameaçada com uma arma de fogo. A TV o filmou (como filmava tudo ali – Projac Paulistano). Alguém, de Alagoas, ao vê-lo na tela, o reconheceu. Vejam só que ironia; até aqui a TV ajuda a produzir histórias


E a vida continua... Menos a de Eloá.
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23 de outubro de 2008

Professores da rede pública de ensino abrem escolas e prejudicam alunos

Antes de matricular seu filho, faça uma pesquisa criteriosa, pois muitas escolas privadas são construídas como complemento de renda para professores da rede pública. Ou seja, tais professores recebem um salário que não supre suas necessidades; então, eles abrem uma escola como se monta um comércio qualquer.

E como tem que prestar contas na escola pública onde são lotados, esses pseudo-educadores dedicam pouquíssimo tempo às instituições que eles mesmos fundaram. Conseqüentemente, tais instituições sofrem com práticas pedagógicas deficientes devido à falta de supervisão. Aqui, cai como uma luva o ditado popular “quando o gato sai, o rato faz a festa”.

Aos pais, um conselho: pesquisem exaustivamente a melhor instituição para seus filhos. Matricule-os em uma escola, cujos proprietários dediquem tempo integral a elas. E, caso perceba que seu filho está sendo prejudicado pela escola, denuncie à Secretaria de Educação de sua cidade.

A esses professores, um alerta: vocês escolheram ser professores da rede pública de ensino. Quando prestaram o concurso público, sabiam que o salário de um educador do estado (ou município) é muito baixo. Portanto, não prejudiquem os outros pela opção de vocês. Deixem essa profissão e escolham outra que lhes proporcione uma melhor renda. Isso é mais honesto do que montar uma escola com estrutura decadente, mensalidades exorbitantes, e que trazem danos ao alunado em todos os sentidos.

P.S: A indignidade é apenas com os professores que montam escolas, mesmo sabendo que não terão tempo disponível para administrá-las. Há educadores de escolas públicas que abrem instituições privadas, mas contratam profissionais para se dedicarem exclusivamente a elas. (Texto de Valdeir Almeida)

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20 de outubro de 2008

Disparo de tiro aumenta desavenças entre Globo e Record

É notória a guerra pela audiência entre as TVs Globo e Record. Ontem, em pleno horário nobre, essa disputa ficou ainda mais acirrada. Motivo: enquanto a primeira diz ter provado que não houve tiro no apartamento de Eloá, antes da invasão da polícia, a Record diz possuir provas atestando que ocorreu, sim, o disparo.

Para respaldar suas afirmações, a Globo recorreu ao renomado perito Ricardo Molina. O perito analisou as imagens (com áudio) exclusivas da emissora geradas no conjunto residencial em Santo André e concluiu: Lindenberg não atirou antes dos policiais invadirem o cárcere.

A Rede Record, por sua vez, entrevistou um especialista em perícia criminal. As imagens que o especialista analisou também foram geradas próximas ao apartamento de Eloá e são exclusivas desta emissora. Entretanto, para o perito, o som que a Record captou confirma que quando a polícia invadiu o apartamento, Lindenberg já havia disparado o tiro.

As provas foram apresentadas no Domingo Espetacular (Record) e Fantástico (Globo). Tais programas registraram elevados índices de audiência. Se era esse o objetivo das emissoras – ou seja, alavancar o IBOPE baseado numa tragédia que comoveu o País – conseguiram. Agora, resta saber quais as análises estão corretas. Só a perícia técnica oficial dirá.
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19 de outubro de 2008

Seqüestro faz telespectador voltar à TV

Nos últimos meses, tem se discutido sobre a queda de audiência da Rede Globo, atribuindo tal fato ao crescimento das outras emissoras. Isso, porém, é apenas “meia-verdade”.

A televisão brasileira em geral está passando por uma forte crise. E até mesmo a Record e o SBT, que tiveram participação na baixa audiência da Vênus Platinada, estão vendo seus números caírem.

Portanto, o maior problema das emissoras no momento não é a concorrência entre elas, mas a disputa pelo público que migrou para outras áreas de entretenimento, sobretudo para a internet.

Entretanto, a TV no Brasil, nos últimos dias, está atingindo recordes de audiência à custa de uma tragédia: o seqüestro no ABC paulista. Se a programação televisiva não consegue mais prender a atenção das pessoas, a vida real o faz. A TV, nesse caso, transforma-se em mera retransmissora desse tipo de evento. Mera, mas não ingênua, pois a forma como está veiculando as informações referentes ao caso da garota Eloá e seu ex-namorado, Lindenberg, ultrapassa o limite do sensacionalismo.
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17 de outubro de 2008

Candidatos derrotados: reconhecer a perda é atitude de vencedores

Todo período pós-eleitoral a situação se repete: candidatos derrotados nas urnas culpam os eleitores pelo fiasco.

Não admitindo que seus concorrentes foram melhores e por isso obtiveram a vitória, esses candidatos culpam os votantes, afirmando que estes não sabem escolher bem os representantes.

A humildade de reconhecer a perda traz vantagens para o próprio perdedor. Ele irá avaliar as razões da derrota para não repetir mais os mesmos erros. E, assim, numa nova disputa, será vencedor.
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16 de outubro de 2008

Pelo Fim da Tarifa Telefônica

O Zan, do blog Portal do Zan descobriu que existe um abaixo assinado, pedindo o fim da cobrança da assinatura telefônica. Como o Zan me autorizou a transcrever o texto dele por completo, aqui está:


Cancelar Taxa Telefônica!


Recebi uma informação muito importante e quero repassar para vocês!A informação é que existe uma votação (espécie de "abaixo-assinado") para pedir o cancelamento da taxa de assinatura telefonica. Essa taxa é de aproximadamente R$ 40,00 na cidade de Piracicaba.Eu mesmo liguei para saber se é verdade essa votação e digo que sim! É verdade!!!


Então, para votar para o cancelamento da taxa da assinatura telefonica basta ligar para:
  • 0800-619619 (ligação gratuita, funciona de segunda à sexta-feira das 8 h às 20h) é da Câmara dos Deputados Federais;

  • Tecle 1 para falar com um atendente;
  • Diga que é para votar a favor do cancelamento da taxa de telefone fixo…. O Projeto de Lei é o de nº 5476;
  • O atendente pergunta seu nome completo, cidade, grau de instrução, data de nascimento, profissão e...

  • Como você ficou sabendo dessa votação? (Você responde que através da internet).
    Os meios de comunicação não tem interesse em divulgar esta notícia, então nós mesmos divulgamos!!!



Divulgue essa informação, afinal somos nós quem pagamos as contas!

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15 de outubro de 2008

Professora Morre com Contracheque

A professora Lucrécia Rufina da Silva, 62 anos, morreu ontem, após receber um tiro no peito, deflagrado pelo policial José Sinfrônio, 34.

Lucrécia saía de uma clínica na Alameda dos Cochechês. O policial, confundindo-a com uma foragida do 110º CP (Zona Oeste) ordenou-a que erguesse os braços. A professora, surda de um ouvido, entendeu que se tratava de um simples pedido para apresentar um documento de identificação; então, abriu a bolsa para pegar a identidade. O policial, acreditando que Lucrécia iria apanhar um revólver, atirou contra ela.

Após a professora ter tombado no chão morta, sua bolsa foi revistada pelo militar, mas o que ele encontrou foi apenas a mão de Lucrécia segurando o contracheque de pagamento. Não havia arma alguma.

Em nota publicada à imprensa, a direção da Secretaria de Segurança afirmou que exames de balísticas comprovaram ser da arma de Sinfrônio o tiro que matou a professora. “Agora, ele passará por inquérito administrativo, e, se for o caso, poderá ser julgado no fórum comum”, conclui a nota.

A família da professora disse que vai até as últimas instâncias judiciais para que o policial seja punido. “Do mesmo modo que é inconcebível um médico cometer um erro, pois está colocando em jogo a vida de uma pessoa, um policial não pode falhar nas atividades inerentes ao seu trabalho. Um erro pode ser fatal, como foi com a professora Lucrécia. Iremos fazer tudo o que estiver ao alcance da lei para que o senhor José Sinfrônio seja rigorosamente punido”, declarou Porfírio Silveira, advogado contratado pela família da professora.

No velório, houve muita indignação. Segundo colegas de Lucrécia, ela, realmente, tinha uma deficiência auditiva provocada pela exposição contínua ao excesso de barulho no ambiente de trabalho. Eles afirmam também que a professora morta tinha bursite e estava se tratando de cistos nas cordas vocais. “Ossos do ofício do professor. Pode entrevistar os professores aqui presentes e você irá constatar que todos eles têm ao menos uma doença causada pelo trabalho em sala de aula”, desabafa Joana Farias, que leciona na mesma escola que Lucrécia ensinava. Joana aproveita para registrar que muitos educadores sofrem violência dentro da própria escola.

Já para Petrônio, também professor, o problema é muito mais amplo do que se imagina. Segundo ele, o Estado está negligenciando os setores essenciais da sociedade, ou seja, saúde, educação e segurança. O professor disse que o policial errou, de fato, mas o militar seria apenas mais uma vítima de algo bem mais complexo e devastador: “Eu acredito nos policiais, nos médicos, nos professores. Só não tenho esperança no sistema público como um todo. É o sistema o maior vilão dessa história”.

O momento surpreendente do velório foi quando José Sinfrônio apareceu sem temer a revolta das pessoas presentes. Ele parou diante da própria vítima. Após alguns segundos de silêncio, chorou como uma criança e disse: “Eu não queria matá-la. Só depois percebi que ela não era quem eu estava procurando. Meu Deus, como eu pude confundi-la com uma criminosa! Tirei a vida de quem me ensinou. Matei minha ex-professora”. (Texto de Valdeir Almeida)

Este é um texto fictício. Qualquer semelhança com lugares, nomes, pessoas e acontecimentos reais terá sido mera coincidência.
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14 de outubro de 2008

Seqüestro em Santo André – amor e amizade em análise

O seqüestro que está ocorrendo em Santo André (SP) evidencia a antiga comparação entre amor e amizade.

De um lado, o rapaz que, inconformado com a separação, faz refém a ex-namorada. Do outro, a garota que teve a oportunidade de sair do cárcere normalmente, mas escolheu ficar para apoiar a amiga.

Realmente, o amor é singelo. Mas sua força atrativa torna duas pessoas presas, ainda que seja mediante uma corrente agradável. Já na amizade, em vez da atração, existe a identificação. Ela testa nossa capacidade de decisão: decidir estar na companhia de alguém simplesmente por ter algo em comum e pelo afeto sem interesses.

Apesar de tudo que foi exposto, não podemos esquecer que esses dois sentimentos fazem parte das relações humana. Portanto, a forma como os apresentamos acima não é taxativa, pois amor e amizade podem se unir e tornar dois vilões numa mesma história.
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11 de outubro de 2008

Como vender uma caixa de fósforos vazia

Recentemente, lancei o seguinte desafio aos usuários do Yahoo Respostas:


Como vender uma caixa de fósforos vazia?

Se você tivesse uma agência de propaganda e lhe encomendassem uma campanha publicitária para vender uma caixa de fósforos vazia, como seria sua campanha? Mas você não pode esconder que o produto é uma caixa de fósforos e que ela está vazia.


Vejam algumas respostas interessantes:


Colocando na embalagem:"Esta caixa contém 0 (zero) palito(s) de fósforo"E logo abaixo:"Esta é a ÚNICA caixa de fósforos cuja quantidade de palitos é exatamente igual à anunciada na embalagem."


Sensacional!!! Agora chegou o que você tanto esperava: a caixa de fósforo vazia, mas não usada! Você, que costumava esperar que a caixa de fósforos se esvaziasse para usá-la para guardar objetos minúsculos, que se perdem facilmente, mas que nunca conseguia fazê-lo pois a caixa, ao acabarem-se os fósforos, estava imprestável para qualquer fim, agora pode sorrir, pois esta caixinha está vazia e pronta para ser usada para os mais variados fins. Nela, você poderá guardar tachinhas, material de bijuteria, chips para o celular, e até o comprimido que você não pode deixar de tomar enquanto estiver na rua. Quer mais? Então, invente uma nova forma de usar a sua tão desejada caixinha de fósforo vazia, decorando-a e usando como pingente. Adquira esta espetacular caixinha e participe do imperdível concurso - “esta é a caixinha dos meus sonhos!” - e mostre toda a sua criatividade! Quem enviar a caixinha mais criativa, ganhará uma réplica da caixinha de fósforos de Itú, entregue durante o “Domingão do Faustão”, pela Juliana Paes. Tá esperando o quê? Ligue agora e aproveite a promoção: 50 lindas caixinhas, novinhas, por apenas R$ 20,00! Eu vou repetir: 50 lindas caixinhas, novinhas, por apenas R$ 20,00! Não acredita? Então ligue, para conferir. Os 10 primeiros telefonemas ganharão um lindo brinde surpresa (*).(*) uma belíssima caixinha de fósforos cheia! (rsrsrsrs)


Eu não faria uma campanha dedicada, mas faria merchandising em uma novela de grande audiência onde uma personagem bem sucedida usa caixas de fósforo vazias como enfeite de cabelo para lançar moda. Vai vender como água.O segredo de todo marketing é fazer as pessoas acreditar que precisam de determinado produto ou serviço, por mais prosaicos e desnecessários que sejam.


Com essa super caixa de fósforo vazia você pode guardar o seu anel cravado em diamantes sem chamar a atenção de qualquer tipo de bandido.Mais corra, os estoques são limitados


VENDO! Caixinha de fósforo estepe.Sua caixa de fósforos molhou? Estragou nas laterais? Não acende mais ? Não se desespere ! Oportunidade !!!Caixa de fósforo em excelente estado, e completamente vazia, para colocar seus palitos Por um precinho que cabe no seu bolso~Para quem gosta de fazer economia de palitos~ Lembre-se : Caixinha de fósforo estepe!Tenha sempre uma caixinha sobressalente Não fique sem fogo NUNCA MAIS


O ser humano é realmente inteligente.
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9 de outubro de 2008

Por que comemorar o aniversário de morte de Machado de Assis

O centenário de morte de Machado de Assis fez suscitar uma indagação: por que, em algumas situações, existe a celebração da morte?

No caso de pessoas que produzem obras literárias, a comemoração não é necessariamente pela morte. Por traz disso, há uma estratégia de “marketing cultural” para que o nome do escritor continue em evidência, como ocorre no momento com os 100 anos de morte do autor de Dom Casmurro.


É certo que Machado de Assis – o maior nome da literatura brasileira – não necessita de artifícios que o tornem destacável. Suas obras maravilhosas e atemporais fazem isso por si só. No entanto, as estratégias de marketing ajudam a despertar a paixão de novos leitores, como demonstrado na recente bienal do livro de São Paulo. Crianças visitaram os espaços destinados às obras machadianas e ficaram encantados.



Embora pareça contraditório, mediante a lembrança de falecimento dos grandes gênios se verifica a manutenção (ou revitalização) de suas obras. É a morte produzindo vida. (Texto de Valdeir Almeida)

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6 de outubro de 2008

Por que o voto é obrigatório no Brasil, parte I

A resposta a esse questionamento parece simples: todos temos a obrigação de votar, porque a Lei (CF/88, art. 14, § 1º.) exige e pune quem a descumprir. Então a questão deveria ser reformulada: por que fazer leis obrigando o cidadão a votar?

De antemão, devemos lembrar que a Constituição Federal foi elaborada por políticos (deputados e senadores), através da Assembléia Nacional Constituinte. Portanto, foram eles que imprimiram na Carta Maior a “imposição” do voto. Isso configura “legislação em causa própria”, pois tais políticos sabiam que o voto facultativo no Brasil não daria certo. Seria ínfimo o número de eleitores “voluntários”. Conseqüentemente, a ausência de votantes exigiria a implantação de um novo sistema eleitoral.

A propósito, fala-se muito da arrogância e do monopólio americano (e concordo com isso). Entretanto, os Estados Unidos adotam o sistema do voto facultativo. Ainda assim, a população em massa vai exercer sua cidadania. Ademais, os eleitores daquele país se envolvem nas campanhas dos candidatos, participam de prévias e convenções dos partidos.

Logo, a tese de que o voto facultativo desestimula o comparecimento às urnas é infundada. Aliás, uma pesquisa comprovaria que os brasileiros votam desmotivados, justamente porque são obrigados a tal sacrifício. Exercem o dever e não o direito. (Texto de Valdeir Almeida)

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Por que o voto é obrigatório no Brasil, parte II - A saga das urnas eletrônicas

“Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira parte da roupa velha, e fica maior a rotura”. (Marcos, 2.21)


Mediante o texto “Porque o voto é obrigatório no Brasil, parte I”, expresso minha revolta com a forma de votação em vigor no Brasil.

Há uma propaganda maciça de que o sistema de urna eletrônica é bastante moderno e praticamente infalível. Entretanto, estão colocando remendo novo em tecido velho. Isto é, o que adianta ter um sistema tão avançado atuando num contexto extremamente atrasado? Para que fazer uso de tecnologia de ponta, quando as mentes e a educação dos que comandam esse sistema não progridem?

Ontem, fui exercer meu “direito obrigatório” de cidadão. No entanto, permaneci quase seis horas na fila. Motivo: urnas com defeito na minha seção.

A primeira estava em boas condições. Mas, aproximadamente uma hora e meia depois, parou de funcionar. A partir daí, iniciou-se uma saga de urnas quebradas, que iam e viam. No total foram 8 (isso mesmo, oito, VIII, eight, ocho, huit, ********) urnas que não serviam para nada.

Houve protesto na fila – obviamente. Formou-se tumulto. Mesários foram ameaçados e quase agredidos fisicamente. A polícia apareceu; a imprensa também.

Ao perceber que não tinha alternativa, o TRE decidiu, quase 6 horas depois, que o voto seria manual, ou seja, por meio do papel.

Não vimos técnicos em informática aparecerem para verificar se o defeito era realmente nas urnas. Não testemunhamos a presença de eletricistas para observarem se o problema era na fiação elétrica da sala. O TRE decidiu muito tarde substituir as urnas pelas cédulas. Foram muitos os remendos velhos costurados sobre o tecido novo do sistema de votação mais avançado do mundo.

Indubitavelmente, se eu não tivesse a obrigação de votar, deixaria aquela fila na primeira meia hora. Não iria estragar meu domingo. Atitude que a maioria daqueles eleitores também tomaria.
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3 de outubro de 2008

Horário Eleitoral – Meu programa de humor favorito

O Horário Eleitoral Gratuito terminou ontem. Como de costume, o índice de televisores ligados durante o programa foi muito baixo (segundo o IBOPE). Confesso que um desses televisores era o meu.

Eu gostava de assistir àquele show de humor: candidatos a prefeito utilizando uma linguagem arcaica, como se isso os tornasse pessoas inteligentes e capazes de comandar a cidade. Na verdade, tal atitude os transformava em motivos de risos, pois eles “falavam, falavam e não diziam nada” (síndrome do professor Astromar)*. Monologavam num espaço destinado a apresentação de propostas claras ao telespectador.

Mas os melhores comediantes do programa foram os candidatos a vereador. Muitos deles, ao lerem o discurso diante das câmeras, faziam tanta força que pareciam estar sobre o vaso sanitário. Além disso, “liam com a cabeça”, movimentando-a de um lado a outro como se estivessem assistindo a uma partida de tênis.

Além de um ótimo desempenho em cena, os humoristas-candidatos também se destacaram pelo nome com o qual se apresentaram. Apesar de engraçado, esse fato nos leva a reflexão de que é inadmissível um candidato a cargo público manter o apelido ridículo que adquiriu numa mesa de bar ou num babinha** com os amigos. Muitos desses apelidos são tão vulgares que se fossem apresentados num programa comum de TV, teriam problemas com a indicação do horário e da faixa etária.

Sentirei falta do Horário Eleitoral Gratuito. Agora, só me resta aguardar as próximas eleições para ver mais humoristas em cena. Mas espero que esses candidatos fiquem apenas na TV. Não quero que a prefeitura e a câmara de vereadores se transformem num palco de humor negro.


* Astromar é o lendário personagem da novela Roque Santeiro (Globo, 1985). O professor costumava reunir muitas pessoas para ouvirem seu discurso. Mas, apesar dos aplausos calorosos, ninguém conseguia entender o que ele falava. A figura do professor Astromar acabou se transformando em sinônimo de pessoas prolixas e que não conseguem estabelecer a comunicação com seus interlocutores.

** Na Bahia, a prática de jogar futebol com os amigos é chamado de “bater baba”. É o que no Sudeste chamam de “jogar pelada”.
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1 de outubro de 2008

Bode Zé para Prefeito

A revista Veja da semana passada noticiou uma aliança antes inimaginável. PT e PSDB – adversários históricos – estão apoiando candidato a prefeito nas eleições de uma grande capital.

O inusitado não fica apenas nisso. O prefeiturável era um desconhecido do eleitorado, mas após o prefeito (PT) e o governador (PSDB) anunciarem o apoio em conjunto, a preferência pelo candidato saltou de 6% para 42%, ficando em primeiro lugar (isolado) nas pesquisas.

A reportagem da revista afirma que esse fato transformou em realidade um mito: o de que políticos bem avaliados são capazes de eleger um poste.

Ao ler isso, lembrei-me imediatamente de Que Rei Sou Eu? (Globo, 1989). Nessa novela satírica, um bode chamado Zé conseguiu vencer as eleições para primeiro ministro. No ano seguinte, na vida real, houve eleições. Naquela época, ainda não havia urna eletrônica; o registro dos votos era feito em cédulas, a caneta. Muitos eleitores, frustrados com os políticos, resolveram anular o próprio voto de forma bem humorada, escolhendo quem? Exatamente, o Bode Zé.

Se a eleição ainda fosse feita no papel, em quem será que os inconformados iriam votar? Candidatos é que não faltam: Chapolim Colorado, Louro José, Pica-pau...


P.S: Aquela era a primeira eleição direta para presidente após longo período de ditadura militar. Foram também escolhidos os senadores e deputados federais.
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