29 de dezembro de 2008

Feliz 2009, 2010, 2011...

Lembre sempre que o tempo é o seu sócio no empreendimento de conquistas de metas. Seja paciente como ele. Há coisas que não se constroem em dias, mas em meses. Existem outras que os meses não são suficientes; é necessário o recurso dos anos.

Assim, aprenda a conquistar cada coisa no seu tempo. Estabeleça seus objetivos, plante-os, regue-os e aguarde o momento de eles nascerem. Pressa e ansiedade são as maiores pragas das realizações; são ervas daninhas que estragam toda a lavoura.

Portanto, deixe de fazer promessas em dezembro. Esse é um ritual que todos praticam nas “boas festas”, mas quase ninguém cumpre no ano seguinte. O que você deve fazer, em vez de promessas, é estabelecer metas, não apenas para 2009, mas também para os anos seguintes. Essa é a lógica dos vencedores. (Texto de Valdeir Almeida).


A TODOS OS MEUS AMIGOS, PARCEIROS E VISITANTES DO MEU BLOG,

DESEJO UM FELIZ ANO NOVO E QUE DEUS OS ABENÇOE
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Brincadeira de Ano Novo

O Darcy Mendes do blog Papocituta indicou meu blog para participar de algo que ele denominou “Brincadeira de Natal”. Como o Natal já passou, darei o nome de “Brincadeira de Ano Novo”. Como Darcy definiu, essa “brincadeira” é só uma forma diferente de divulgação. No entanto, é necessário que se cumpra algumas regras:

-Linkar a pessoa que o indicou,
-Escrever as regras em seu blog,
-Contar 6 coisas aleatórias sobre você,
-Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post,
-Deixe a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela,
-Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.
Seis coisas sobre mim:
1. Frustra-me: ver que a maioria das pessoas não dá mais valor à amizade.
2. Quem é Deus: Minha vida.
3. Um lugar: Avenida Getúlio Vargas, Feira de Santana (belíssimo).
4. Um livro revelador: Os quatro amores (C. S. Lewis).
5. Me desligo do mundo quando: Estou escrevendo ou lendo. São duas coisas pelas quais sou apaixonado.
6. Blogar é: a forma de expressar meus pensamentos que, com certeza, não são comuns.

Meus Indicados

Meditar Dia e Noite,

Blog do Assis,

Tutoraead,

Voz Ativa,

Mo Legal,

Um Pouco de Tudo

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12 de dezembro de 2008

Isso é Dezembro

O mês de dezembro tem seu próprio deus. É o deus do consumo a qualquer preço. Mesmo as ruas estando sob sol escaldante e calor de 40º. Ainda que haja intenso congestionamento de pedestre e veículos (e seus gritos e buzinadas ensurdecedores). Mesmo a multidão de “romeiros” se esgoelando nas lojas centrais e nos shoppings.

Nada disso importa para os devotos desse deus. Eles querem apenas consumir, consumir, consumir e continuar nessa procissão, mesmo que o 13º salário não faça milagres e os deixe endividados durante todo o ano seguinte.
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2 de dezembro de 2008

Por que é difícil guardar um segredo

Em um Fantástico de novembro, a cientista Suzana Herculano-Houzel demonstrou por qual razão a maioria das pessoas tem dificuldade para guardar segredos.

Segundo ela, quando um indivíduo profere uma mentira, determinada área do seu cérebro é ativada e só volta a “relaxar”, quando a mentira é desfeita.

Quando alguém ouve o segredo de outrem, é essa mesma região que sofre ativação; o cérebro, para poder relaxar, precisa que seu dono desabafe o que acabou de saber.

Diante disso, o que fazer quando o desabafo é inevitável? Houzel sugere que quando alguém quiser desabafar, o faça diante de duas pessoas ao mesmo tempo. Assim, elas podem comentar sobre o segredo entre elas mesmas, para que não tenham a necessidade de dizer a terceiros.

Não subestimo essa verdade, mas acredito que o fato de guardar um segredo está relacionado com o caráter de quem é portador. Quem noticia sobre a vida alheia sem autorização, é desprovido de ética e honestidade. Além disso, não conhece o significado de altruísmo, ou seja, não está disposto a ter um pouco de sacrifício a favor do próximo.

P.S. Suzana Herculano-Houzel, além de ser a mais renomada cientista brasileira nos estudos cerebrais, é uma excelente escritora. Em seus livros, ela apresenta as descobertas da ciência a respeito do cérebro numa linguagem clara e simples, mas inteligente. Além disso, em seus escritos, ela costuma aplicar tais descobertas ao nosso cotidiano.
Sugiro, por exemplo, a leitura do livro Fique de bem com seu cérebro: guia prático para o bem-estar em 15 passos, da editora Sextante.
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28 de novembro de 2008

O mundo é de quem faz

Quem assiste ao comercial do IG e se depara com o slogan “O Mundo é de quem faz!”, acha que o provedor está vendendo a idéia de pretensão e arrogância. Se está ou não, não me cabe julgar, mas o slogan revela uma verdade absoluta: somos aquilo que fazemos.

Algumas pessoas, por exemplo, lamentam por estar em um emprego que não traz satisfação pessoal e cujo salário é baixo. Mas de quem é a culpa disso? De quem se prontificou a aceitar o serviço, obviamente. Então, basta “arregaçar as mangas” e lutar para ter um emprego mais digno.

Outro exemplo típico: você concede um empréstimo a um amigo. Passa-se o tempo. Ele é cobrado, mas sempre diz que não tem como pagar. Ele, realmente, é um mau-caráter por ter abusado de sua boa-fé e generosidade. Mas todo esse problema começou com uma atitude sua: foi você quem emprestou espontaneamente o dinheiro para ele. Agora, resta ficar atento para não cair na mesma armadilha novamente.

Portanto, ao contrário do que dizem, o mundo não é dos espertos, mas de quem constrói a própria biografia. Ou seja, daqueles que não param no meio do caminho para lamentar-se nem comparar-se com os outros. De quem apenas trabalham a fim de alcançar seus objetivos.
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24 de novembro de 2008

Onde estão meus olhos

Meu poema favorito de Carlos Drummond de Andrade é “O Elefante”. Nele, o poeta conta em versos a história do animal que construiu e deu sopro de vida. Mas não o prendeu; deixou que saísse e desbravasse o mundo.

É justamente a saga do elefante no mundo que está o clímax do poema. Os olhos do elefante se transformaram nos olhos do poeta. Ele queria acompanhar a vida com olhar diferente; olhar do outro.

Também construímos nossos “elefantes” para acompanhar o mundo mediante outros olhares. Mas o “elefante” mais “bisbilhoteiro” é, sem dúvida, o livro. Através dos olhos do seu autor, conhecemos novas formas de ver a vida; adquirimos novos conhecimentos.

Abaixo, alguns trechos do poema:

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio
....................................
Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
...................................
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas já vacilantes
Se desmancham no pó.


Como dito, estes são apenas trechos do poema. Leia-o completamente (e outros poemas também) no livro A rosa do povo, da editora Record. Boa leitura.
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19 de novembro de 2008

O abraço da bandeira


Durante a Copa do Mundo de 1994, a Seleção Brasileira obteve um bom desempenho em todos os jogos. Por causa disso, a bandeira do Brasil ficou em evidência. As pessoas a usavam de todas as formas. Envolviam no corpo. Customizavam, transformando-a em camisas, calças. Além disso, enrolavam na cabeça como se fosse um chapéu. Enfim, o importante era sentir fisicamente a bandeira.

Essa exaltação física da bandeira acabou levantando uma discussão fora da esfera futebolística: alguns estilistas diziam que tal comportamento não era “brega”, mas as cores da bandeira brasileira, por serem fortes, eram deselegantes sobre peças de roupa. Para afirmarem isso, tais profissionais confrontavam nossa bandeira com outras de cores mais sóbrias.

Mas a moda não tinha (como não tem ainda hoje) o poder de refrear o patriotismo que existe em cada cidadão. A bandeira brasileira é nossa. Ela é uma excelente forma de expressarmos o amor pelo nosso país. É a materialização do sentimento de ser brasileiro.
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17 de novembro de 2008

Qual o mascote da Copa do Mundo no Brasil?


O Emir, em seu blog, perguntou aos leitores qual personagem deveria ser escolhido como mascote da Copa do Mundo de 2014, que acontecerá no Brasil. Ele partiu da idéia de que o Saci Pererê seria uma ótima escolha. Alguns concordaram, afirmando que esse é um personagem genuinamente brasileiro; outros não aceitaram, pois, como o Saci fuma, seria um péssimo exemplo para as crianças.

Houve também os que – como provocação – deram outras sugestões, como Zé Carioca (personagem brasileiro e preguiçoso do gibi) e Macunaíma – Herói sem nenhum caráter (personagem homônimo do livro de Mário de Andrade).Ainda há tempo de escolher o mascate da Copa que será realizada no Brasil em 2014. E que seja um personagem que tenha relação positiva com o “ser brasileiro”, para mostrar ao mundo todo o nosso valor.


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14 de novembro de 2008

Esporte sustenta o Hino Nacional

O Hino Nacional apresenta vocabulário arcaico e construções sintáticas ultrapassadas, o que dificulta seu entendimento. Surge, então, o questionamento: por qual motivo esse símbolo brasileiro continua vivo?

Os responsáveis por isso são as modalidades esportivas, sobretudo o futebol. Sempre que os atletas brasileiros vencem disputas internacionais, o Hino Nacional é cantado, laureando definitivamente a conquista. Enquanto cantam o hino – em casa ou nos estádios – os torcedores choram emocionados (apesar de poucos conseguirem pronunciar um verso inteiro sem tropeçar nas palavras).

Percebe-se que quando o hino é cantado em eventos não- esportivos, essa emoção não é aflorada. Isso corre porque o esporte, principalmente o futebol, desperta a paixão de ser brasileiro. O Hino Nacional seria o complemento dessa paixão associado ao sentimento de posse. É como se quisesse dizer: “A conquista é minha! Sou brasileiro”.

Mas para que o amor pelo Hino Nacional não se restrinja a campeonatos esportivos, é preciso que sua linguagem seja adequada à atualidade. Lembremos que ele foi escrito em 1909*, conforme a língua padrão da época. Naquele momento, todos entendiam o que estavam cantando – inclusive os não-alfabetizados.

No entanto, resiste-se muito às mudanças no Hino Nacional. Acredita-se que ao fazer simples substituições de palavras ou transformação dos períodos para ordem direta, estaria correndo o risco de alterar entendimentos do enredo histórico de que trata a letra do hino. Outros argumentam que como é um símbolo nacional, o hino brasileiro não poderia passar por modificações.

Ora, os símbolos nacionais são construídos para que seja estabelecido entre eles e o povo um sentimento de patriotismo. E como despertar amor por aquilo que não se compreende? Por isso, não seria conveniente para a Pátria que qualquer brasileiro entoasse o Hino compreensivamente?

Do mesmo modo, é improcedente o argumento de que mudanças no vocabulário do hino brasileiro acarretariam interpretações históricas equivocadas. Na verdade, as más interpretações já estão ocorrendo justamente por manter palavras que, na época da composição do hino, tinham sentido completamente diferente de que tem hoje. É o caso de “deitado”, que, no hino tem acepção de abençoado; mas hoje significa “estirar e inclinar o corpo para descanso”. Por essa razão, o verso “deitado eternamente em berço esplêndido” é sempre evocado quando se quer chamar alguém de preguiçoso.

Não se ama aquilo que não é conhecido. Quando a letra do Hino Nacional for adaptada ao nosso tempo, os brasileiros não vão ter ímpetos de paixão por ela apenas em momentos de grandeza do nosso esporte. Eles irão ter por esse belíssimo símbolo da pátria um amor ininterrupto, porque passarão a compreendê-la.

* A primeira letra do Hino Nacional foi escrita em 1831 por Ovídio Saraiva de Carvalho. Em 1909, ela foi substituída pelo poema de Joaquim Silvério Duque Estrada e permanece até hoje (a melodia é a mesma desde a primeira versão do hino).
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13 de novembro de 2008

Oba-Obama: o desgaste da notícia

É indiscutível a importância histórica da eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro da nação mais poderosa do mundo. Isso representa um “nocaute” não apenas contra o racismo, mas também contra outras manifestações de preconceito.
No entanto, é desnecessária a enxurrada de notícias sobre o assunto. Se, ao menos, fossem informações inéditas, nossos “ouvidos” e “olhos” não sofreriam tanto. A maioria de tais informações, porém, é repetitiva.
Portanto, é necessário evitar o uso demasiado da mesma notícia apenas para aumentar a venda de jornais e a audiência de programas televisivos e de blogs. Caso contrário, o que acontecerá é uma fuga em massa do espaço onde tais notícias são veiculadas
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12 de novembro de 2008

O silêncio é um espelho

Você chega em casa e a primeira coisa que faz é ligar o rádio. Agora, há uma voz para lhe fazer companhia.

Depois, você vai tomar banho e aumenta o volume do rádio para que aquela companhia chegue até o banheiro.


Após o jantar, liga para um amigo e conversa durante alguns minutos. Em seguida, desliga o telefone e liga a TV.

A campainha toca. É aquele grupo de colegas que havia combinado ir à sua casa para colocar o papo em dia. Vocês são apenas sorrisos.

Mas já está ficando tarde. Os colegas vão embora. Na casa, novamente, só há a voz do rádio, que você acabou de desligar, pois já vai deitar. Agora, sua companhia é você mesmo, a única que você queria evitar.

Amizade, namoro, casamento, enfim, os relacionamentos são importantes para o ser humano. No entanto, muitas vezes, eles são usados como escudo para tentar impedir de ver o próprio interior. Quando a pessoa se conhece, os relacionamentos fluem de forma prazerosa, e não como remédio.
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9 de novembro de 2008

Vida sacrificante de professores será mostrada na nova novela das oito

Por serem temáticas, as novelas de Glória Perez costumam trazer algum resultado prático na vida real. Foi isso que aconteceu, por exemplo, em Explode Coração (1995), quando o folhetim, ao abordar o desaparecimento de crianças, fez com que muitas famílias reencontrassem seus filhos.
Agora, com Caminho das Índias – nova novela das oito –, entre outros temas, Glória Perez tratará da vida “infernal” em que vivem os professores brasileiros. Segundo a autora, serão discutidos, por exemplo, os baixos salários dos educadores e o desrespeito e as agressões físicas que sofrem pelos alunos.
É óbvio que um programa televisivo não tem o poder de mudar essa realidade. Entretanto, a novela das oito, por ser dona da maior audiência da TV brasileira, irá trazer ao conhecimento da população as agruras pelo que passam os professores (sobretudo os da escola pública).

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8 de novembro de 2008

Um muro de escola pública caiu, e daí?

Nesta quinta-feira, o muro de uma escola estadual da cidade baiana de Jequié desabou. Um estudante morreu e dois ficaram feridos gravemente.

Esse tipo de ocorrência é muito comum nas escolas públicas, não apenas na Bahia, mas no Brasil inteiro. Entretanto só viram notícia, quando há vítimas fatais.

Assim, mais um muro é derrubado pela negligência dos governantes. Outros muros já ruíram há muito tempo, como o do investimento descente em educação, o do salário digno dos professores, o da valorização dos docentes.

E por que falta interesse para (re)construção desses e de outros muros? Porque seus resultados efetivos acontecem a médio e a longo prazos. As eleições, por sua vez, não esperam. E os votos são necessários para que o governante “que manda no muro” continue no poder.

Acompanhe a notícia.
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Professores são agredidos por família de aluno

Agora não é apenas a muitos alunos marginas que as instituições de ensino estão expostas.

No último dia 06, familiares de um aluno agrediram fisicamente dois professores dentro da escola.

Acompanhe a notícia.
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6 de novembro de 2008

O Chevrolet Captiva e o tempo

“O tempo é igual para todo mundo. A diferença é o que você faz com ele”.

A frase acima é o slogan do comercial do novo Chevrolet Captiva. Sinceramente, tenho observado mais a mensagem do que o comercial.

A mensagem aborda o uso adequado e prazeroso do tempo. Enquanto uns vivem apressadamente e não conseguem contemplar a beleza das coisas, outros vivenciam cada minuto, tendo sua existência como um verdadeiro presente.

Acompanhe o vídeo:



No entanto, a proposta do anunciante é outra. Ele apresenta o tempo sob dois prismas. O primeiro é representado pela velocidade com que o carro percorre uma longa distância (e aqui está a eficiência do produto). O outro, é a lentidão com que o motorista vive, usufruindo cada minuto proporcionado pela rapidez do veículo. A contradição do tempo a favor do motorista. (Texto de Valdeir Almeida)

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3 de novembro de 2008

Itaú–Unibanco, um novo monopólio na praça

Hoje à tarde, foi anunciada a fusão entre Itaú e Unibanco. Sendo um só, em que esses dois bancos se transformarão? Exatamente: em um monopólio econômico.
Antes de prosseguir a reflexão, é necessário recorrer aos dois conceitos de monopólio. Um é o oficial e está registrado nos dicionários: “Privilégio exclusivo de vender, fabricar, explorar, eleger produto ou serviço" (Dic. Houaiss). O outro conceito – o popular – geralmente é apresentado mediante o exemplo da Rede Globo, “dona” da maior audiência da TV brasileira.
As notícias da referida fusão demonstram que os dicionários é que estão corretos. Os dois bancos juntos terão o domínio exclusivo em seu ramo de negócio. Exclusivo, sim, pois, como serão a maior instituição financeira do Brasil, usufruirão de privilégios que seus concorrentes não conseguirão ter. Junte-se a isso o fato de os correntistas – os verdadeiros sustentáculos dos bancos – só hoje terem conhecimento da junção (a negociação entre o Itaú e o Unibanco durou 15 meses); situação peculiar de um monopólio que os dicionários não registram.
Esse verdadeiro monopólio em nada lembra o conceito popular da palavra. Há anos, acusam a Rede Globo de monopolizar a audiência. Nesse caso, porém, não se trata de monopólio propriamente dito, visto que a maioria dos espectadores assistia à TV dos Marinhos, porque era a única que detinha qualidade na programação. Logo, o que havia era falta de opção. Além disso, os telespectadores não eram obrigados a acompanhar essa emissora. Posteriormente, outras redes de TV passaram a investir agressivamente na própria grande de programação, resultando numa disputa mais acirrada com a emissora-líder.
Juntos, o Itaú e o Unibanco se transformarão no maior conglomerado de bancos no Brasil. Porém, eles não devem se iludir; assim como a Globo viu seus telespectadores migrarem para outras emissoras, os correntistas podem não se agradar desta fusão feita na calada da noite.
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1 de novembro de 2008

Ainda Sou Herói: o reencontro entre um policial e sua auto-estima

Todos os dias, antes de sair de casa, o policial Antônio beijava a esposa e o filho de 5 anos.

Aqueles beijos carregaram sempre uma incógnita. Não se sabia se significam simples anunciar de um retorno garantido ou se eram prenúncio de uma despedida definitiva.


Após os beijos, Antônio ia para o trabalho, sempre andando. Durante a caminhada, ele era observado por várias pessoas. Como a senhora incomodada com a farda do rapaz e o suspeito que parecia pronto para atacar.

Todas aquelas manifestações corriqueiras estavam destruindo os sonhos de Antônio. Entretanto, certa vez, após passar novamente pelo corredor de olhares, ele ouviu a voz de uma criança: “Seu guarda”. O policial interrompeu os passos para olhar para trás e viu um menino, aparentando 7 anos de idade.

Antônio abaixou para ficar na mesma altura da criança, que estava ao lado da mãe, e disse:

– Oi, campeão!

– O senhor deixa eu colocar seu chapéu em minha cabeça?

O policial, feliz com aquele pedido, tirou sua boina e colocou sobre a cabeça do menino. Este sorriu, olhando para a mãe. Em seguida, voltou os olhos para Antônio e falou-lhe:

– Quando eu crescer, quero ser policial igual ao senhor.
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30 de outubro de 2008

Operadora Vivo faz TV alterar palavras

Antigamente, na TV, quando havia um link com informações acontecendo no momento, aparecia a tarja VIVO na tela.

Em 2003, a operadora de celular VIVO chegou ao mercado brasileiro. O nome foi uma verdadeira tacada de mestre. Todas as vezes em que surgia a palavra VIVO num programa televisivo – quisesse ou não as emissoras – a VIVO era beneficiada com publicidade.

E já no lançamento, a operadora não escondeu que a escolha do nome foi mesmo para associá-lo às tarjas que apareciam o dia inteiro e em qualquer canal de televisão do país. De forma que, uma atriz da Rede Globo, durante os intervalos comerciais, apresentava a novidade ao telespectador, concluindo sua fala com: “Vivo ao vivo”.

Na Bahia, um apresentador de telejornal popular chegou a afirmar que sua emissora não mais apresentaria a expressão VIVO na tela e que, em vez disso, passaria a usar a palavra “Direto”. Entretanto, isso não demorou muito tempo; a emissora voltou a utilizar a antiga forma, porque o telespectador estranhou.

Mas a festa da operadora durou pouco. Tendo como pioneira a Rede Globo, todas as emissoras de TV do país passaram a adotar AO VIVO em vez de simplesmente VIVO.
E será que a simples supressão de uma preposição faz alguma diferença?

P.S
Ao agir dessa forma, a operadora não usou de má fé, afinal o termo “vivo” é de domínio publico.
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28 de outubro de 2008

Alguns Ditados Incoerentes

Ditado:
"A voz do povo é a voz de Deus".

Incoerência:
O ditado coloca o povo e Deus como se possuíssem a mesma característica da perfeição. Na verdade, o povo também pode errar (e como erra!). Temos diversos exemplos, a começar pela própria Bíblia (cito as Escrituras, já que o ditado toca no tema religião): Herodes pediu ao povo que escolhesse entre crucificar o inocente Jesus ou liberar da prisão o perigoso criminoso Barrabás. Herodes lavou as mãos e mandou matar Cristo. Deus, por sua vez, jamais cometeu equívocos.


Ditado:
"Contra fatos não há argumentos".

Incoerência:
Qualquer fato é passível de contestação. E todo ser humano é possuidor de inteligência para contra-argumentar um fato.


Ditado:
"Gosto não se discute".

Incoerência:
Possivelmente, esse ditado surgiu para afirmar que toda espécie de preferência deve ser respeitada. Isso porque seria ilógica a existência de gostos inquestionáveis. Por outro lado, se esse ditado nasceu numa situação de discriminação, ele tem total coerência, pois cada indivíduo tem a liberdade para viver como quiser, desde que não restrinja a liberdade alheia.


Ditado:
"O dicionário é o pai dos burros".

Incoerências:
1) Os leitores de dicionários não são desprovidos de inteligência. Pelo contrário, são sábios e querem estimular sua sabedoria e ampliar seus conhecimentos lendo (ou consultando) o livro dos significados. O ditado “o dicionário é o pai dos burros” geralmente é pronunciado por pessoas repetidoras do que os outros falam, mas não refletem sobre o que estão dizendo; ou então são apenas acomodados: não querem estudar.

2) Por que dar o nome de burro a alguém que tem dificuldade de entendimento? Para quem não sabe, esse animal é bastante inteligente.

Ditado:
"Tempo é dinheiro".

Incoerência:
Não vou fazer um discurso a la Marx, bradando contra o imperialismo capitalista, mas hei de convir que esse ditado tem total relação com o capitalismo determinista. Ora, tempo não é só dinheiro; é, também, amizade, família, Deus. Nosso tempo deve ser também para usufruto de outras coisas e não apenas para o trabalho. Aprenda a administrar seu tempo; e não sustente sua auto-estima apenas no trabalho.
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24 de outubro de 2008

A Novelização do Caso Eloá

As telenovelas não conseguem mais prender a atenção do telespectador. Mas, durante os últimos dias, as emissoras têm conseguido uma maneira infeliz de contornar a situação: a “novelização” do seqüestro em Santo André.

A vida real encarregou-se de arquitetar a história nua e crua. A televisão – especializada em ilusões – deu o tom, mediante a trilha sonora, as vozes forçadamente emotivas de alguns jornalistas e as edições semelhantes às de uma telenovela.


Entretanto, a maior parte da similaridade entre as tramas novelísticas e o caso do seqüestro no ABC paulista foi produzida, de fato, pela vida real. Observa-se isso, sobretudo, no modo como a trama se desenrola. Nas novelas de TV, há sempre uma trama central e várias subtramas que se desenvolvem a partir da história principal. É isso que está acontecendo, agora, com o caso Eloá. Veja:


A protagonista:

A personagem principal é Eloá: mocinha e heroína da história. O Brasil parou diante da teleinha para acompanhar cada capítulo da saga da garota, que, além de muito bonita, era carismática. Eis aí um prato cheio para que a audiência das emissoras fosse às alturas.


O vilão:

Como ocorre nos folhetins televisivos, o vilão Lindemberg foi (e ainda é) odiado pelo Brasil inteiro. Não há ninguém que tenha outro sentimento por ele, um cruel assassino.

Nenhum autor de novelas da TV teve uma imaginação tão fértil a ponto de inventar um personagem desta estirpe. Ou será que foram a decência diante do público e o próprio sentimento humano que impediram os escritores de não criarem um Lindemberg na televisão?

Mas a vida real produziu o asqueroso personagem, que fez os telespectadores terem sentimentos polarizados: ódio extremo por ele e grande amor por Eloá.


A amiga:

Naqueles capítulos de horror, sem um mocinho para socorrer a protagonista, a também heroína Nayara entra em ação.

Muito se falou sobre o destemor de Nayara. Certamente, teses serão defendidas a respeito dela, no âmbito jurídico, psicológico e filosófico. Dirão: a polícia errou ao escolher uma menina de apenas 15 anos como mediadora. Outros afirmarão: ela é adolescente; a noção de perigo parece não existir em pessoas dessa idade. Alguns ainda falarão: Nayara conseguiu equilibrar emoção e razão.

Mas tudo o que se discorrer a respeito dessa bonita e carismática garota serão teorias. O melhor é contemplar a beleza da coragem que uma amizade verdadeira proporciona.

Os três personagens citados acima participaram do enredo que teve trágico desfecho na semana passada. Desfecho? A história ainda não acabou. Agora, é a vez das subtramas:


O núcleo policial :

Os policiais, personagens fundamentais da trama, serão ouvidos e, certamente, processados. Eis aqui um caso de injustiça, como ocorre em toda novela. Injustiça, porque eles estavam sob ordens de um superior. De fato, houve erros durante as negociações com o vilão, mas não se devem eleger bodes expiatórios nesse momento.

Além disso, quem matou Eloá não foram os militares, mas, sim, Lindemberg. Parte da imprensa, ao que parece, quer dividir a culpa do assassino.


O pai do vilão:

O pai de Lindemberg representa o núcleo da coincidência na história. Ele estava na Paraíba – onde mora – assistindo ao seqüestro. De repente, reconheceu o filho, que não via há duas décadas. Era Lindemberg: aos dois anos, partiu com a mãe. Agora, homem feito, bandido, assassino.


O pai de Eloá – revelações de uma vida pregressa:

Faz parte do enredo de uma telenovela convencional: um personagem sai de sua terra natal para viver em outra cidade, muito longe. Na nova localidade, troca de identidade, faz cirurgia plástica.
O pai da heroína não chegou ao extremo de modificar o rosto, mas cometeu o crime de mudar de nome. Contra ele, pesam denúncias de outros crimes no Estado de Alagoas.

Foi reconhecido quando atuava na trama central. Em outras palavras, ele passou mal, ao ver a filha sendo ameaçada com uma arma de fogo. A TV o filmou (como filmava tudo ali – Projac Paulistano). Alguém, de Alagoas, ao vê-lo na tela, o reconheceu. Vejam só que ironia; até aqui a TV ajuda a produzir histórias


E a vida continua... Menos a de Eloá.
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23 de outubro de 2008

Professores da rede pública de ensino abrem escolas e prejudicam alunos

Antes de matricular seu filho, faça uma pesquisa criteriosa, pois muitas escolas privadas são construídas como complemento de renda para professores da rede pública. Ou seja, tais professores recebem um salário que não supre suas necessidades; então, eles abrem uma escola como se monta um comércio qualquer.

E como tem que prestar contas na escola pública onde são lotados, esses pseudo-educadores dedicam pouquíssimo tempo às instituições que eles mesmos fundaram. Conseqüentemente, tais instituições sofrem com práticas pedagógicas deficientes devido à falta de supervisão. Aqui, cai como uma luva o ditado popular “quando o gato sai, o rato faz a festa”.

Aos pais, um conselho: pesquisem exaustivamente a melhor instituição para seus filhos. Matricule-os em uma escola, cujos proprietários dediquem tempo integral a elas. E, caso perceba que seu filho está sendo prejudicado pela escola, denuncie à Secretaria de Educação de sua cidade.

A esses professores, um alerta: vocês escolheram ser professores da rede pública de ensino. Quando prestaram o concurso público, sabiam que o salário de um educador do estado (ou município) é muito baixo. Portanto, não prejudiquem os outros pela opção de vocês. Deixem essa profissão e escolham outra que lhes proporcione uma melhor renda. Isso é mais honesto do que montar uma escola com estrutura decadente, mensalidades exorbitantes, e que trazem danos ao alunado em todos os sentidos.

P.S: A indignidade é apenas com os professores que montam escolas, mesmo sabendo que não terão tempo disponível para administrá-las. Há educadores de escolas públicas que abrem instituições privadas, mas contratam profissionais para se dedicarem exclusivamente a elas. (Texto de Valdeir Almeida)

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20 de outubro de 2008

Disparo de tiro aumenta desavenças entre Globo e Record

É notória a guerra pela audiência entre as TVs Globo e Record. Ontem, em pleno horário nobre, essa disputa ficou ainda mais acirrada. Motivo: enquanto a primeira diz ter provado que não houve tiro no apartamento de Eloá, antes da invasão da polícia, a Record diz possuir provas atestando que ocorreu, sim, o disparo.

Para respaldar suas afirmações, a Globo recorreu ao renomado perito Ricardo Molina. O perito analisou as imagens (com áudio) exclusivas da emissora geradas no conjunto residencial em Santo André e concluiu: Lindenberg não atirou antes dos policiais invadirem o cárcere.

A Rede Record, por sua vez, entrevistou um especialista em perícia criminal. As imagens que o especialista analisou também foram geradas próximas ao apartamento de Eloá e são exclusivas desta emissora. Entretanto, para o perito, o som que a Record captou confirma que quando a polícia invadiu o apartamento, Lindenberg já havia disparado o tiro.

As provas foram apresentadas no Domingo Espetacular (Record) e Fantástico (Globo). Tais programas registraram elevados índices de audiência. Se era esse o objetivo das emissoras – ou seja, alavancar o IBOPE baseado numa tragédia que comoveu o País – conseguiram. Agora, resta saber quais as análises estão corretas. Só a perícia técnica oficial dirá.
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19 de outubro de 2008

Seqüestro faz telespectador voltar à TV

Nos últimos meses, tem se discutido sobre a queda de audiência da Rede Globo, atribuindo tal fato ao crescimento das outras emissoras. Isso, porém, é apenas “meia-verdade”.

A televisão brasileira em geral está passando por uma forte crise. E até mesmo a Record e o SBT, que tiveram participação na baixa audiência da Vênus Platinada, estão vendo seus números caírem.

Portanto, o maior problema das emissoras no momento não é a concorrência entre elas, mas a disputa pelo público que migrou para outras áreas de entretenimento, sobretudo para a internet.

Entretanto, a TV no Brasil, nos últimos dias, está atingindo recordes de audiência à custa de uma tragédia: o seqüestro no ABC paulista. Se a programação televisiva não consegue mais prender a atenção das pessoas, a vida real o faz. A TV, nesse caso, transforma-se em mera retransmissora desse tipo de evento. Mera, mas não ingênua, pois a forma como está veiculando as informações referentes ao caso da garota Eloá e seu ex-namorado, Lindenberg, ultrapassa o limite do sensacionalismo.
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17 de outubro de 2008

Candidatos derrotados: reconhecer a perda é atitude de vencedores

Todo período pós-eleitoral a situação se repete: candidatos derrotados nas urnas culpam os eleitores pelo fiasco.

Não admitindo que seus concorrentes foram melhores e por isso obtiveram a vitória, esses candidatos culpam os votantes, afirmando que estes não sabem escolher bem os representantes.

A humildade de reconhecer a perda traz vantagens para o próprio perdedor. Ele irá avaliar as razões da derrota para não repetir mais os mesmos erros. E, assim, numa nova disputa, será vencedor.
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16 de outubro de 2008

Pelo Fim da Tarifa Telefônica

O Zan, do blog Portal do Zan descobriu que existe um abaixo assinado, pedindo o fim da cobrança da assinatura telefônica. Como o Zan me autorizou a transcrever o texto dele por completo, aqui está:


Cancelar Taxa Telefônica!


Recebi uma informação muito importante e quero repassar para vocês!A informação é que existe uma votação (espécie de "abaixo-assinado") para pedir o cancelamento da taxa de assinatura telefonica. Essa taxa é de aproximadamente R$ 40,00 na cidade de Piracicaba.Eu mesmo liguei para saber se é verdade essa votação e digo que sim! É verdade!!!


Então, para votar para o cancelamento da taxa da assinatura telefonica basta ligar para:
  • 0800-619619 (ligação gratuita, funciona de segunda à sexta-feira das 8 h às 20h) é da Câmara dos Deputados Federais;

  • Tecle 1 para falar com um atendente;
  • Diga que é para votar a favor do cancelamento da taxa de telefone fixo…. O Projeto de Lei é o de nº 5476;
  • O atendente pergunta seu nome completo, cidade, grau de instrução, data de nascimento, profissão e...

  • Como você ficou sabendo dessa votação? (Você responde que através da internet).
    Os meios de comunicação não tem interesse em divulgar esta notícia, então nós mesmos divulgamos!!!



Divulgue essa informação, afinal somos nós quem pagamos as contas!

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15 de outubro de 2008

Professora Morre com Contracheque

A professora Lucrécia Rufina da Silva, 62 anos, morreu ontem, após receber um tiro no peito, deflagrado pelo policial José Sinfrônio, 34.

Lucrécia saía de uma clínica na Alameda dos Cochechês. O policial, confundindo-a com uma foragida do 110º CP (Zona Oeste) ordenou-a que erguesse os braços. A professora, surda de um ouvido, entendeu que se tratava de um simples pedido para apresentar um documento de identificação; então, abriu a bolsa para pegar a identidade. O policial, acreditando que Lucrécia iria apanhar um revólver, atirou contra ela.

Após a professora ter tombado no chão morta, sua bolsa foi revistada pelo militar, mas o que ele encontrou foi apenas a mão de Lucrécia segurando o contracheque de pagamento. Não havia arma alguma.

Em nota publicada à imprensa, a direção da Secretaria de Segurança afirmou que exames de balísticas comprovaram ser da arma de Sinfrônio o tiro que matou a professora. “Agora, ele passará por inquérito administrativo, e, se for o caso, poderá ser julgado no fórum comum”, conclui a nota.

A família da professora disse que vai até as últimas instâncias judiciais para que o policial seja punido. “Do mesmo modo que é inconcebível um médico cometer um erro, pois está colocando em jogo a vida de uma pessoa, um policial não pode falhar nas atividades inerentes ao seu trabalho. Um erro pode ser fatal, como foi com a professora Lucrécia. Iremos fazer tudo o que estiver ao alcance da lei para que o senhor José Sinfrônio seja rigorosamente punido”, declarou Porfírio Silveira, advogado contratado pela família da professora.

No velório, houve muita indignação. Segundo colegas de Lucrécia, ela, realmente, tinha uma deficiência auditiva provocada pela exposição contínua ao excesso de barulho no ambiente de trabalho. Eles afirmam também que a professora morta tinha bursite e estava se tratando de cistos nas cordas vocais. “Ossos do ofício do professor. Pode entrevistar os professores aqui presentes e você irá constatar que todos eles têm ao menos uma doença causada pelo trabalho em sala de aula”, desabafa Joana Farias, que leciona na mesma escola que Lucrécia ensinava. Joana aproveita para registrar que muitos educadores sofrem violência dentro da própria escola.

Já para Petrônio, também professor, o problema é muito mais amplo do que se imagina. Segundo ele, o Estado está negligenciando os setores essenciais da sociedade, ou seja, saúde, educação e segurança. O professor disse que o policial errou, de fato, mas o militar seria apenas mais uma vítima de algo bem mais complexo e devastador: “Eu acredito nos policiais, nos médicos, nos professores. Só não tenho esperança no sistema público como um todo. É o sistema o maior vilão dessa história”.

O momento surpreendente do velório foi quando José Sinfrônio apareceu sem temer a revolta das pessoas presentes. Ele parou diante da própria vítima. Após alguns segundos de silêncio, chorou como uma criança e disse: “Eu não queria matá-la. Só depois percebi que ela não era quem eu estava procurando. Meu Deus, como eu pude confundi-la com uma criminosa! Tirei a vida de quem me ensinou. Matei minha ex-professora”. (Texto de Valdeir Almeida)

Este é um texto fictício. Qualquer semelhança com lugares, nomes, pessoas e acontecimentos reais terá sido mera coincidência.
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14 de outubro de 2008

Seqüestro em Santo André – amor e amizade em análise

O seqüestro que está ocorrendo em Santo André (SP) evidencia a antiga comparação entre amor e amizade.

De um lado, o rapaz que, inconformado com a separação, faz refém a ex-namorada. Do outro, a garota que teve a oportunidade de sair do cárcere normalmente, mas escolheu ficar para apoiar a amiga.

Realmente, o amor é singelo. Mas sua força atrativa torna duas pessoas presas, ainda que seja mediante uma corrente agradável. Já na amizade, em vez da atração, existe a identificação. Ela testa nossa capacidade de decisão: decidir estar na companhia de alguém simplesmente por ter algo em comum e pelo afeto sem interesses.

Apesar de tudo que foi exposto, não podemos esquecer que esses dois sentimentos fazem parte das relações humana. Portanto, a forma como os apresentamos acima não é taxativa, pois amor e amizade podem se unir e tornar dois vilões numa mesma história.
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11 de outubro de 2008

Como vender uma caixa de fósforos vazia

Recentemente, lancei o seguinte desafio aos usuários do Yahoo Respostas:


Como vender uma caixa de fósforos vazia?

Se você tivesse uma agência de propaganda e lhe encomendassem uma campanha publicitária para vender uma caixa de fósforos vazia, como seria sua campanha? Mas você não pode esconder que o produto é uma caixa de fósforos e que ela está vazia.


Vejam algumas respostas interessantes:


Colocando na embalagem:"Esta caixa contém 0 (zero) palito(s) de fósforo"E logo abaixo:"Esta é a ÚNICA caixa de fósforos cuja quantidade de palitos é exatamente igual à anunciada na embalagem."


Sensacional!!! Agora chegou o que você tanto esperava: a caixa de fósforo vazia, mas não usada! Você, que costumava esperar que a caixa de fósforos se esvaziasse para usá-la para guardar objetos minúsculos, que se perdem facilmente, mas que nunca conseguia fazê-lo pois a caixa, ao acabarem-se os fósforos, estava imprestável para qualquer fim, agora pode sorrir, pois esta caixinha está vazia e pronta para ser usada para os mais variados fins. Nela, você poderá guardar tachinhas, material de bijuteria, chips para o celular, e até o comprimido que você não pode deixar de tomar enquanto estiver na rua. Quer mais? Então, invente uma nova forma de usar a sua tão desejada caixinha de fósforo vazia, decorando-a e usando como pingente. Adquira esta espetacular caixinha e participe do imperdível concurso - “esta é a caixinha dos meus sonhos!” - e mostre toda a sua criatividade! Quem enviar a caixinha mais criativa, ganhará uma réplica da caixinha de fósforos de Itú, entregue durante o “Domingão do Faustão”, pela Juliana Paes. Tá esperando o quê? Ligue agora e aproveite a promoção: 50 lindas caixinhas, novinhas, por apenas R$ 20,00! Eu vou repetir: 50 lindas caixinhas, novinhas, por apenas R$ 20,00! Não acredita? Então ligue, para conferir. Os 10 primeiros telefonemas ganharão um lindo brinde surpresa (*).(*) uma belíssima caixinha de fósforos cheia! (rsrsrsrs)


Eu não faria uma campanha dedicada, mas faria merchandising em uma novela de grande audiência onde uma personagem bem sucedida usa caixas de fósforo vazias como enfeite de cabelo para lançar moda. Vai vender como água.O segredo de todo marketing é fazer as pessoas acreditar que precisam de determinado produto ou serviço, por mais prosaicos e desnecessários que sejam.


Com essa super caixa de fósforo vazia você pode guardar o seu anel cravado em diamantes sem chamar a atenção de qualquer tipo de bandido.Mais corra, os estoques são limitados


VENDO! Caixinha de fósforo estepe.Sua caixa de fósforos molhou? Estragou nas laterais? Não acende mais ? Não se desespere ! Oportunidade !!!Caixa de fósforo em excelente estado, e completamente vazia, para colocar seus palitos Por um precinho que cabe no seu bolso~Para quem gosta de fazer economia de palitos~ Lembre-se : Caixinha de fósforo estepe!Tenha sempre uma caixinha sobressalente Não fique sem fogo NUNCA MAIS


O ser humano é realmente inteligente.
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9 de outubro de 2008

Por que comemorar o aniversário de morte de Machado de Assis

O centenário de morte de Machado de Assis fez suscitar uma indagação: por que, em algumas situações, existe a celebração da morte?

No caso de pessoas que produzem obras literárias, a comemoração não é necessariamente pela morte. Por traz disso, há uma estratégia de “marketing cultural” para que o nome do escritor continue em evidência, como ocorre no momento com os 100 anos de morte do autor de Dom Casmurro.


É certo que Machado de Assis – o maior nome da literatura brasileira – não necessita de artifícios que o tornem destacável. Suas obras maravilhosas e atemporais fazem isso por si só. No entanto, as estratégias de marketing ajudam a despertar a paixão de novos leitores, como demonstrado na recente bienal do livro de São Paulo. Crianças visitaram os espaços destinados às obras machadianas e ficaram encantados.



Embora pareça contraditório, mediante a lembrança de falecimento dos grandes gênios se verifica a manutenção (ou revitalização) de suas obras. É a morte produzindo vida. (Texto de Valdeir Almeida)

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6 de outubro de 2008

Por que o voto é obrigatório no Brasil, parte I

A resposta a esse questionamento parece simples: todos temos a obrigação de votar, porque a Lei (CF/88, art. 14, § 1º.) exige e pune quem a descumprir. Então a questão deveria ser reformulada: por que fazer leis obrigando o cidadão a votar?

De antemão, devemos lembrar que a Constituição Federal foi elaborada por políticos (deputados e senadores), através da Assembléia Nacional Constituinte. Portanto, foram eles que imprimiram na Carta Maior a “imposição” do voto. Isso configura “legislação em causa própria”, pois tais políticos sabiam que o voto facultativo no Brasil não daria certo. Seria ínfimo o número de eleitores “voluntários”. Conseqüentemente, a ausência de votantes exigiria a implantação de um novo sistema eleitoral.

A propósito, fala-se muito da arrogância e do monopólio americano (e concordo com isso). Entretanto, os Estados Unidos adotam o sistema do voto facultativo. Ainda assim, a população em massa vai exercer sua cidadania. Ademais, os eleitores daquele país se envolvem nas campanhas dos candidatos, participam de prévias e convenções dos partidos.

Logo, a tese de que o voto facultativo desestimula o comparecimento às urnas é infundada. Aliás, uma pesquisa comprovaria que os brasileiros votam desmotivados, justamente porque são obrigados a tal sacrifício. Exercem o dever e não o direito. (Texto de Valdeir Almeida)

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Por que o voto é obrigatório no Brasil, parte II - A saga das urnas eletrônicas

“Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira parte da roupa velha, e fica maior a rotura”. (Marcos, 2.21)


Mediante o texto “Porque o voto é obrigatório no Brasil, parte I”, expresso minha revolta com a forma de votação em vigor no Brasil.

Há uma propaganda maciça de que o sistema de urna eletrônica é bastante moderno e praticamente infalível. Entretanto, estão colocando remendo novo em tecido velho. Isto é, o que adianta ter um sistema tão avançado atuando num contexto extremamente atrasado? Para que fazer uso de tecnologia de ponta, quando as mentes e a educação dos que comandam esse sistema não progridem?

Ontem, fui exercer meu “direito obrigatório” de cidadão. No entanto, permaneci quase seis horas na fila. Motivo: urnas com defeito na minha seção.

A primeira estava em boas condições. Mas, aproximadamente uma hora e meia depois, parou de funcionar. A partir daí, iniciou-se uma saga de urnas quebradas, que iam e viam. No total foram 8 (isso mesmo, oito, VIII, eight, ocho, huit, ********) urnas que não serviam para nada.

Houve protesto na fila – obviamente. Formou-se tumulto. Mesários foram ameaçados e quase agredidos fisicamente. A polícia apareceu; a imprensa também.

Ao perceber que não tinha alternativa, o TRE decidiu, quase 6 horas depois, que o voto seria manual, ou seja, por meio do papel.

Não vimos técnicos em informática aparecerem para verificar se o defeito era realmente nas urnas. Não testemunhamos a presença de eletricistas para observarem se o problema era na fiação elétrica da sala. O TRE decidiu muito tarde substituir as urnas pelas cédulas. Foram muitos os remendos velhos costurados sobre o tecido novo do sistema de votação mais avançado do mundo.

Indubitavelmente, se eu não tivesse a obrigação de votar, deixaria aquela fila na primeira meia hora. Não iria estragar meu domingo. Atitude que a maioria daqueles eleitores também tomaria.
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3 de outubro de 2008

Horário Eleitoral – Meu programa de humor favorito

O Horário Eleitoral Gratuito terminou ontem. Como de costume, o índice de televisores ligados durante o programa foi muito baixo (segundo o IBOPE). Confesso que um desses televisores era o meu.

Eu gostava de assistir àquele show de humor: candidatos a prefeito utilizando uma linguagem arcaica, como se isso os tornasse pessoas inteligentes e capazes de comandar a cidade. Na verdade, tal atitude os transformava em motivos de risos, pois eles “falavam, falavam e não diziam nada” (síndrome do professor Astromar)*. Monologavam num espaço destinado a apresentação de propostas claras ao telespectador.

Mas os melhores comediantes do programa foram os candidatos a vereador. Muitos deles, ao lerem o discurso diante das câmeras, faziam tanta força que pareciam estar sobre o vaso sanitário. Além disso, “liam com a cabeça”, movimentando-a de um lado a outro como se estivessem assistindo a uma partida de tênis.

Além de um ótimo desempenho em cena, os humoristas-candidatos também se destacaram pelo nome com o qual se apresentaram. Apesar de engraçado, esse fato nos leva a reflexão de que é inadmissível um candidato a cargo público manter o apelido ridículo que adquiriu numa mesa de bar ou num babinha** com os amigos. Muitos desses apelidos são tão vulgares que se fossem apresentados num programa comum de TV, teriam problemas com a indicação do horário e da faixa etária.

Sentirei falta do Horário Eleitoral Gratuito. Agora, só me resta aguardar as próximas eleições para ver mais humoristas em cena. Mas espero que esses candidatos fiquem apenas na TV. Não quero que a prefeitura e a câmara de vereadores se transformem num palco de humor negro.


* Astromar é o lendário personagem da novela Roque Santeiro (Globo, 1985). O professor costumava reunir muitas pessoas para ouvirem seu discurso. Mas, apesar dos aplausos calorosos, ninguém conseguia entender o que ele falava. A figura do professor Astromar acabou se transformando em sinônimo de pessoas prolixas e que não conseguem estabelecer a comunicação com seus interlocutores.

** Na Bahia, a prática de jogar futebol com os amigos é chamado de “bater baba”. É o que no Sudeste chamam de “jogar pelada”.
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1 de outubro de 2008

Bode Zé para Prefeito

A revista Veja da semana passada noticiou uma aliança antes inimaginável. PT e PSDB – adversários históricos – estão apoiando candidato a prefeito nas eleições de uma grande capital.

O inusitado não fica apenas nisso. O prefeiturável era um desconhecido do eleitorado, mas após o prefeito (PT) e o governador (PSDB) anunciarem o apoio em conjunto, a preferência pelo candidato saltou de 6% para 42%, ficando em primeiro lugar (isolado) nas pesquisas.

A reportagem da revista afirma que esse fato transformou em realidade um mito: o de que políticos bem avaliados são capazes de eleger um poste.

Ao ler isso, lembrei-me imediatamente de Que Rei Sou Eu? (Globo, 1989). Nessa novela satírica, um bode chamado Zé conseguiu vencer as eleições para primeiro ministro. No ano seguinte, na vida real, houve eleições. Naquela época, ainda não havia urna eletrônica; o registro dos votos era feito em cédulas, a caneta. Muitos eleitores, frustrados com os políticos, resolveram anular o próprio voto de forma bem humorada, escolhendo quem? Exatamente, o Bode Zé.

Se a eleição ainda fosse feita no papel, em quem será que os inconformados iriam votar? Candidatos é que não faltam: Chapolim Colorado, Louro José, Pica-pau...


P.S: Aquela era a primeira eleição direta para presidente após longo período de ditadura militar. Foram também escolhidos os senadores e deputados federais.
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23 de setembro de 2008

Televisão Brasileira: em busca da originalidade perdida II

Alguns setores da imprensa brasileira adotam a política do “morder e assoprar” quando tratam da rede Globo. De início, a criticam, afirmando que é manipuladora e que seu monopólio deve acabar. Em seguida, quando outra emissora a “copia”, falam que é por falta de originalidade. Por fim, ao surgir uma sutil quebra de imitação, fazem campanha para desmerecer e desqualificar a concorrência.

Por exemplo, a novela Os Mutantes – da rede Record – conseguiu transformar A Favorita na maior dor de cabeça para a Globo. Pela primeira vez, uma novela das 21h – produto mais rentável da Vênus Platinada – não consegue alcançar 40 pontos no Ibope (no horário, o normal seria atingir 50 ou mais).

A Record obteve esse feito com uma novela que em nada lembra os folhetins globais, mas sim os gibis, os heróis do cinema e a mitologia grega. Isso demonstra que a Record está alavancando a audiência sem copiar tanto a maior emissora do país.

Entretanto, parte da imprensa está utilizando como critério a própria Globo para desqualificar a novela Os Mutantes, escrevendo notas como: “Mulher aranha? Epidemia de vampirismo? A novela da TV de Edir Macedo segue seu sucesso de audiência, apostando num mau-gosto insuperável. Na Globo, personagens desta estirpe jamais seriam aprovados”.

Ora, mau-gosto é adotar uma postura de falsa imparcialidade. É fazer uso de jogo de palavras para que o público pense que está havendo críticas contra uma emissora de TV, quando, na verdade, está havendo afagos. Mas o telespectador brasileiro está cada vez mais observador e exigente; é por esse motivo que o maior canal televisivo do País está vendo sua audiência decair consideravelmente.
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16 de setembro de 2008

A Lição dos Alicerces

É possível reconstruir qualquer tipo de relacionamento desmoronado por circunstâncias adversas? Na vida, há situações, como a apresentada a seguir, que demonstram que sim.

Recentemente, um dos bairros mais populosos de Feira de Santana foi vitimado por uma enchente que destruiu algumas casas. Uma delas pertencia a uma mulher que, em face da catástrofe, só lhe restou chorar, prostrada na calçada diante da casa sobre o chão.

Passados alguns minutos de pranto, a mulher, repentinamente, abriu um sutil sorriso provocado pelo pensamento de que a força das águas destruíra sua residência, mas não conseguira acabar com o alicerce, que era muito forte e bastante fincado:

— Tenho ainda o terreno e uma base. Isso que me restou parece pouco, mas, na verdade, é muito. Agora, vou fazer outra casa bem mais bonita do que a casa que a chuva destruiu.

Essa lição também se aplica às relações interpessoais. Suas paredes podem ruir pelos infortúnios; mas se estiverem sobre alicerces bem estruturados, é possível reatá-las e de uma forma bastante melhor do que antes.


O tempo, a distância geográfica, os mal-entendidos, o juízo de valor, as idéias preconcebidas e outras “enchentes” não separam os verdadeiros amigos, pois a amizade genuína é construída a partir de alicerces firmes e constituída de paredes sólidas. (Texto de Valdeir Almeida)
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9 de setembro de 2008

Síndrome das Uvas Verdes

Uma raposa faminta pára diante de um pé de uva. Mas, observando que os cachos estão muito altos, desiste de comer a fruta, justificando para si mesma: “Estão verdes”.
É a essa fábula de Esopo (A raposa e o cacho de uvas) que costumo recorrer, quando estou diante daqueles que usam a própria energia apenas para murmurar. Trata-se de pessoas capacitadas física e intelectualmente, mas que desistem de lutar pelos seus objetivos em virtude do comodismo. São indivíduos portadores da síndrome das uvas verdes. (Texto de Valdeir Almeida)

Post scriptum: Ao contrário do que se pensa, as fábulas não são gêneros destinados puramente ao público infantil; por trás daquelas morais que as finalizam, existe uma interessante visão crítica da sociedade.
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2 de setembro de 2008

Ode aos Cães

Eu disse para meu interlocutor ao telefone: “Pois é! Jamais imaginei que aquele nosso colega fosse fazer algo tão vil contra mim. Ele é um cachorro”.

Naquele momento, meu dog alemão levantou as orelhas bruscamente e inclinou a cabeça para mim. Tive a impressão de que ele entendeu o que eu acabara de falar. Diante daquela cena, fui acometido por um intenso remorso. Mal me despedindo do meu amigo, desliguei o telefone e passei a refletir sobre aquela situação.


Os cães não costumam agir falsamente. Quando não gostam de alguém, respondem imediatamente com rosnadas, rangidos de dentes, mordidas. Se sentem afeição, fazem o que for possível para manifestar esse sentimento, mesmo que o destinatário do carinho tenha sua roupa manchada com as patas do animal.

O ser humano, por sua vez, carrega na própria essência a característica da traição. Em razão da sua capacidade de pensar, ele pode orquestrar planos funestos contra seu semelhante.

É justamente por isso que somos um dos assuntos mais discutidos nas conversas entre cachorros. Certamente costumam desenvolver explanações sobre nosso comportamento complexo. Não é por outro motivo que quando um cachorro foge à regra da própria espécie, aparece outro para alertá-lo: “Você está parecendo gente, meu amigo. Cuidado! Não traga esse vírus pra cá”.

Aprendi a lição. Não chamarei mais os calhordas de cachorro. E o meu dog alemão, enquanto suja minha calça com suas carinhosas patas, agradece.
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26 de agosto de 2008

O Príncipe e o Mendigo

Quando a realização do sonho de ser outra pessoa torna-se um grande pesadelo


Há dois dias, concluí a leitura de O Príncipe e o Mendigo, mas ainda não consegui me desligar da história.

O livro narra a saga do monarca e do maltrapilho que resolveram trocar de identidade espontaneamente.

Apesar da época em que foi escrito (fim do século 19), o tema em torno do qual gira a trama é bastante atual, porque faz referência à curiosidade que o ser humano tem de como é “viver outra pessoa” (principalmente se for alguém que admiramos). Entretanto, mesmo que esse “milagre” pudesse acontecer, seríamos mais felizes tendo uma expressiva conta bancária? Ficaríamos mais realizados caso tivéssemos aquela vida simples do homem do campo?

De certo modo, quando lemos O Príncipe e o Mendigo esses questionamentos são elucidados, pois o autor vai expondo os pontos negativos e positivos de experimentarmos uma vida que não é originalmente nossa.

Uma certeza fica após a leitura do livro: muitas vezes, aquilo que invejamos em outra pessoa é o maior sofrimento dela. E o que detestamos em nós mesmos é a nossa maior fonte de crescimento positivo. Então, o que devemos fazer é perseguir nosso próprio caminho rumo à felicidade; sermos originais, autênticos. Sermos nós mesmos. (Texto de Valdeir Almeida)


Apaixone-se também:

O Príncipe e o Mendigo foi escrito em 1880 pelo americano Mark Twain. No Brasil, algumas editoras publicam a obra, mas prefiro a de Martin Claret, por apresentar um livro com ótima qualidade gráfica e, o que é melhor, a um baixo custo.
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10 de agosto de 2008

Frase Maldita

Situação comum: alguém procura um amigo para desabafar a respeito de algum problema. O ouvinte, por falta de inteligência ou ausência de bom senso, acaba dizendo a seguinte pérola: “Não fica assim; tem gente que passa por aflições iguais e até mesmo piores que as suas”.

Embora o uso da frase tenha boas intenções, ela é a última coisa que alguém em desespero gostaria de ouvir.

Por outro lado, a expressão em questão está na boca dos perdedores, que a relêem da seguinte forma: “Então, outras pessoas no mundo vivem problemas semelhantes aos meus e até piores? Não estou sozinho. Não sou anormal”.

É a velha teoria da normalização do que é comum; ou seja: se as estatísticas são significativas, há pouco a se fazer para reverter a situação. E isso leva os perdedores a um conformismo muito maior do que os problemas que eles vivenciam.

Em última instância, a comparação de aflições torna-se uma sentença de morte. Morte de sonhos. Morte de vidas.
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5 de agosto de 2008

QUEM SOU

Você é o que come, diz o nutricionista.
Você é o que poupa, diz o economista.
Você é o que veste, diz o estilista.

Ora, não sou nada disso. Sou o que penso. Sou o que sinto. Sou meus valores. Sou meus sonhos. Sou meus próprios esforços. Sou minhas realizações.

Não sou João, nem Maria, nem Antônio. Não sou o carro que José comprou e quer que eu também tenha. Nem a casa que Joana insiste para eu ter uma igual.

E quem são João, Maria, Antônio, José, Joana? São exatamente o que a multidão quer que eles sejam. São tudo e todos. Portanto, não são ninguém.

Eu sou Valdeir, o resto é sociedade.
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27 de julho de 2008

Por que o Brasil perdeu a Copa

Não sou especialista em futebol, tampouco em Seleção Brasileira. Portanto, se o Brasil perdeu a última Copa do Mundo, o que me resta é ficar “patrioticamente” triste e revoltado.

Mas, em meio a toda aquela celeuma gerada durante o desempenho dos nossos jogadores, uma frase ficou marcada em minha vida. Ela foi dita por Parreira (o então técnico da Seleção): “Pressa é diferente de velocidade. E o que os jogadores estão tendo é pressa”. Em seguida ele justificou seu comentário, dizendo que a pressa é uma atitude de quem age por impulso, sem pensar, sem adotar táticas lógicas. Já a velocidade é estratégica, e surge de indivíduos que não são ansiosos e não dão lugar ao acaso.

Parreira pode ser alvo de críticas por causa da performance da equipe brasileira em 2006, mas deve ser aplaudido de pé por sua sabedoria. Talvez, se os jogadores pensassem como ele, hoje já poderíamos exibir o título de hexa campeões mundiais. (Texto de Valdeir Almeida)

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20 de julho de 2008

“Tu te tornas responsável por aquilo que cativas”

Hoje é o Dia Internacional da Amizade! Leia o texto abaixo e reflita a respeito da necessidade de cultivar amigos.

Esta frase de Saint Exupéry imortalizada no romance O Pequeno Príncipe é bastante oportuna para a data que comemorarmos hoje.

Pensemos num jardineiro. Inicialmente ele está eufórico para plantar novas sementes que haviam acabado de chegar. Tanta euforia era explicado pelo fato de dali a alguns dias brotarem novas flores, que ainda não existiam em seu jardim. Entretanto, bastaram alguns dias para que a efervescente vontade cedesse lugar à ociosidade e à omissão. Desistiu. Preferiu dar atenção às outras flores, que, por já estarem crescidas, não exigiam tanto cuidado e atenção.

Quantas vezes em nossa vida nos comportamos como um jardineiro omisso e ocioso! Conquistamos pessoas, semeamos relacionamentos, mas deixamos de lado no início da germinação. Nos acomodamos diante da laboriosa empresa de cultivar verdadeiras amizades. E para nos isentar deste aborto e da inércia, costumamos colocar a culpa no tempo (ingratidão nossa, pois o tempo é, ao contrário do que imaginam os ociosos, um solidificador de relacionamentos).

Plantemos sementes e jamais deixemos de cuidar delas. Um dia estas sementes serão imensas árvores, cujas folhas servirão de sombra em dias escaldantes.
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13 de julho de 2008

O Falso Discurso da Falta de Tempo

Já escrevi vários textos aqui, falando acerca “da falta de tempo” (veja categoria Administração de Tempo). Nesses textos, afirmo que tempo todos têm. O que se deve fazer é planejar muito bem suas horas disponíveis e não assumir tarefas em excesso. Geralmente, as pessoas que vivem sob o manto da “falta de tempo” geram filhos, mas deixam para o acaso criar. E não têm amigos, porque não há espaço na agenda para cultivar relacionamentos.

E, mais uma vez, trato desse tema, apresentando duas letras de música que representam duas pessoas com estilos de vida (ou saúde emocional) completamente diferentes. Na primeira, vê-se alguém que vive apressado, não “tendo tempo para nada”. E, no final, frustra-se por não poder usufruir daquilo que a vida lhe oferece, porque tem muitas tarefas para desenvolver. Já na segunda, observamos uma pessoa que, no passado, foi como o apressado da letra da música anterior, mas que, agora, anda mais devagar, e vai levando sorriso.


Seguem as letras:


Nada tanto assim

Só tenho tempo pras manchetes

No metrô

E o que acontece na novela

Alguém me conta no corredor

Escolho os filmes que eu não vejo

No elevador

Pelas estrelas que eu encontro

Na crítica do leitor

Eu tenho pressa

E tanta coisa me interessa

Mas nada tanto assim

Eu me concentro em apostilas

Coisa tão normal

Leio os roteiros de viagem

Enquanto rola o comercial

Conheço quase o mundo inteiro

Por cartão postal

Eu sei de quase tudo um pouco

E quase tudo mal

Eu tenho pressa e tanta coisa

Me interessa.


(Composição: Bruno e Leoni Furtado. Intérprete: Kid Abelha e os Abóboras Selvagens).



Tocando em Frente


Ando devagar porque já tive pressa

Levo esse sorriso porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe

Só levo a certeza de que muito pouco eu sei

Eu nada sei


Conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maçãs,

É preciso amor pra poder pulsar,

É preciso paz pra poder sorrir,

É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente

Compreender a marcha e ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro levando a boiada

Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou

Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maçãs,

É preciso amor pra poder pulsar,

É preciso paz pra poder sorrir,

É preciso a chuva para florir


Todo mundo ama um dia todo mundo chora,

Um dia a gente chega, e no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz

E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar,

É preciso paz pra poder sorrir,

É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa

Levo esse sorriso porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história,

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz

E ser feliz

(Composição: Almir Sater e Renato Teixeira. Intérprete: Almir Sater). (Texto de Valdeir Almeida)
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10 de julho de 2008

Estigma da Novela das Oito

A “novela das oito” da TV Globo começa quase às nove, mas continua a ser chamada assim. Por quê?


As novelas globais não têm mais a mesma audiência astronômica do passado, mas os termos relacionados aos horários em que elas vão ao ar continuam na boca do povo. A expressão “novela das oito”, por exemplo, faz parte da cultura brasileira. Na prática, porém, o folhetim da Globo começa às 20h50. Então, por que razão se diz “novela das oito” (afinal só está “dentro” da faixa das 20h por apenas 10 minutos)?

É que num passado remoto e poderoso, a principal novela da Globo começava pontualmente às 20h30, logo após o Jornal Nacional. Como a emissora veiculava três novelas inéditas (como ocorre hoje), o telespectador passou a nomear os horários em vez das novelas, da seguinte forma: “novela das oito”, “novela das sete” e “novela das seis”.

Como se vê, a rainha perdeu a coroa, mas não a majestade; vão-se os dedos, ficam-se os anéis.


O mesmo ocorre com as expressões “cair a ficha” e “virar” o disco. A primeira é da época do telefone público movido a fichas. A segunda se referia ao LP, o bisavô pobre do CD
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5 de julho de 2008

O que é um verdadeiro herói

Especialistas costumam afirmar que os anti-heróis são formados quando faltam os heróis.


Concordo com a tese, mas acrescento o seguinte: o anti-herói surge também porque as pessoas não sabem reconhecer um herói autêntico próximo a elas.

Já os heróis do cinema e da TV são idolatrados, porque têm super-poderes. Eles, de certa forma, têm a capacidade de nos subtrair do mundo real (tão cruel!) e nos oferecer um universo de fantasias e sonhos. Mas não têm o poder de transformar a nossa realidade.

Os heróis de carne e osso, ao contrário, contribuem para mudar o mundo.
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2 de julho de 2008

02 de Julho, Dia da Independência do Brasil

O 07 de setembro de 1822 ficou registrado como o Dia da Independência do Brasil. Data em que as tropas portuguesas foram derrotadas e expulsas do nosso país. Mas não completamente (ao contrário do que mostram os livros didáticos de História).

Na Bahia, os portugueses ainda tentaram resistir, mas foram derrotados em 02 de julho de 1823. Assim, o Brasil ficou definitivamente livre de Portugal.

Então, por que razão persiste a tese de que São Paulo é o verdadeiro cenário da Independência? Não seria porque aquele Estado localiza-se no Sudeste (região mais rica do Brasil), enquanto a Bahia pertence ao Nordeste, uma região discriminada?
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30 de junho de 2008

Televisão brasileira: em busca da originalidade perdida I

A semelhança entre as redes Globo e Record levantam a discussão a respeito do que existe de original na TV do nosso país



A imprensa especializada em TV afirma que a Record é uma cópia da Globo.

Essa discussão faz-me lembrar do que disse o químico francês Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Retomo a frase de Lavoisier para dizer que a Globo teve sua grade de programação espelhada na extinta TV Tupi que, durante muitos anos, foi líder absoluta de audiência. A estratégia da Globo deu certo, de tal forma que ultrapassou a Tupi e passou a ser a “dona” dos números do Ibope.

Cabe, então, a pergunta: há algo de original na televisão brasileira?


Em tempo:

O saudoso Chacrinha – o rei das tardes de sábado nos anos 70 e 80 traduziu a frase de Lavoisier para televisão da seguinte forma: “Na TV nada se cria, tudo se copia”. Ou seja, o Velho Guerreiro admitia (e divulgava a mea-culpa) que não há nada de novo no mundo televisivo. É importantíssimo frisar que Chacrinha trabalhava na rede Globo.
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